Na Liturgia Diária estamos a meditar
no Livro do Bem Sirá ou Sabedoria, que nos apresenta as mais maravilhosas
formas de atuar na vida. Algo de extraordinário!
Ler de qualquer forma os livros
Sagrados não adianta muito, pois são tão profundos que se não consegue retirar
deles o verdadeiro sumo que contém. É preciso ler devagarinho, voltar a ler, procurar
o que está escrito a respeito da leitura, observar o que na leitura nos diz
respeito, interiorizar o que fazer e tentar a todo o custo melhorar o que
estiver menos bem.
Menos bem, digo eu! Isso de
descobrir o que está menos bem exige muita profundidade para conseguir olhar o
mais íntimo de nós mesmos, muita humildade para o poder aceitar e muita coragem
para o poder modificar ou ter outras atitudes na vida.
Os frutos das plantas são
saborosos, uns mais que outros, e cada planta tem seus frutos específicos.
As atitudes de cada homem e de
cada mulher também são específicas cada qual em si mesma ou em si mesmo, são
como frutos agradáveis a Deus e a quem connosco convive.
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São Francisco de Sales (1567-1622)
bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, I, cap. 3
bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, I, cap. 3
Na criação, Deus mandou que as
plantas dessem os seus frutos, cada uma «segundo as suas espécies» (Gn 1,11);
da mesma maneira, ordenou aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja,
que produzissem frutos de devoção, cada um segundo a sua qualidade e vocação. A
devoção, a vida cristã, deve ser exercida de formas diferentes pelo fidalgo,
pelo artesão, pelo criado, pelo príncipe, pela viúva, pela jovem e pela mulher
casada; e também é preciso acomodar a prática da devoção às forças, às
atividades e aos deveres específicos de cada um. [...] E se o bispo preferisse
ser solitário como os monges? E se os casados não quisessem trabalhar como os
capuchinhos, se o artesão estivesse todo o dia na igreja como o religioso, e o
religioso constantemente exposto a todo o tipo de encontros para o serviço do
próximo como o bispo? Tal não seria ridículo, desregrado e insuportável? Este
erro, no entanto, é muito frequente. [...]
A devoção, quando é verdadeira,
em nada prejudica; pelo contrário, tudo aperfeiçoa. [...] «A abelha», diz
Aristóteles, «tira o mel das flores sem as estragar», deixando-as inteiras e
frescas como as encontrou. A verdadeira devoção faz ainda melhor, pois, não só
não prejudica nenhum tipo de vocação nem atividade, como, pelo contrário, as
honra e embeleza. [...] Com ela, o cuidado da família torna-se mais pacífico, o
amor do marido e da mulher mais sincero, o serviço do príncipe mais fiel, e
todos os tipos de ocupação mais suaves e amáveis.
Não é só um erro, é também uma
heresia querer banir a devoção das companhias de soldados, das lojas dos
artesãos, da corte dos príncipes, dos lares dos casais. [...] Onde quer que
estejamos, podemos e devemos aspirar à perfeição.
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Há quantos anos este texto foi
escrito... e continua atual!...
Há pessoas admiráveis... capazes
de arranjar forma de explicar o que para nós é inexplicável.
Este texto que me chegou
através de ‘Evangelizo’ é de uma dessas pessoas que nos ensinam imenso!
Quando era jovem pensava que a
perfeição estava num convento... hoje vejo o quanto estava errada!
O caminho da perfeição está
onde um homem ou uma mulher estiverem! Está no Amor que cada um ou uma de nós coloca
nos hábitos que contrai e no que faz e diz... que é sempre fruto do que, no mais
profundo do seu ‘ser’, pensa e sente!
Aspirar à perfeição é querer
ser cada vez melhor, pessoa mais humana e, consequentemente, mais cristã, certa
de que Jesus Cristo foi o Homem mais Humano que existiu desde todos os tempos e
nunca ninguém conseguirá ser mais Humano do que Ele foi e é, pois continua vivo
numa outra dimensão para a qual também somos chamados, porque depois da partida
a nossa vida continua na eternidade, não acaba aqui.
Momentos como este em que me
dedico a registar aprendizagens tão gratificantes, são, para mim, momentos de
maravilhosa sabedoria... são um pouquinho da Sabedoria do Senhor a trabalhar em
mim e comigo!
Que sempre seja louvado!
HN

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