Faz
tanto tempo que leio este Evangelho Mt 9, 18-26, quase o sei de cor. De cada
vez me diz coisas diferentes, mais apropriadas ao que procuro. Desta vez… foi
espetacular, não só a leitura evangélica como a explicação que se lhe segue…
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Beato Charles de Foucauld (1858-1916)
eremita e missionário no Saara
Retiro feito em Nazaré 1897
eremita e missionário no Saara
Retiro feito em Nazaré 1897
«A tua fé te salvou»
A fé é o que faz com que
acreditemos do fundo da alma [...] em todas as verdades que a religião nos
ensina: no conteúdo da Sagrada Escritura e em todos os ensinamentos do
Evangelho, enfim, em tudo o que nos é proposto pela Igreja. O justo vive
realmente desta fé (Rom 1,17) porque, para ele, a fé substitui a maior parte
dos sentidos. Ela transforma todas as coisas, de modo que os sentidos antigos
já pouco podem servir à alma: por eles, a alma apenas percebe aparências
enganadoras, enquanto a fé lhe mostra a realidade.
O olho mostra-lhe um homem pobre;
a fé mostra-lhe Jesus (cf Mt 25,40). O ouvido fá-lo ouvir injúrias e
perseguições; a fé canta-lhe: «Alegrai-vos e rejubilai de alegria» (cf Mt
5,12). O tato faz-nos sentir o apedrejamento recebido; a fé diz-nos: «Sentiram
grande alegria por terem sido considerados dignos de sofrer alguma coisa pelo
nome de Cristo» (cf At 5,41). O olfato faz-nos sentir o incenso; a fé diz-nos
que o verdadeiro incenso «são as orações dos santos» (Ap 8,4).
Os sentidos seduzem-nos pela
beleza criada; a fé pensa na beleza incriada e compadece-se de todas as
criaturas, que são um nada e uma poeira ao lado dessa beleza. Os sentidos têm
horror à dor; a fé bendi-la como a coroa do matrimónio que a une ao seu
Bem-amado, a caminhada com o Esposo, a mão na sua mão divina. Os sentidos
revoltam-se contra a injúria; a fé abençoa-a -- «Abençoai os que vos maldizem»
(Lc 6,28) -- [...], achando-a doce, porque significa partilhar o destino de
Jesus. [...] Os sentidos são curiosos; a fé nada quer conhecer: anseia por ser
sepultada e quereria passar toda a sua vida imóvel ao pé do tabernáculo.
«»
Desde
que a sua vida me surgiu, sempre gostei muito do Beato Charles de Foucauld, e tenho
que continuar a gostar cada vez mais.
De
facto, este homem, simples, tem expressões maravilhosas e tocantes, que nos
levam à imitação, o que é muito benéfico para o nosso crescimento como pessoa
total!
Espero
que vos agrade também!
Boa
semana!
Hermínia
Nadais

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