Os milagres que sempre procurei nunca os vi! Agora, reconheço-os todos!
O
primeiro milagre que me apareceu fui eu mesma! Sou um milagre tão grande que,
com oitenta anos, cada vez me reconheço menos!
De
seguida, os meus pais, que pensava conhecer, mas nunca conheci capazmente!
Depois, as minhas avós! Tão diferentes… e tão iguais, meigas, cuidadosas,
presentes! Irmãs, irmão, primos, primas, vizinhos, vizinhas, marido, sogros,
cunhados, cunhada, sobrinhos, sobrinhas, filhos, netos, neta! Todos são, para
mim, enormes e inúmeros milagres!
Inúmeros
milagres… digo eu… agora! Porque… eu não via as pessoas como milagres! Eu…
procurava milagres… enquanto os milagres se cruzavam comigo em todos os
segundos dos dias!
Futuramente...
não procuro mais milagres! Para mim todas as coisas, plantas, animais, peixes,
passarinhos, aranhões… em que eu não consigo vislumbrar nada do que poderá
estar no seu interior nem do que poderão, de momento, fazer… para mim são
milagres!
Podemos
pensar que sabemos muito, mas não conseguimos saber nada de nada nem de
ninguém! Tudo para nós… nós mesmos e tudo quanto nos rodeia… é milagre! São…
milagres!
Aprendamos
s viver bem com eles!
Hermínia
Nadais

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