Claro que não era água que Jesus pedia à Samaritana, mas
mudança de atitudes, uma vida diferente mais cheia de Graça de Deus, de
verdadeiro Amor!
Sempre gostei muito desta passagem bíblica, e cada vez
gosto mais!
Para mim, a Samaritana é a figura da Igreja, é a minha
figura, é a figura de cada um ou uma de nós que muitas vezes andamos dispersos
sem assentar muito bem os pés no chão para nos dedicarmos mais profundamente
Àquele que é o Tronco da Videira e nos assemelharmos a Ele nas atitudes da vida!
A água de que Jesus falava à Samaritana era da vida da
Graça, da Vida em Deus e com Deus, a água que mata a nossa sede de felicidade
que se completará na eternidade quando formos retirados deste mundo, onde
sempre andaremos sedentos de Deus, pois por muito próximos que estejamos d’Ele
as nossas fragilidades, basta-nos um pouquinho de indecisão na fé que nos
retiram logo a segurança!
Deus nunca nos desampara! Jesus é o Amigo inseparável que
sempre caminhará connosco, ou de mãos dadas e abraçadas, ou tentando
encaminhar-nos para o lado certo se andarmos errados e não quisermos saber d’Ele
como convém!
O texto que acompanhava as Leituras Bíblicas de hoje fala
do poço de Jacob,
Mas mais de Jacob do que da Samaritana! É elucidativo! Fala
do casamento de Jacob com Raquel figurando a união de Cristo com a Igreja, fala
da água de uma forma muito profunda, dá que pensar, ler, reler e voltar a ler…
e mesmo assim ainda não o compreender profundamente. Falo por mim!
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São Tiago de Sarug (c. 449-521)
monge e bispo sírio
Homilia sobre Nosso Senhor e Jacob, sobre a Igreja e Raquel
monge e bispo sírio
Homilia sobre Nosso Senhor e Jacob, sobre a Igreja e Raquel
A vista da beleza de Raquel
fortaleceu Jacob, que assim conseguiu levantar a enorme pedra de cima do poço e
dar de beber ao seu rebanho (Gn 29,10). [...] Raquel, com quem se casou, era um
símbolo da Igreja. Por isso, ao beijá-la, teve de chorar e de sofrer (v. 11),
prefigurando deste modo, pelo seu casamento, os sofrimentos do Filho. [...]
Quão mais belas são as núpcias do Esposo real do que as dos seus embaixadores!
Jacob chorou por Raquel, ao desposá-la; Nosso Senhor cobriu a Igreja com o seu
sangue, ao salvá-la. As lágrimas são o símbolo do sangue, porque não é sem dor
que elas jorram dos olhos. O choro do justo Jacob é o símbolo do grande
sofrimento do Filho, pelo qual a Igreja das nações foi salva.
Vem, contempla o nosso Mestre:
Ele veio ao mundo, aniquilou-Se para fazer o seu caminho na humildade (Fil
2,7). [...] Vendo as nações como rebanhos sedentos e a fonte da vida fechada
pelo pecado, como que por uma pedra, [...] derrubou o pecado, que era pesado
como uma rocha. Ele abriu o batistério à Esposa [...] e foi aí buscar água para
dar de beber às nações da Terra, como aos seus rebanhos. Com a sua
omnipotência, levantou o pesado fardo dos pecados e pôs a descoberto a fonte de
água doce. [...]
Sim, pela Igreja, Nosso Senhor
deu-Se a grandes trabalhos. Por amor, o Filho de Deus vendeu os seus
sofrimentos para poder desposar, à custa das suas chagas, a Igreja abandonada.
Por ela, que adorava os ídolos, sofreu na cruz. Por ela quis entregar-Se, para
que ela fosse completamente imaculada (Ef 5,25-27). Conduziu às pastagens todo
o rebanho dos homens, com o grande cajado da cruz, e não rejeitou o sofrimento;
aceitou conduzir raças, nações, tribos, multidões e povos, para poder reaver a
Igreja, sua única Esposa (Cant 6,9).
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Quanto mais vezes olho o texto e cada vez mais
atentamente, melhor o compreendo e reconheço o imenso amor de Jesus por toda a
Humanidade, e o quanto sou fraquinha e pequenina neste imenso mundo que tanto
necessita das bênçãos de Deus!
Que o CoronaVirús desapareça depressa, e que toda a
baralhada em que está a meter o mundo sirva para haver mais compreensão,
humildade, aceitação e ajuda mútua, mais fraternidade e paz!
Senhor, Tu que aproveitas o mal para o transformar em bem,
olha para o sofrimento do mundo que tão amorosamente criaste, e dá-lhe mais Fé,
Esperança, Paz e Amor!
Hermínia Nadais

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