Quando falamos neste tipo de morte ‘caríssima’, estamos a
referir-nos à morte dolorosíssima de Jesus naquela tremenda e pesada Cruz que
carregou com todas as nossas iniquidades e aqueles procedimentos errados a que
chamamos pecados.
Mas… há outro tipo de morte… que também é caríssima… para
quem a pratica! E não há ninguém que a não pratique, ainda que seja um pequeno
pouco, um pequeno nada!
A palavra ‘morte’ aplica-se a tudo aquilo que acaba,
deixa de existir visivelmente entre nós! Mas esquecemos que essa mesma palavra
pode ser aplicada a nós mesmos, vivos, a fim de nos tornarmos cada vez mais
vivos, capazes, humanos ao jeito de Jesus Cristo!
Estamos em plena Quaresma 2020, até porque o ano é
especial, a Quaresma também tem de ser especial. E para isso, vamos chamar para
nós essa ‘morte caríssima’! Claro que não estamos a falar de morte física como
foi aquela horrenda de Jesus e de tantos mártires que deram a vida por Ele, e
da morte dos nossos entes queridos que tanto nos magoa e enche de saudade, estamos
a falar daquela morte de defeitos que temos, de erros que praticamos, de
coisinhas pequeninas de que nem sequer damos conta mas não são bem o que Jesus
quer de nós! Este tipo de morte tem de ser ’CARÍSSIMA’ para todos nós, é a
única forma de nos tornarmos cada vez mais pessoas concretas, certinhas,
humanas e cristãs, como Jesus sonhou para nós! E tenho a certeza que só dando
todo o valor a este tipo de morte ou conversão, como quisermos chamar,
poderemos dizer como…
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Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301)
monja beneditina
Exercícios VII, SC 127
monja beneditina
Exercícios VII, SC 127
Ó morte caríssima, tu és a minha
feliz herança. Que em ti a minha alma encontre um ninho, que as tuas correntes
me envolvam por completo. Ó morte, vida eterna, que eu espere sempre as tuas
asas. Ó morte salutar, que a minha alma encontre a sua morada salutar nos teus
bens excelentes. Ó morte preciosa, tu és a minha maior riqueza. Absorve em ti
toda a minha vida, engole em ti a minha própria morte.
Ó morte que trazes a vida,
pudesse eu fundir-me sob as tuas asas. Ó morte de onde provém a vida, faz que
uma doce chispa da tua ação vivificante arda em mim para sempre. Ó morte
cordialmente amada, tu és de meu coração a confiança espiritual. Ó morte
amante, em ti estão contidos todos os meus bens; toma-me, eu te peço, sob a tua
proteção benévola, a fim de que, à minha morte, eu repouse docemente à tua
sombra.
Ó morte misericordiosa, tu és a
minha vida feliz. Tu és a minha melhor herança. Tu és a minha redenção
sobreabundante. Tu és o meu dom mais precioso. Envolve-me por completo em ti,
oculta em ti toda a minha vida, em ti sujeita a minha morte. Ó morte
cordialmente amada, guarda-me em ti para sempre, na tua caridade paterna, como
aquisição e possessão eternas.
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Não tenhamos ilusões! Para termos uma vida bem feliz,
temos que ter presente este tipo de morte ou conversão, é trabalho que nos vai
acompanhar até à nossa morte física, onde, aí, sim, Jesus fará de nós almas com
felicidade completa!
O texto atrás descrito é de uma pessoa que vivia assim,
numa permanente morte de defeitos e renascimento de qualidades, digo
renascimento porque as qualidades existem em nós, nós é que muitas vezes nem
sequer temos sabedoria para as descobrir nem força para as praticar.
Viva a Santa Quaresma! Que nos traga força capaz para
sermos como necessitamos para que no mundo haja mais paz, fraternidade,
solidariedade, felicidade, AMOR!
Boa tarde!
Hermínia Nadais

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