Falada e explicada desde a minha
infância, e todas as vezes que vejo alguém falar sobre a Santíssima Trindade
gosto de ler e reler, pensar, meditar, para nada mais poder perceber!
Como o dia é propício, aqui vai:
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Santa Teresa de Ávila (1515-1582)
carmelita descalça, doutora da Igreja
Relações, n.º 33
carmelita descalça, doutora da Igreja
Relações, n.º 33
A verdade sobre a Santíssima
Trindade tinha-me sido exposta por teólogos, mas nunca a compreendi como a
compreendo agora, depois daquilo que Deus me mostrou. [...] Foram-me
representadas três Pessoas distintas, que podem ser consideradas e com quem se
pode conviver em separado. Percebi depois que só o Filho encarnou, o que mostra
claramente a realidade desta distinção. Estas Pessoas conhecem-Se, amam-Se e
comunicam entre Si. Mas, se as três Pessoas são distintas, como dizemos que
têm, todas três, uma mesma essência? Com efeito, é nisso que acreditamos;
trata-se de uma verdade absoluta, pela qual estaria disposta a sofrer mil vezes
a morte. Estas três Pessoas têm um único querer, um só poder, uma única
soberania, de tal maneira que nenhuma delas pode coisa alguma sem as outras, e
que há um só Criador de tudo quanto foi criado. Poderia o Filho criar uma
formiga que fosse sem o Pai? Não, porque eles têm um mesmo poder. E o mesmo
acontece com o Espírito Santo.
Assim, há um só Deus
todo-poderoso, e as três Pessoas constituem uma só Majestade. Poderá alguém
amar o Pai sem amar o Filho e o Espírito Santo? Não, mas aquele que se torna
agradável a uma destas três Pessoas torna-se agradável às três, e aquele que
ofende uma delas ofende as outras duas. Poderá o Pai existir sem o Filho e sem
o Espírito Santo? Não, porque têm uma mesma essência, e onde se encontra uma
Pessoa encontram-se as outras duas, porque não podem separar-se.
Como é então que vemos três
Pessoas distintas? Como é que o Filho encarnou, sem que o Pai e o Espírito
Santo tenham encarnado? Eu não o compreendo; os teólogos sabem explicá-lo. O
que eu sei é que as três Pessoas concorreram para esta obra maravilhosa. De
resto, não me detenho durante muito tempo em questões deste género; o meu
espírito passa imediatamente à verdade de que Deus é todo-poderoso e de que,
tendo-o querido, pôde fazê-lo, e poderia, da mesma maneira, fazer tudo o que
quisesse. Quanto menos compreendo estas coisas, mais acredito nelas, e mais
devoção delas retiro. Bendito seja Deus para sempre! Ámen.
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Claro... quanto mais nos interessamos
por perceber, mais amamos. O Amor por Deus nunca é demais, e quanto maior for,
mais o espalhamos pelos homens, pois é completamente impossível amar a Deus que
se não vê e não amar os homens que connosco convivem!
Mas... Deus não se vê... mas sente-se,
no mais fundo de nós mesmos, ali, onde gosta de estar para nos fazer ser o que
Ele quer que sejamos.
Que sempre seja louvado!
Hermínia Nadais

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