E quando há imprevistos, que fazer? Nada!
A
conversa com amizades… traz-nos acontecimentos incríveis, inimagináveis por
completo!
É
impensável o que consegui saber na conversa com a Quitéria, acerca do seu
primeiro dia de praia!
Como não
ia no carro próprio, resolveu preparar-se em casa para andar à vontade! Isto de ter de vestir e despir o fato de
banho sem se saber onde… ia dar-lhe muita chatice. E… então… vestiu-o em casa!
Não se
sabe porquê… sentia algo a dizer-lhe que levasse também vestidas as cuecas!
Ideia
estranha! Mas… como se lhe repetiu inúmeras vezes, embora pensasse o contrário,
acabou por obedecer à intuição… e lá foi com as cuecas, escondidinhas, dentro
do fatinho de banho!
A viagem,
o encontro com amigas, o andar pela beira-mar de pés na água salgada… correu
tudo muito bem!
A dada
altura, uma onda desajeitada levou-lhe a água até à cabeça. Ficou toda molhada!
Uma algazarra… pois como não sabia nadar… foi uma boa forma de se ver banhada
na bendita água do mar.
Mas… as
peripécias não se ficaram por aí! Andava sempre com as mãos no fatinho para que
as cuecas não fossem vistas… pois era uma autêntica vergonha, claro!
A dada
altura… precisou de se encaminhar para a Casa de Banho! E… qual não foi o seu
espanto quando… ao chegar ao WC… a barriga não aguentou e lançou para fora um
montão de lixo… na dita cueca!
Lixo… que
teve de ser metido na sanita… e a pobre da cueca ainda teve de servir para a
lavagem do dito cujo que a sujou, pois não havia papel higiénico nem nada que
se comparasse para puder ajudar a resolver o problema!
Afinal, a
intuição de levar a cueca vestida livrou a Quitéria de uma grande
vergonha!... Vergonha… que nem é para
imaginar! Enfim!
Voltou
para a praia, deslumbrada com o acontecimento! Pegou o telefone para calcular
bem o tempo que podia gastar entre a areia e a água, e foi com a irmã Lucrécia
dar mais uma volta pela aguazinha salgada!
Não sabe
como… mas uma onda bem forte deixou-a esparramada nas areias movediças! Ficou
molhada da cabeça aos pés! Até o telemóvel gritava com medo de ficar ferido com
a água salgada em que se via metido.
A
Lucrécia, aflita, levantou-a com rapidez! A Quitéria… ria até mais não!...
Afinal,
para se banhar na água do mar… não foi preciso nadar… pois a inteligência das
ondas resolveu-lhe a tremenda e angustiosa situação de não se poder molhar,
como tanto queria, nas benditas águas salgadas!
Acontece
cada coisa… que não dá para compreender! E ainda há quem diga que não há
Deus!... Ai há… há! E nunca nos deixa sós! Se deixasse… o que teria acontecido
à pobre da Quitéria???
Hermínia
Nadais


