Num certo dia, ao encostar-se à janela
entreaberta, observou a copa gigantesca da árvore que ficava defronte e reparou
que havia nela muitas outras aves... com muitos outros cantos, todos belos... e
todos diferentes...
A partir de então, sempre que a azáfama
da terra o permitia, encostava-se ao peitoril da janela e encantava-se com toda
aquela graciosa sinfonia.
A dada altura, ao concentrar-se no
rodopio das aves saltitando de ramo em ramo, cada vez mais próximas e a trocar
entre elas tantos gorjeios e mimos... conseguiu entrar mais dentro de si mesmo
e pensar que o mundo, para ele, poderia muito bem ser considerado como a copa
daquela árvore para aqueles passarinhos... que cada dia que passava ficavam
mais irrequietos, mas mais amigos.
Então, decidiu seguir o exemplo do
pequeno rouxinol que, em tão pouco tempo, conseguiu reunir à sua volta tantas
aves amigas!
Sem mais demoras, iniciou o encontro
frequente com os homens que o rodeavam para a conquista da sua amizade... tal
como aquelas aves que se iam conquistando umas às outras... cada qual com o seu
jeito de ser, de estar e de cantar!
Grande ideia… e grande determinação a
daquele Homem!...
E nós? Que fazemos para encher de melodias… as
pessoas que circundam o nosso metro quadrado? Solidão... não! Companhia… sim!
E… para procurarmos «companhia» e sermos
«companhia» talvez tenhamos de aprender, interiorizar, determinar-nos a sermos…
mais humildes!...
É difícil, mas não impossível! E ficará bem mais fácil
se não nos julgarmos superiores aos outros ainda que consigamos fazer coisas
que eles não conseguem, pois, as nossas qualidades são Dons de Deus para pormos
ao Seu serviço na ajuda a prestar às pessoas que estão mais próximas de nós!
E as que estão mais longe… rezemos por elas!
Hermínia Nadais


