A loucura de ler, reler e voltar a ler, dá muito jeito a quem quer mudar a
sua maneira de estar e de ser. Somos diferentes por natureza, mas há muitas
formas de melhorarmos as nossas atitudes de todos os dias. Tocou-me por demais
este texto de Santo Agostinho que recebi através de ‘Evangelizo’.
Tocou-me pelo ontem que já passou... e também pelo agora!
Eu já fui assim... “uma pessoa muito boa porque ia à Igreja, recebia os
sacramentos... e criticava quem lá não ia!”
Agora... vou à igreja mais vezes do que ia naquele tempo, mais convicta do
que então... e não sou ‘santinha’ nem critico quem lá não vai! Muito pelo contrário,
ao avaliar o que faço penso sempre que poderia fazer melhor, porque a Palavra e
Vida que Deus me vai transmitindo e vou assimilando aos pouquinhos é uma enorme
graça.
«»
Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
«A fé e as obras», caps. 3-5
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
«A fé e as obras», caps. 3-5
Nosso Senhor foi um modelo
incomparável de paciência: aguentou um «demónio» entre os seus discípulos até à
sua Paixão (Jo 6,70), e dizia: «Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa,
para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo
tempo» (cf Mt 13,29). Tendo a rede como símbolo da Igreja, predisse que esta
traria para a praia, quer dizer, até ao fim do mundo, toda a espécie de peixes,
bons e maus. E deu a conhecer de muitas outras maneiras, tanto abertamente como
através de parábolas, que haveria sempre essa mistura de bons e maus. E, no
entanto, afirmou que é necessário vigiar pela disciplina na Igreja quando
disse: «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te der
ouvidos, terás ganhado o teu irmão» (Mt 18,15) […]
Hoje, porém, vemos pessoas que só
tomam em consideração os preceitos mais rigorosos, que mandam reprimir os que
causam perturbação, que ordenam que «não se deem aos cães as coisas santas»,
que se «tratem como aos publicanos» aqueles que desprezam a Igreja, que se
repudiem do seu corpo os membros escandalosos (Mt 7,6; 18,17; 5,30). O seu zelo
intempestivo causa muita tribulação à Igreja, porque desejariam arrancar o joio
antes do tempo; e a sua cegueira faz deles inimigos da unidade de Jesus Cristo.
[…]
Tomemos cuidado para não
deixarmos entrar no nosso coração estes pensamentos presunçosos, para não
procurarmos destacar-nos dos pecadores com receio de que o contacto com eles
nos manche, para não tentarmos formar como que um rebanho de discípulos puros e
santos. Sob o pretexto de não frequentarmos os maus, conseguiríamos apenas
romper a unidade. Pelo contrário, recordemo-nos das parábolas da Escritura,
dessas palavras inspiradas, desses exemplos tocantes, onde se nos demonstra que
os maus estarão sempre misturados com os bons na Igreja, até ao fim do mundo e
até ao dia do juízo, sem que a sua participação nos sacramentos seja
prejudicial aos bons, desde que estes não participem dos pecados daqueles.
«»
Este texto é uma maravilha das maravilhas!
Se cada pessoa é responsável por si mesma... não pode ter a ver com o
comportamento dos outros para os criticar ou fugir deles por se julgar melhor
pessoa, mas pode, se mais não for, rezar por eles.
Somos seres sociais por excelência, e como tal, nunca seremos capazes de
crescer sozinhos, mas uns com os outros, caminhando de mãos dadas partilhando
saberes e vida!
A nós, humanos, que caminhamos todos rumo à eternidade, não nos compete
julgar, nem colocar-nos onde não devemos, num ‘pedestal’ só porque cumprimos
preceitos... porque quem nos conhece melhor do que nós mesmos é Deus, Ele, sim,
conhece o interior de todos, os esforços feitos, as dádivas recebidas e o que
vamos fazendo com elas... enfim!
Não sei mais que diga... além de pedir, encarecidamente, que nos olhemos a
nós mesmos e aos outros também se for para ajudar, mas para criticar, nunca! Não
é exemplo que Jesus Cristo nos tenha dado.
Bom fim de semana!
Hermínia Nadais

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