Recordar o passado, muitas vezes, ajuda a melhorar o presente! É o que estou a pretender fazer!
Ser ponte é muito difícil, e mais ainda quando
todas as suas estruturas estão aparentemente agradáveis e com aspeto seguro,
mas a esconder, muitas vezes, falhas interiores difíceis de detetar.
E isto porque “razão cada um tem a
sua”, e por coerência, reage pela sua própria razão. Contudo, é urgente ouvir e
prestar atenção à razão dos outros, para não cairmos em erros sem remissão.
Precisamos de interiorizar bem tudo
o que vemos e ouvimos para compreendermos, sem criticar.
A convicção de que temos a
totalidade da razão leva a que se nos torne inadmissível e inaceitável admitir
a razão dos outros, e a pensá-los maus quando, na realidade, há situações em
que a maldade não existe, mas sim, ignorância extrema, o que é muito diferente.
A ignorância gera incoerência de
atitudes na busca da verdade, e a desconfiança no outro, surge, assente na
desconfiança que cada um tem de si mesmo e das suas atuações. Temos de
interiorizar muito bem o que somos, o que temos, tudo o que fazemos e podemos
melhorar na nossa forma de ser e estar!
Já faz uns bons aninhos que fui
chamada a estar presente numas medições que diziam necessárias para as
partilhas da herança de uns tios sem descendentes. Larguei tudo e fui.
Na atualidade, eu tinha graves problemas
nas pernas, varizes bravas, que não me deixavam andar à vontade pelos montes
por temer alguma ferida que, segundo os médicos, não curava mais!
O cabeça de casal, de cada vez que
se falava em partir os haveres, arranjava uma nova forma de ter de ir até aos montes…
pelo que tive de me afastar dessa tarefa!
Então, foi combinado juntar os
interessados e apresentar os preços dados aos terrenos em causa, para que todos
os vissem e compreendessem os quês e porquês! Mas, pouco tempo depois,
apareceram folhas determinadas para cada um sem que os preços tivessem sido
acertados e aceites por todos, o que foi o início de uma grande confusão e da
maior desconfiança que se possa imaginar.
Perante a minha reconhecida incapacidade
de resolver o problema, pedi ao meu irmão, o único filho homem de meus pais,
que tomasse conta do caso.
Falamos a um advogado para
desempenhar minimamente o nosso trabalho, o que de muito nos valeu, pois se não
fosse ele… penso que ainda hoje estava tudo parado. Os esforços dele e do meu
irmão, tal como os meus… acabaram por ver feitas as partilhas sem problemas de
maior, pois tudo foi feito e aceite amigavelmente.
Ainda bem! Que sempre assim seja,
connosco e com toda a gente!
Ser ponte… é difícil mesmo! Temos
de ter capacidade de encontrar formas de resolver os problemas sem nos
magoarmos e sem magoar ninguém!
Desculpem o desabafo! Mas… quem
sabe… se poderá ajudar alguém!...




