Desconcertante… ou talvez não!
Talvez… uma boa ocasião para um ótimo exame de consciência, um entrar a sério
no mais profundo de nós mesmos e fazer a nós próprios as mais díspares
perguntas, o que muitas vezes nem lembra, porque muito embora sintamos que
precisamos delas, não descobrimos como as fazer.
Quantas vezes perguntamos o que
mais agradaria ou desagradaria ao Senhor durante o dia… e por mais que se
pense… vão saltando na cabeça inúmeras atitudes que não conseguimos descobrir
ao certo o que seria mais ou menos agradável ao Senhor!
Agora… perante este texto…
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São Francisco de Sales (1567-1622)
bispo de Genebra, doutor da Igreja
«Tratado do amor de Deus», livro XII, cap. VII
bispo de Genebra, doutor da Igreja
«Tratado do amor de Deus», livro XII, cap. VII
A pureza de intenção
Nosso Senhor, segundo dizem os
antigos, tinha o costume de dizer aos seus: «Sede bons negociantes». Quando uma
moeda não é de ouro de lei, ou, não tendo peso, quando não tem a marca do ouro,
rejeitamo-la por não ser aceitável. Uma obra de boa espécie, se não estiver
ornada de caridade, se a intenção não for piedosa, não será recebida entre as
obras boas. Se eu jejuo, mas o faço para poupar, o meu jejum não será de boa
espécie; se for por temperança, mas tiver um pecado mortal na alma, faltará
peso a esta obra, porque é a caridade que dá peso a tudo o que fazemos; se for
apenas por conveniência e para me acomodar aos meus companheiros, esta obra não
traz a marca de uma intenção reta. Se, porém, jejuar por temperança, e estiver
na graça de Deus, e tiver a intenção de agradar a sua Divina Majestade com essa
temperança, a obra será moeda boa, própria para aumentar em mim o tesouro da
caridade.
Fazer excelentemente as ações
pequenas é fazê-las com grande pureza de intenção e uma grande vontade de
agradar a Deus; essas obras santificam-nos enormemente. Há pessoas que comem
muito e estão sempre magras e extenuadas, porque não têm boa capacidade
digestiva; e há outras que comem pouco, mas estão fortes e vigorosas, porque
têm um estômago saudável. Da mesma maneira, há almas que fazem muitas obras
boas e crescem muito pouco na caridade, porque as fazem com frieza ou com
preguiça, ou mais pelo instinto e a inclinação da natureza do que por
inspiração divina ou por fervor celeste; pelo contrário, há quem faça muito
pouca coisa, mas com uma vontade e uma intenção tão santas que faz um progresso
extremo no amor: estas almas têm poucos talentos, mas gerem-nos com tal
fidelidade que o Senhor as recompensa grandemente.
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… temos matéria a ter em conta!
Quem sabe, se será uma boa ocasião para tomar novas atitudes… e questionar-nos:
como andará o meu Amor a Deus e aos irmãos? Porque farei esta ou aquela ação…
por verdadeiro Amor ao Pai… ou porque sou assim mesmo, faz parte de mim? E se
faz parte de mim, porquê? Porque lutei para ser assim, ou já nasci assim?
Se a vida é uma luta… teremos de
lutar para sermos melhores pessoas, todos os segundos de todos os dias! Será
que é isso que tenho feito, ou tentado fazer?
Que atenção vou dando à Palavra de
Deus, às intuições que me vai concedendo, às pessoas que comigo convivem no
decorrer dos dias?
Para onde tenho voltado o meu pobre
coração? Será que está, de facto, recheado de Caridade?
Vou parar por aqui, se não, as
questões não acabam mais!...
Que o Senhor nos ajude a todos, é
quanto do fundo do coração mais desejo! Tudo de bom para todos!
Hermínia Nadais

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