Fala-se por demais em amar e em amor,
mas a maior parte das vezes não damos às palavras o seu verdadeiro significado
o que retira delas todo o seu valor!
Amar é ser presente, escutar,
compreender, exortar, viver e preocupar-se com a vida do outro sem se
intrometer, dar e dar-se, entregar e entregar-se, é dar um sorriso, um bom dia,
um olé, um estou aqui, do teu lado, para o que der, e vier.
É assim que Deus/Amor nos ama... e é
assim que quer que nos amemos!
Claro que não somos capazes sozinhos,
mas com Deus, bem ao jeito de Jesus!
Cada um ou uma de nós e Deus deve ser um
só, assim do jeito de Jesus com o Pai.
Quando pensamos no amor entre os esposos
não nos apercebemos que o Amor de Deus por nós é muito maior, e se não é Deus a
unir os esposos, nada terá mais jeito.
Tudo pode parecer perdido, mas se nos
voltarmos para Deus que nos espera de braços abertos, se guardarmos o nosso
coração bem juntinho do coração de Deus, Ele nos trabalhará a Seu jeito e com o
decorrer do tempo acabamos por compreender que renascemos no amor, no Amor verdadeiro
porque no Amor de Deus!
Posso parecer louca... mas não! O que
não sei é descrever melhor o que acontece comigo e com Deus... e o que
pressinto e sinto profundamente que Deus vai fazendo comigo não obstante as
minhas misérias e fraquezas que Ele compreende e aceita melhor do que eu.
«»
São Bernardo (1091-1153)
monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 7 sobre o Cântico dos Cânticos
monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 7 sobre o Cântico dos Cânticos
«Beija-me com ósculos da tua boca» (Cant
1,2). Quem fala assim? A esposa [do Cântico dos cânticos]. E quem é esta
esposa? É a alma associada a Deus. E a quem fala ela? Ao seu Deus. [...] Não
seria possível encontrar palavras mais doces para exprimir a ternura recíproca
de Deus e da alma que estas do Esposo e da esposa. Tudo lhes é comum, não
possuem nada próprio nem à parte. Única é a sua herança, única a sua mesa,
única a sua casa, única até a carne que em conjunto constituem (Gn 2, 24).
[...]
Se a palavra «amar» convém especialmente e
em primeiro lugar aos esposos, é compreensível que se dê o nome de esposa à
alma que ama a Deus. A prova de que ela ama é que pede a Deus um beijo. Não
deseja a liberdade, nem uma recompensa, nem uma herança, nem mesmo um
ensinamento, mas um beijo, ao jeito de uma esposa casta, elevada por um santo
amor e incapaz de esconder a chama que lhe arde dentro. [...]
Sim, o seu amor é casto, pois ela deseja
apenas Aquele que ama, e não alguma coisa que Lhe pertença. O seu amor é santo,
porque ela não ama com um desejo pesado da carne, mas com pureza do espírito. O
seu amor é ardente, pois, inebriada por este mesmo amor, esquece a grandeza de
quem ama. Não é Ele, com efeito, que com um olhar faz tremer a Terra? (Sl
103,32). E é a este que ela pede um beijo? Não estará embriagada? Sim, está
embriagada de amor pelo seu Deus. [...] Que força, a do amor! Que confiança e
que liberdade no Espírito! Não há maneira mais clara de manifestar que «o amor
perfeito afasta o temor» (1Jo 4, 18).
«»
Temor... de magoar o Senhor! Porque,
aconteça o que acontecer, com Deus nunca estaremos sós. E como a vida não acaba
aqui, quando para aqui acabar, poderemos sentir-nos em festa, porque na
verdadeira felicidade sem fim que o Senhor Deus criou para nós junto d’Ele!
Que não a merecemos... é um facto! Mas que
Ele no-la quer dar... é uma realidade!
Então... aproveitemo-la bem!
Boa noite, com Deus Amor!
HN

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