terça-feira, 8 de abril de 2014

DA MINHA CASA PARA A TUA!...



De olhos cansados postos no horizonte fixo-me na Tua pequena casa por entre a folhagem do limoeiro. O céu está azul claro marejado de traços que os aviões vão deixando na ligação entre as mais díspares partes do Teu/nosso mundo.

As folhas da bananeira balançam levemente, assim como leves são os ruídos dos veículos que vão andando pelas vias.

A TV entoa cânticos ao Teu nome. O casal vizinho, brandamente, vai conversando a vida. No meio dos desatinos, quando a tortura bate à porta, é muito bom parar para sentir os desafios do tempo no desenrolar constante dos dias e ficar um pouco, assim, entregue ao nada que sou no oceano imenso da Tua grandeza.

Obrigado, Senhor!


domingo, 6 de abril de 2014

PARTILHAS, DO PÃO E DO AMOR!



Fala-se muito em partilhar, em repartir com os outros o que temos e que eles necessitam, em dar esmolas a quem precisa. Mas há coisas em que não pensamos e têm a maior importância. Quando falamos em esmolas lembramo-nos logo de pão, dinheiro, haveres, tudo o que seja ajuda material, o que é deveras importante. Mas há um outro tipo de esmola que penso seja mais importante ainda, que é perdoar a quem nos ofende.

Sempre tive alguma dificuldade em perdoar, no imediato, pois a longo prazo vou-me admoestando e até tenho conseguido com certa naturalidade!

Com certa naturalidade, agora... pois faz tempo que eu não era assim, passava a vida a resmungar e a falar das ofensas!

Há uma coisa que sempre fiz, foi rezar pelas pessoas que me chateavam e que eu considerava erradas. E aos poucos vim a descobrir que esse é um grande passo no caminho do perdão! Mas esquecer a ofensa… isso não era para mim! Depois também fui descobrindo que perdoar não é esquecer, mas encarar as coisas com naturalidade, não sentir rancor e aprender a viver fraternalmente e a amar a pessoa que nos ofendeu.

Como ser humano cheio de defeitos, acabei por pensar melhor no meu relacionamento com as pessoas, e comecei a verificar que eu também as ofendia… e o mais das vezes sem querer. E aí senti-me na necessidade de pedir desculpa… e mesmo perdão.

Esta experiência levou-me a compreender melhor as pessoas que ofendem… e a começar a desculpar as ofensas com muito mais facilidade.

Mas… ainda não era o fim, havia mais a descobrir e interiorizar que muitas vezes são as ofensas recebidas que, dado o esforço para o perdão, nos levam a crescer mais como pessoas e como cristãos, e isso foi mudando cada vez mais as minhas atitudes. Há ainda o facto de me interessar cada vez mais por aprofundar o conhecimento das Sagradas Escrituras pelo seu estudo e meditação, os escritos de explicação, as homilias, retiros, e outros eventos, levaram-me a ter cada vez certeza que, como Jesus atualmente não tem corpo como o nosso, vive connosco nas pessoas com quem convivemos que são as Suas mãos, pés, e boca junto de nós, que foi mais um passo em frente! O meditar nas palavras de Jesus quando diz que tudo o que fizermos aos irmãos é como se o façamos a Ele… e ainda o Seu “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” são directrizes que ajudam a ir mudando a cada dia! E quando dei comigo a meditar no Corpo Místico de Cristo do Qual, como batizada, sou parte integrante… como o sou da Igreja que não se compreende sem o infinito AMOR Misericordioso e compassivo de Jesus Cristo para com todos os homens e mulheres, sejam como forem e vivam como viverem… são passos fortes e seguros no caminho da misericórdia e do perdão!

A Reconciliação ou Confissão onde me reconheço infractora ou mal comportada comigo mesma, com as mulheres e homens meus irmãos, e, consequentemente, com Deus que considera como feito a Si tudo o que eu fizer aos outros… à mistura com o sentir a doçura inefável do misericordioso e amoroso perdão que Deus sempre nos oferece com todo o carinho e ternura… como poderei eu… simples e complexa criatura, continuar com a mesquinhez de não querer perdoar a quem me ofende?

Senhor Jesus, que não queres a morte do pecador mas que se converta e viva, Senhor da Vida, que és Caminho e Verdade, ajuda-(me)nos a repartir o pão do corpo mas também o consolo da alma expresso na compreensão e aceitação, no carinho e ternura, no saber ser presente e ouvir, no perdão e no amor fraterno!   

sexta-feira, 4 de abril de 2014

APRENDER… COM AS COISAS SIMPLES DA VIDA!





Hoje… na cozinha, a lavar a loiça… fixei-me nos pratos, que assim sujos, enquanto não limpos, são insuportáveis de ver e não servem mesmo para nada!

E logo, logo, me imaginei sentada numa mesa frente a pratos cheios… cheios… em que  não se podia colocar mais nada, e ao lado, muitas iguarias que eu poderia escolher… mas não podia, porque os pratos estavam mesmo cheios!

Então, olhei estas duas situações, que muito embora a princípio me tenham parecido bem banais, depois me pareceram muito pertinentes para a época quaresmal que vivemos, e pensadas com o coração levaram-me a pensar muito.

Ora se eu for assim como um prato sujo, cheia de maus hábitos, de caprichos, de egoísmos, de arrogância e muitas coisas mais… não poderei ser útil nem a mim nem a ninguém, pois serei insuportável para toda a gente e não prestarei para nada; e se eu for como um prato cheio… cheio de saber e de importância, de auto-suficiência e tudo o mais que se possa imaginar…  como poderei aceitar outros saberes e interiorizar as inúmeras aprendizagens do dia a dia, aprendendo a ser com o que me acontece, sinto, vivo, vejo ou oiço”? E como poderei compreender o que os outros me querem transmitir ou o que será melhor para mim?

Tenho de esvaziar-me de tudo o que é menos bom, se não, não conseguirei mudar, entrar num novo caminho de perfeição como convém!

Que nesta Quaresma, eu e todos nós sejamos capazes de, depois de uma boa limpeza no Sacramento da Reconciliação ou Misericórdia, cada um do seu jeito, possa ter a coragem de dar continuação ou iniciar uma tarefa de boa limpeza interior, desviando-nos dos maus comportamentos e procurando a todo o custo que a prática de boas ações impregnadas de um grande amor fraternal sejam a regra a iluminar a noite da caminhada.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O PERDÃO RENOVA E REVIGORA O CORAÇÃO



Dado a sua suprema importância, decidi partilhar na íntegra no meu espaço a Homilia do Papa Francisco na Celebração Penitencial de sexta-feira, 28 de Março , na Basílica de São Pedro, no Vaticano, retirada de Zenit.

“Caros irmãos e irmãs,

No período da Quaresma, a Igreja, em nome de Deus, renova o apelo à conversão. É um chamado a mudar de vida. Converter-se não é questão de um momento ou de um período do ano, é um empenho para toda a vida. Quem entre nós pode presumir não ser um pecador? Ninguém. Escreve o Apóstolo João: “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se confessamos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados  e nos purificar de toda iniquidade”(1 Jo 1,8-9). É o que acontece também nesta celebração e durante toda a jornada penitencial. A Palavra de Deus que ouvimos nos introduz em dois elementos essenciais da vida cristã.

O primeiro: Revestir-nos do homem novo. O homem novo, “criado segundo Deus” (Ef 4,24), nasce no batismo, momento em que se recebe a própria vida de Deus, que nos torna Seus filhos e nos incorpora a Cristo e Sua Igreja. Essa vida nova permite olhar a realidade com outros olhos, sem nos distrair com as coisas que não são importantes e não duram. Por isso, somos chamados a abandonar os comportamentos pecaminosos e fixar o olhar sobre o essencial. “O homem vale mais por aquilo que é do que por aquilo que tem” (Gaudium et Spes, 35). Eis a diferença entre a vida deformada pelo pecado e a vida iluminada pela graça. Do coração do homem, renovado por Deus, provêm os bons comportamentos: falar sempre com verdade e evitar sempre qualquer mentira; não roubar, mas compartilhar aquilo que possui com os outros, principalmente com quem passa necessidade; não ceder à ira, ao rancor e à vingança, mas ser manso, magnânimo e pronto ao perdão, não ceder à maledicência que corrói a boa fama das pessoas, mas olhar sempre o lado positivo de todos.

O segundo elemento: Permanecer no amor. O amor de Jesus Cristo dura para sempre, não terá jamais fim, porque é a própria vida de Deus. Esse amor vence o pecado e nos dá forças para nos levantarmos e recomeçarmos, porque com o perdão o coração se renova e se revigora. O nosso Pai nunca se cansa de amar, e Seus olhos não se cansam de olhar para a estrada de casa para ver se o filho que se foi e se perdeu está retornando. E esse Pai não se cansa nem mesmo de amar o outro filho que, mesmo permanecendo sempre em casa com ele, todavia,  não é participante de Sua misericórdia, de Sua compaixão. Deus não é somente a origem do amor, mas, em Jesus Cristo, Ele nos chama a imitar o Seu próprio modo de amar: “Como eu vos amei, amai-vos também vós uns aos outros” (Jo 13,34). Na medida em que os cristãos vivem este amor, tornam-se, no mundo, discípulos de credibilidade de Cristo. O amor não pode suportar permanecer fechado em si mesmo. Por sua própria natureza é aberto, difunde-se e é fecundo, gera sempre novo amor.

Caros irmãos e irmãs, após esta celebração, muitos de vós serão missionários para propor aos outros a experiência da reconciliação com Deus. “24 horas para o Senhor” é a iniciativa que tantas dioceses no mundo aderiram. Aos que vocês encontrarem, comuniquem a alegria de receber o perdão do Pai e reencontrar a amizade com Ele. Quem experimenta a Misericórdia Divina é impulsionado a se tornar artífice da misericórdia entre os últimos e mais pobres. Nestes “pequenos irmãos” Jesus nos espera (conf. Mt 25,40). Vamos ao encontro d’Ele e celebremos a Páscoa na alegria de Deus!”



Senhor Jesus! Precisamos de meditar muito nestas palavras! Ajuda-nos, Senhor!