terça-feira, 3 de novembro de 2026

NAS CELEBRAÇÕES DE TODOS OS SANTOS E FIÉIS DEFUNTOS!...

 

Ao longo do tempo foram sendo desenvolvidos muitos costumes populares ligados às festas de 1 e 2 de novembro, conforme as necessidades das populações.

Diz-se que, no primeiro aniversário do devastador terramoto de 1755, em Lisboa e arredores, a população faminta, para sobreviver, pedia «pão-por-Deus».  Noutras regiões do país, pedia-se “Bolinhos e Bolinhós”, do “Santoro”, dos “Fiéis de Deus”. E o magusto das castanhas assadas, também se realizava nestes dias!

Havia crianças que se juntavam, com sacos de pano, para pedir bolos, broas, frutos secos… As ofertas feitas às crianças e pobres eram oferecidas pelas almas dos familiares e amigos, já falecidos.

Todos estes hábitos estavam assentes num fundo religioso e cristão.

Recordo com muita saudade a minha mãe deitar pratos e talheres a mais na mesa, que não levantava nem limpava as migalhas durante a noite de 1 para 2 de novembro, como forma de partilhar a refeição com os falecidos!...

Agora, uma das rimas e cantigas que encontrei e quero partilhar:

«Bolinhos e bolinhós, | Para mim e para vós, | Para dar aos finados | Que estão mortos e enterrados | À porta da bela cruz, | Ámen, Jesus! »

Isto… antes de aparecer o “Halloween”  a que não devemos seguir, pois é mau por demais! Continuemos com os nossos belos costumes populares cheios de valores humanos e evangélicos!

Hermínia Nadais


segunda-feira, 2 de novembro de 2026

DIA DOS FIÉIS DEFUNTOS

 

Na sequência da Celebração de Todos os Santos… no dia 2 de novembro são lembrados e fazem-se muitas orações pelos Fiéis Defuntos, o que, ao longo do tempo, começou a ser celebrado em datas diferentes, mas sempre com muito cuidado, carinho, ternura!

Compreende-se que estas duas celebrações estejam juntas, seguidas, e a que devemos dar a maior atenção de celebrar os Santos que já estão na presença de Deus, na Casa do Pai, e os Fiéis Defuntos que ainda necessitam de purificação para lá poderem entrar!

Em todas as Missas ou Eucaristias há uma invocação pelas almas dos falecidos, marcados com o sinal da fé e que agora dormem o sono da paz!

Os Santos, na glória de Deus, já não precisam das nossas orações, muito pelo contrário, oram por nós, intercedem por nós; os Fiéis Defuntos, que partem deste mundo sem terem alcançado a perfeição, precisam de sufrágios, de orações e sacrifícios poderem entrar no que chamamos Céu, e ali se associarem ao coro dos Santos.

Entre alguns monges que são pessoas consagradas, tornou-se um hábito, na noite do Dia de Todos os Santos, logo após o ofício de Vésperas, cantarem o de Defuntos. No século XV, foi concedido a alguns sacerdotes o privilégio de celebrar 3 missas em 2 de novembro, o que o Papa Bento XV universalizou, disse que se procedesse assim em toda a Igreja.

Atualmente, estas duas comemorações são consideradas tão importantes que têm prioridade sobre os domingos, ou seja, quando se celebram no domingo, substituem as Leituras e Orações próprias da Eucaristia Dominical.

No oitavário de um a oito de novembro, diariamente, os católicos podem obter Indulgência Plenária a favor de Almas do Purgatório, de Fiéis Defuntos!

Para isso, em cada dia, devem visitar um cemitério e rezar por a alma de um falecido, participar na Eucaristia e receber a Sagrada Comunhão, rezar pelo Santo Padre, normalmente um Pai-nosso e uma Avé-Maria, ter cuidado e desejo de abandonar todo e qualquer pecado! Deve fazer Confissão Sacramental… mas há dificuldade em o conseguir!…

Que o Senhor nos ajude a saber como proceder para ajudarmos as nossas muito queridas Almas do Purgatório ou Fiéis Defuntos!

Hermínia Nadais


domingo, 1 de novembro de 2026

UM DE NOVEMBRO - DIA DE TODOS OS SANTOS

 

Segundo um elogio que, num sermão, Santo Efrém, o Sírio, fez aos inúmeros mártires vítimas de perseguições massivas aos cristãos provocadas pelo imperador Diocleciano, o culto a Todos os Santos teve início no Século IV!

Nos finais desse Século e início do Século V, São João Crisóstomo, presbítero em Antioquia e patriarca de Constantinopla, também, falou num sermão "Sobre todos os Santos que sofreram o martírio em todo o mundo!"

Ao tempo, os mártires eram tantos que ultrapassavam os dias do ano, pelo que decidiram celebrá-los todos num só dia, que, conforme as caraterísticas das várias Igrejas, ainda hoje é celebrado, mas em datas diferentes!

No dia 13 de maio de 610, o papa Bonifácio IV transformou o antigo Panteão de Roma numa Igreja dedicada à santíssima Virgem e a todos os mártires, dedicação que se celebra todos os anos.

Na mesma linha de pensamento, diz-se que o Papa Gregório III no dia 1 de novembro de 731, terá dedicado uma capela, na basílica de São Pedro «ao Salvador, à Virgem Maria, aos santos Apóstolos, aos santos mártires e confessores, e a todos os justos que chegaram à perfeição e descansam em paz em todo o mundo», assim como reunido um sínodo para condenar os iconoclastas, ou seja, os destruidores de imagens que o Imperador Leão III incentivava, afirmando que era uma idolatria.

Então, na Europa Ocidental onde a nossa Igreja está inserida, em 835, Um de Novembro tornou-se um dia Santo de Guarda, tal como um Domingo, em que se faz a celebração de Todos os Santos, mesmo os não canonizados, celebração que se universalizou e continua atual na nossa vida de todos os dias!

A importância deste dia era tamanha que, durante algum tempo, havia a prática do jejum preparatório e vigília de oração no dia 31 de outubro, do que deriva o aparecimento do ‘Halloween’, marca do fim da colheita e chegada do inverno, período em que se acreditava que a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos ficava mais delicada! Com a evolução cultural, devido à associação da data a elementos do folclore, ocultismo e antigas tradições pagãs, começou a ser conhecido como Dia das Bruxas. 

Não compreendo porquê, mas também não me interessa compreender! Seja ‘Halloween’ ou ‘Dia das Bruxas’ não me diz nada, mas, sim, O Dia de Todos os Santos… em que sonho estar a celebrar os meus ente-queridos que já partiram para a Eternidade… e que desejo estejam muito felizes junto do Senhor, na Casa do Pai!

Hermínia Nadais