Enquanto o Sol desaparecia por detrás do mar e a sua ténue luz deixava tecido nas águas um brilho ondulado onde o prateado cada vez mais cinzento ia escurecendo por completo toda a superfície marinha, mais descontraídas pela densa escuridão, as ondas, ritmadas, beijavam levemente a areia, agora liberta dos olhares curiosos dos Humanos e sedenta de carinhos mais suaves e secretos.
Durante longo tempo, do rendilhado
espesso que deambulava no horizonte, sobressaía uma mancha de azul-celeste, o
azul deslumbrante do firmamento, o último a deixar de ser iluminado pelo Sol e
que, quando não coberto pelas nuvens, nos inebria com o brilho suave e doce das
estrelas.
Enquanto, lentamente, anoitecia, as
luzes que ladeavam a costa tornavam-se mais pasmosas no seu tom amarelo e pleno
de ternura… e os “jovens” de todas as idades aproveitavam para fazer as suas
caminhadas, aconchegados pelo ruído dos motores que acionavam os poucos
veículos que, vagarosamente, iam circulando pela rua.
Não é possível perderem-se, no
tempo, estas noites saciadas de delícias que nos ofertaram tantos momentos
inesquecíveis!...
Pouco… ou nada mais… será mais belo do que viver o cair da tarde e início da noite, sorvendo, assim, as delícias encantadoras do mar e de todo o seu ambiente circundante… na Praia da Torreira… onde tantas noites, que o tempo levou, foram passadas, ali, na pequena e amorosa autocaravana, contigo, amor da minha vida, que, se ainda estivesses connosco, hoje, farias 77 anos!
Que estejas em Boa Paz junto do Senhor!
Hermínia
Nadais













