Sim! É mais um tempo forte de
mudança, de aperfeiçoamento, de dádiva, de partilha, de entrega, de conversão!
Mas para que assim seja, temos
de abrir o coração à Verdade, ao Caminho, à Vida, no Coração, Palavras e gestos
de Jesus Cristo que os escritores sagrados nos deixaram para meditar, interiorizar,
vivenciar nos segundos dos dias que nos for dado viver neste mundo maravilhoso
onde fomos colocados... para nele peregrinar como Jesus peregrinou, numa entrega
total ao Pai e aos irmãos.
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São Pedro Crisólogo (c. 406-450)
bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208
bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208
Meus irmãos, começamos hoje a
grande viagem da Quaresma. Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de
alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos
necessidade. Porque o nosso jejum terá fome, o nosso jejum terá sede se não se
alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia. O nosso jejum
terá frio, o nosso jejum desfalecerá se o velo da esmola não o cobrir, se a
capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para
o jejum como a primavera está para os solos: a suave brisa primaveril faz
florescer os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar as
nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita
celeste. A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro: tal
como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro, e com tão pouco
alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o
jejum resplandecer, emitindo raios até atingir o brilho pleno da continência. A
esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta
o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o
jejum santifica a santidade do mesmo jejum e, graças à luz da bondade, remove
dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade
está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do
corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte
deste.
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Ainda se fala muito no jejum quaresmal,
na privação de alimento e determinados tipos de alimentação!
Que temos de ser regrados em
tudo, é um facto, um modo de ser que temos de treinar. Mas... o verdadeiro
jejum quaresmal tem mais a ver com comportamentos do que com comidas e bebidas.
Que interessa privar-nos de alimentos
e não repartir proventos por quem deles necessita... não ser presente a quem
precisa de nós... não ser compreensivo com quem connosco se vai cruzando nos
caminhos da vida?!
Pensemos a sério no que
deveremos fazer para que sejamos melhores pessoas em todos os sentidos!
Para todos, uma boa e santa
Quaresma!
HN

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