Ter paciência com a ofensa para ter pressa em perdoar.
terça-feira, 12 de março de 2019
E AQUI TEMOS A ‘SANTA PACIÊNCIA’
Aqui temos o valor
incomensurável da virtude da paciência.
Pelo facto, e pelo tanto que me
diz, hoje, ao ler esta senha do dia, não resisti a partilhar!
«»
"SER PACIENTE"
Virtude difícil de adquirir e tão fácil
de perder...
Quando a perdemos faltamos com a
caridade e perdemos a paz. E é uma grande perda, pois nunca a perdemos sozinha,
vai-se com ela a clareza dos fatos e a lucidez da razão.
Se a caridade é a mãe de todas as
virtudes, a paciência é a sustentação de todas elas.
Ter paciência com a ignorância para ter
pressa em ensinar.
Ser paciente no falar para ter pressa em
escutar.
Ter paciência com a ofensa para ter pressa em perdoar.
Ter paciência com a ofensa para ter pressa em perdoar.
Ser paciente em saber perder para ter pressa em saber
viver.
Abraços
Apolonio
«»
Custou-me imenso, mas consegui
ser, na normalidade, minimamente paciente. E quando sinto que estou a perder o
controle em alguma situação, se não de outra forma, interiormente, peço logo
paciência.
Sinto, de fato, que a paciência
é uma arma invencível para vencer e ultrapassar tudo quanto é mau... e uma
bengala inquebrável para nos sustentar na ardente prática do bem, com amor,
determinação, clareza, lucidez, entrega... sei lá que mais!
O meu texto de hoje é pequeno
de tamanho... mas grande de conteúdo!
Boa tarde e continuação de boa
semana... com muita paciência!
HN
domingo, 10 de março de 2019
PALAVRAS DE SABEDORIA!
Quando se fala de Quaresma
afloram-se-nos logo à memória as palavras penitência, oração, jejum. Jejum com
que se inicia logo no seu primeiro dia, Quarta-feira de Cinzas! Jejum e
abstinência, moderação de quantidade e qualidade de alimentos.
A esta parte, muito se tem
dito, mas é um tema difícil de se considerar compreendido como deve ser.
Se pensarmos muito bem nas duas
palavras, abstinência e jejum, elas vão de encontro a um sem número de questões
que nos devemos por a nós mesmos, em todos os momentos da vida!
Jejuar ou abster-se de
alimentos, além de nos fazer recordar as pessoas que passam fome e muitas
outras privações a quem devemos proteger e amparar ainda que só com a oração, tem
de nos levar a outros tipos de abstinência e jejum, não de alimentos, mas de
comportamentos menos razoáveis ou mesmo maus.
Senão... vejamos:
«»
São João Paulo II (1920-2005) papa
Angelus de 10 de março de 1996
Entre as práticas penitenciais
que a Igreja nos propõe, sobretudo neste tempo de Quaresma, encontra-se o
jejum. Ele comporta uma sobriedade especial em relação aos alimentos,
salvaguardando as necessidades do nosso organismo. Trata-se de uma forma tradicional
de penitência, que não perdeu nada do seu significado e que talvez se deva
mesmo redescobrir, especialmente naquelas partes do mundo e naqueles meios
onde, não só o alimento abunda, mas se encontram por vezes doenças devidas à
sobrealimentação.
O jejum penitencial é
evidentemente muito diferente dos regimes alimentares terapêuticos. Mas, à sua
maneira, pode ver-se nele como que uma terapia da alma. Com efeito, praticado
em sinal de conversão, facilita o esforço interior para nos pormos à escuta de
Deus. Jejuar é reafirmar a si mesmo o que Jesus replicou a Satanás que O
tentava após quarenta dias de jejum no deserto: «Não só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4). Hoje, especialmente
nas sociedades de bem-estar, há dificuldade em compreender o sentido desta
palavra evangélica. A sociedade de consumo, em vez de solucionar as nossas
necessidades, cria necessidades sempre novas, gerando mesmo um ativismo
desmesurado. [...] Entre outras significações, o jejum penitencial tem
precisamente por objetivo ajudar-nos a reencontrar a interioridade.
O esforço de moderação nos
alimentos estende-se a outras coisas, estas não necessárias, e traz um grande
auxílio à vida do espírito. Sobriedade, recolhimento e oração caminham lado a lado.
Pode fazer-se uma oportuna aplicação deste princípio no que toca ao uso dos
meios de comunicação de massa. Eles têm uma utilidade indiscutível, mas não
devem tornar-se os «senhores» da nossa vida. Em quantas famílias a televisão
parece substituir, mais do que facilitar, o diálogo entre as pessoas! Um certo
«jejum», também neste domínio, pode ser salutar, quer para consagrar mais tempo
à reflexão e à oração, quer para cultivar as relações humanas.
«»
Palavras de Sabedoria que São
João Paulo II... há 27 anos, nos dizia e que são atualíssimas nos dias de hoje!
O termos cuidado coma
alimentação, é muito bom, e o pensarmos partilhar com quem necessita, também o
é. Mas... de que nos adiantará deixar de comer... se continuarmos errados em
tantas situações?
Então... aproveitemos este
tempo propício, com leituras bíblicas apropriadas, com chamadas de atenção
constantes à nossa conversão ou mudança de atitudes de vida, e esforcemo-nos
por corrigir os nossos defeitos e desenvolver as qualidades... sem a pretensão
de mudar tudo de uma vez, mas uma coisinha hoje... outra daqui a uns dias...
outra mais além!
E olhemo-nos... sim... mas não
só a nós!
Olhemos também quem nos rodeia,
com olhos de ver, cabeça de pensar, e coração de sentir, não para criticar...
mas para podermos ver-nos nas quedas dos outros e podermos corrigir as nossas
quedas... e para observar as suas boas ações e tentar imitá-las!
Não podemos esquecer que somos bênçãos
de Deus uns para os outros! E quando conseguirmos proceder assim, muitas coisas
se hão-de mudar para melhor!
Aproveitemos este tempo de
graça, o mundo necessita!
Santa Quaresma para todos!
HN
quarta-feira, 6 de março de 2019
E É MAIS UM TEMPO FORTE!
Sim! É mais um tempo forte de
mudança, de aperfeiçoamento, de dádiva, de partilha, de entrega, de conversão!
Mas para que assim seja, temos
de abrir o coração à Verdade, ao Caminho, à Vida, no Coração, Palavras e gestos
de Jesus Cristo que os escritores sagrados nos deixaram para meditar, interiorizar,
vivenciar nos segundos dos dias que nos for dado viver neste mundo maravilhoso
onde fomos colocados... para nele peregrinar como Jesus peregrinou, numa entrega
total ao Pai e aos irmãos.
«»
São Pedro Crisólogo (c. 406-450)
bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208
bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208
Meus irmãos, começamos hoje a
grande viagem da Quaresma. Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de
alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos
necessidade. Porque o nosso jejum terá fome, o nosso jejum terá sede se não se
alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia. O nosso jejum
terá frio, o nosso jejum desfalecerá se o velo da esmola não o cobrir, se a
capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para
o jejum como a primavera está para os solos: a suave brisa primaveril faz
florescer os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar as
nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita
celeste. A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro: tal
como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro, e com tão pouco
alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o
jejum resplandecer, emitindo raios até atingir o brilho pleno da continência. A
esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta
o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o
jejum santifica a santidade do mesmo jejum e, graças à luz da bondade, remove
dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade
está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do
corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte
deste.
«»
Ainda se fala muito no jejum quaresmal,
na privação de alimento e determinados tipos de alimentação!
Que temos de ser regrados em
tudo, é um facto, um modo de ser que temos de treinar. Mas... o verdadeiro
jejum quaresmal tem mais a ver com comportamentos do que com comidas e bebidas.
Que interessa privar-nos de alimentos
e não repartir proventos por quem deles necessita... não ser presente a quem
precisa de nós... não ser compreensivo com quem connosco se vai cruzando nos
caminhos da vida?!
Pensemos a sério no que
deveremos fazer para que sejamos melhores pessoas em todos os sentidos!
Para todos, uma boa e santa
Quaresma!
HN
terça-feira, 5 de março de 2019
PALAVRAS INCANSÁVEIS
Há palavras que chamo de
incansáveis, pois por mais que as pronuncie sempre me apetece dizê-las mais
vezes, são todas aquelas que se relacionam com amor: amo, amar, amado, amarei,
amareis, amarás...
É que onde há Amor verdadeiro,
tudo está bem, ainda que entre lágrimas e suspiros.
Quem não gosta de mimo, de
carinho, de acolhimento, de ternura, de meiguice nos gesto e palavras?
Claro que toda a gente gosta!...
Então... é preciso...
«»
"AMAR CADA PESSOA
COMO DESEJA SER AMADA"
Em outras palavras, essa é a mesma
estratégia usada pelo apóstolo Paulo, o "Fazer-se um". (Cf. 1Cor
9,19-23)
Amar o outro como ele gostaria de ser
amado, como ele precisa ser amado naquele momento.
Podemos "fazer-nos um" com o
próximo em tudo, exceto no pecado.
Devemos dar o testemunho da verdade e,
algumas vezes, amar significa dizer "Não", significa ir contra a
corrente do mundo.
O interesse do próximo que devemos
assumir como próprio é aquele que lhe faz bem, que o eleva à condição de filho
de Deus, que o faz ser uma pessoa melhor e que lhe traz a verdadeira
felicidade.
A necessidade do outro é minha, porque
nós somos uma coisa só, porque o outro está em mim e eu nele e porque Deus está
em todos nós.
Abraços
Apolonio
«»
Deus está em todos nós! Todos... todos nós!
Uma grande verdade que tarde descobri, mas que muito bem me está a
fazer!
Foi a descoberta desta verdade que me levou a dar uma reviravolta
à minha maneira de ser e estar.
Não penso mais como anteriormente pensava! Não falo mais como
anteriormente falava! As minhas atitudes mudaram 99,9 por cento!
Claro que a perfeição humana não existe, pelo menos comigo não
existe mesmo, mas podemos, aos pouquinhos, com avanços e recuos, procurar ser
sempre um pouquinho melhores.
E não julguemos as pessoas por aquilo que nos parecem, porque nem
sempre o que parece... é!
Gostaria de me explicar melhor, mas por hoje, fico-me por aqui,
não estou com condições de o fazer como devo, as minhas desculpas!
Boa noite... e uma Santa Quaresma que amanhã começa para todos
nós. Que a saibamos e possamos viver como a todos convém!
HN
segunda-feira, 4 de março de 2019
ASPIRAR À PERFEIÇÃO
Na Liturgia Diária estamos a meditar
no Livro do Bem Sirá ou Sabedoria, que nos apresenta as mais maravilhosas
formas de atuar na vida. Algo de extraordinário!
Ler de qualquer forma os livros
Sagrados não adianta muito, pois são tão profundos que se não consegue retirar
deles o verdadeiro sumo que contém. É preciso ler devagarinho, voltar a ler, procurar
o que está escrito a respeito da leitura, observar o que na leitura nos diz
respeito, interiorizar o que fazer e tentar a todo o custo melhorar o que
estiver menos bem.
Menos bem, digo eu! Isso de
descobrir o que está menos bem exige muita profundidade para conseguir olhar o
mais íntimo de nós mesmos, muita humildade para o poder aceitar e muita coragem
para o poder modificar ou ter outras atitudes na vida.
Os frutos das plantas são
saborosos, uns mais que outros, e cada planta tem seus frutos específicos.
As atitudes de cada homem e de
cada mulher também são específicas cada qual em si mesma ou em si mesmo, são
como frutos agradáveis a Deus e a quem connosco convive.
«»
São Francisco de Sales (1567-1622)
bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, I, cap. 3
bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, I, cap. 3
Na criação, Deus mandou que as
plantas dessem os seus frutos, cada uma «segundo as suas espécies» (Gn 1,11);
da mesma maneira, ordenou aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja,
que produzissem frutos de devoção, cada um segundo a sua qualidade e vocação. A
devoção, a vida cristã, deve ser exercida de formas diferentes pelo fidalgo,
pelo artesão, pelo criado, pelo príncipe, pela viúva, pela jovem e pela mulher
casada; e também é preciso acomodar a prática da devoção às forças, às
atividades e aos deveres específicos de cada um. [...] E se o bispo preferisse
ser solitário como os monges? E se os casados não quisessem trabalhar como os
capuchinhos, se o artesão estivesse todo o dia na igreja como o religioso, e o
religioso constantemente exposto a todo o tipo de encontros para o serviço do
próximo como o bispo? Tal não seria ridículo, desregrado e insuportável? Este
erro, no entanto, é muito frequente. [...]
A devoção, quando é verdadeira,
em nada prejudica; pelo contrário, tudo aperfeiçoa. [...] «A abelha», diz
Aristóteles, «tira o mel das flores sem as estragar», deixando-as inteiras e
frescas como as encontrou. A verdadeira devoção faz ainda melhor, pois, não só
não prejudica nenhum tipo de vocação nem atividade, como, pelo contrário, as
honra e embeleza. [...] Com ela, o cuidado da família torna-se mais pacífico, o
amor do marido e da mulher mais sincero, o serviço do príncipe mais fiel, e
todos os tipos de ocupação mais suaves e amáveis.
Não é só um erro, é também uma
heresia querer banir a devoção das companhias de soldados, das lojas dos
artesãos, da corte dos príncipes, dos lares dos casais. [...] Onde quer que
estejamos, podemos e devemos aspirar à perfeição.
«»
Há quantos anos este texto foi
escrito... e continua atual!...
Há pessoas admiráveis... capazes
de arranjar forma de explicar o que para nós é inexplicável.
Este texto que me chegou
através de ‘Evangelizo’ é de uma dessas pessoas que nos ensinam imenso!
Quando era jovem pensava que a
perfeição estava num convento... hoje vejo o quanto estava errada!
O caminho da perfeição está
onde um homem ou uma mulher estiverem! Está no Amor que cada um ou uma de nós coloca
nos hábitos que contrai e no que faz e diz... que é sempre fruto do que, no mais
profundo do seu ‘ser’, pensa e sente!
Aspirar à perfeição é querer
ser cada vez melhor, pessoa mais humana e, consequentemente, mais cristã, certa
de que Jesus Cristo foi o Homem mais Humano que existiu desde todos os tempos e
nunca ninguém conseguirá ser mais Humano do que Ele foi e é, pois continua vivo
numa outra dimensão para a qual também somos chamados, porque depois da partida
a nossa vida continua na eternidade, não acaba aqui.
Momentos como este em que me
dedico a registar aprendizagens tão gratificantes, são, para mim, momentos de
maravilhosa sabedoria... são um pouquinho da Sabedoria do Senhor a trabalhar em
mim e comigo!
Que sempre seja louvado!
HN
sábado, 2 de março de 2019
MUITAS VERDADES JUNTAS!
Faz muito tempo que me convenci
que a vida é uma escola tão importante e segura que sempre tem algo de novo
para nos ensinar!
A Fé em Deus por Jesus Cristo
foi-me apresentada a partir do seio de minha mãe, pois se os bebés já escutam
antes de nascer, com toda a certeza que assim ouvi os meus pais e avós rezarem
muitas vezes, depois em bebé... e em criança já rezava com eles... pedindo-lhes
a bênção no final das orações!
Diziam-me inúmeras vezes que
era preciso rezar, e que ao Domingo e Dias Santificados devíamos fazer tudo
para ir à Missa, que agora se diz participar na Eucaristia!
O tempo foi passando... e a
minha vida passando no tempo que, graças ao bom Deus, sempre consegui
aproveitar minimamente.
Hoje... setentona... olho estas
raízes que, muito embora pouco me digam... foram as que me deram o que
necessitava para ser hoje o que sou!
Hoje... olhei para trás... e prendi-me
neste texto que quero partilhar:
«»
São João da Cruz (1542-1591)
carmelita descalço, doutor da Igreja
A Subida ao Monte Carmelo, II, 3
carmelita descalço, doutor da Igreja
A Subida ao Monte Carmelo, II, 3
Dizem os teólogos que a fé é um
hábito da alma ao mesmo tempo seguro e obscuro. É obscuro porque nos propõe
verdades reveladas sobre o próprio Deus que ultrapassam qualquer luz natural e
excedem toda a compreensão humana, seja ela qual for. Daí decorre que essa luz
excessiva dada pela fé se transforma para a alma em profundas trevas. Como
sabemos, qualquer força superior supera e enfraquece outra que lhe seja
inferior; deste modo, o sol eclipsa todas as outras luzes, a ponto de, quando
ele resplandece, todas as outras não parecerem propriamente luzes. Para além do
mais, quando está no zénite, o seu brilho ultrapassa por completo a nossa
capacidade visual, ofuscando-nos em vez de nos permitir ver, por se tornar
excessivo e desproporcionado à nossa visão. O mesmo se passa com a luz da fé,
que pelo seu prodigioso excesso abate e enfraquece a luz do intelecto.
Tomemos outro exemplo: suponhamos
uma pessoa cega de nascença, que, por isso mesmo, não conhece as cores. Ao
esforçarmo-nos por fazer-lhe compreender o branco ou o amarelo, bem podemos dar
explicação atrás de explicação que ela não retirará delas qualquer conhecimento
direto, porque nunca viu as cores; a única coisa que reterá no espírito será o
seu nome, através do ouvido. O mesmo se passa com a fé em relação à alma: a fé
diz-nos coisas que nunca vimos e a respeito das quais não possuímos a mais
pequena réstia de conhecimento natural; mas retemo-las através do ouvido,
crendo no que nos é ensinado e deixando que se ofusque em nós a luz natural.
Com efeito, como nos diz São Paulo, «a fé surge da pregação» (Rom 10,17). É
como se nos dissesse: a fé não é uma ciência que reconhecemos pelos sentidos,
mas um consentimento da alma que entra em nós pelo ouvido. Torna-se então
evidente que a fé é para a alma uma noite escuríssima, mas é precisamente com a
sua escuridão que ilumina: quanto mais a mergulha nas trevas, mais faz brilhar
para ela a sua luz. Assim sendo, é ofuscando que ela alumia, segundo as
palavras de Isaías: «Se não acreditardes, não compreendereis» (7,9).
«»
Muitas verdades juntas!
Verdades em que acredito e sinto no mais fundo do meu coração e entendimento,
mas não sei explicar!
E quanto mais me esforço por compreender,
mais baralhada me sinto! Deus é luz... porque com Ele e n’Ele vemos tudo com
mais clareza, aceitamos tudo com mais resignação, olhamos tudo com mais carinho
e atenção, praticamos a capacidade de compreender e aceitar, de perdoar,
esquecer, amar!
Que seria de mim sem todas
estas capacidades desenvolvidas... que seria de mim sem a ajuda de Deus que mas
ajudou a desenvolver com o exemplo e palavras de Jesus que procuro avidamente integrar
nas minhas atitudes de todos os segundos!
Não andes de olhos vendados
para não caíres a nenhuma cova e levares os outros contigo; não olhes para o
cisco do olho do irmão... antes... olha-te interiormente e tira a trave que
tens no teu olho; verifica se és árvore que dá bom ou mau fruto... porque é
pelo fruto que seremos conhecidos!
Que Deus nos ajude! Boa noite!
Bom Domingo!
HN
sábado, 23 de fevereiro de 2019
‘BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO’
É difícil a pureza do coração perante tantas incertezas da
vida!
São tantas... tantas... são
tantas as incertezas da vida que, por mais que se fale delas... nunca as
esgotaremos!
O desenrolar dos dias assim nos
vai dizendo, em todos os seus segundos!
Somos pequenos, ansiamos
crescer... e quando crescemos valorizamos o nosso ser pequeninos!...
Mas o crescimento não é só o
que se vê com os olhos, há crescimentos muito mais importantes que só se
vislumbram com os olhos do coração!
De qualquer forma e em qualquer
circunstância, nada é capaz de nos afastar das incertezas!
Muito natural, pois o único
tempo que podemos dominar é o ‘agora’, uma vez que o passado não volta e o
futuro não nos pertence!
E há tantas coisas... inúmeras
coisas com que vivemos e acabamos por nunca compreender cabalmente.
A vida, toda ela, é um sonho!
Um sonho de Deus... ou melhor dito... uma realidade de Deus e um sonho do
Homem.
Digo uma realidade de Deus
porque Ele supera tudo quanto somos e queremos, porque nos conhece melhor do
que nós mesmos, e por isso, só Ele sabe do que, nas nossas fraquezas e
misérias, seremos capazes! Só Ele é o verdadeiro Senhor dos nossos sonhos... que
só com Ele se tornarão realidades!
A vida é assim como um mar...
ora revolto... ora calmo... mas muito difícil de lhe prever as suas mudanças
inesperadas!
Os estudos ajudam, são
conhecimento da Natureza das coisas, mas ainda assim há surpresas... muitas
surpresas... e algumas bem desagradáveis.
«»
São Gregório de Nissa (c. 335-395)
monge, bispo
A impressão que se tem quando se olha a imensidão do mar é a mesma que o meu espírito sente quando, do alto das palavras escarpadas do Senhor, como do cimo de uma falésia, contemplo o seu abismo infinito. […] A minha alma sente vertigens diante destas palavras do Senhor: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). Deus oferece-Se ao olhar daqueles que têm o coração puro. Ora, «ninguém jamais viu a Deus» (Jo 1,18), diz São João. E São Paulo confirma esta ideia, ao falar daquele «a quem nenhum homem viu, nem pode ver» (1Tim 6,16). Deus é o rochedo abrupto e afilado, que não oferece o menor amparo à imaginação. Também Moisés Lhe chamava inacessível […], pondo na boca de Deus as seguintes palavras: «O homem não pode contemplar-Me e continuar a viver» (Ex 33,20). Quer dizer que a vida eterna é a visão de Deus, e que estes pilares da fé nos afirmam que tal é impossível? […]
monge, bispo
A impressão que se tem quando se olha a imensidão do mar é a mesma que o meu espírito sente quando, do alto das palavras escarpadas do Senhor, como do cimo de uma falésia, contemplo o seu abismo infinito. […] A minha alma sente vertigens diante destas palavras do Senhor: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). Deus oferece-Se ao olhar daqueles que têm o coração puro. Ora, «ninguém jamais viu a Deus» (Jo 1,18), diz São João. E São Paulo confirma esta ideia, ao falar daquele «a quem nenhum homem viu, nem pode ver» (1Tim 6,16). Deus é o rochedo abrupto e afilado, que não oferece o menor amparo à imaginação. Também Moisés Lhe chamava inacessível […], pondo na boca de Deus as seguintes palavras: «O homem não pode contemplar-Me e continuar a viver» (Ex 33,20). Quer dizer que a vida eterna é a visão de Deus, e que estes pilares da fé nos afirmam que tal é impossível? […]
Mas o Senhor estimula a nossa
esperança, e deu-nos uma prova na pessoa de Pedro, tornando firmes as águas sob
os pés deste discípulo que estava prestes a afogar-se (Mt 14,30). A mão do
Verbo estender-se-á igualmente para nós, que estamos submersos nestes abismos,
para nos devolver as forças. Ficaremos então mais seguros, porque seremos
firmemente dirigidos pela mão do Verbo.
«Bem-aventurados os puros de
coração, porque verão a Deus»: semelhante promessa ultrapassa as nossas maiores
alegrias; após tal felicidade, que mais podemos desejar? […] Aquele que vê a
Deus possui, por via dessa visão, todos os bens imagináveis: uma vida sem fim,
uma incorruptibilidade perpétua, uma alegria inesgotável, um poder invencível,
delícias eternas, a luz verdadeira, as doces palavras do Espírito, uma glória
incomparável, uma satisfação ininterrupta, enfim, todos os bens. Que tal
beatitude seja para nós uma fonte de esperança!
«»
Fonte de esperança... nas
incertezas da vida... como forma discreta de purificar o coração!
Purificar o coração nos
sofrimentos, físicos, morais, espirituais... qual deles o melhor ou pior!...
Que o Deus da vida nos ajude
em todas as nossas (in)certezas!
Boa noite... Bom Domingo... Boa
semana... com o coração puro!
HN
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
SEREMOS EMPENHADOS?
Talvez sim... e talvez nem
tanto!
Até porque temos de ter consciência
do que queremos fazer para nos podermos empenhar a sério seja no que for!
Muitas vezes esquecemos que a
vida é curta... e tem que ser muito bem aproveitada!
Esquecemos que cada segundo não
se repete... e que há muitos segundos na vida... mas é num segundo que ela se
pode perder!
Podemos ter tudo em demasia, e
não termos uma vida como deve ser, se na vida nos faltar o Amor verdadeiro,
ablativo, justo!
E temos de ter consciência de
que não fomos criados para o isolamento, mas para a união, para viver em
comunhão/comum(união)
Fala-se muito em caridade, e
muitas vezes pensa-se que caridade é dar algo a quem tem menos do que nós... o
que muitas vezes não é verdade! Dar... nem sempre é caridade! Muitas vezes é
orgulho de poder ser mais do que os outros!
Resumindo, a caridade, muito
mais do que dar, é dar-se!
Dar-se sem esperar nada em
troca!
Dar-se numa palavra amiga, num
gesto carinhoso, num olhar compassivo e misericordioso, numa quantidade de
gestos que enchem corações e mudam vidas!
Dar-se, em tudo e a todos, com
muito amor e dedicação, sempre, sem parar!
Porque...
«»
"A
CARIDADE RECÍPROCA REQUER EMPENHO"
A caridade não é um sentimento, é ação
concreta. Requer empenho da parte de todos, embora cada um deva agir como se
tudo dependesse somente dele.
Cada pessoa envolvida deve tomar a
iniciativa para amar em primeiro lugar sem pretender a retribuição do outro. A
reciprocidade desse amor torna-se uma sublime competição onde todos são
vencedores.
A caridade não é um afeto, é um amor que
não faz distinções, é serviço e doação.
A caridade recíproca requer um empenho
constante. O seu lema é: "Tendo amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até o fim." (Jo 13,1)
A caridade não julga, mas a sua vivência
sonda as consciências.
A caridade recíproca nos faz crescer
juntos; ajuda-nos com a correção fraterna, com o reconhecimento das qualidades,
fazendo-nos trilhar o caminho de uma santidade coletiva.
Abraços
Apolonio
«»
Meditação maravilhosa! Nós não
crescemos por sermos ou sabermos mais do que os demais, mas por nos unirmos aos
demais, nas alegrias e tristezas, nos estudos e meditações, nos trabalhos e
distrações, nas súplicas, agradecimentos, orações, para com eles partilharmos a
vida e aprendermos com eles.
Ninguém é tão pobre que não
tenha nada para dar... nem tão rico que não necessite de coisa alguma!
Fomos criados para viver em
comunhão, cada qual partilhando o que tem e é, com o maior empenho, para da comunhão
- comum(união) podermos retirar o nosso maior e melhor crescimento pessoal e
social!
HN
sábado, 16 de fevereiro de 2019
SEJA FEITA A VONTADE DE DEUS!...
Pois! Andei um montão de tempo
a interiorizar, a aprender e a utilizar na vida esta frase, saída do mais fundo
do coração: “Seja feita a vontade de Deus!”
E continuo... e continuarei a
dizê-la... porque, para mim, ‘seja feita a vontade de Deus!’
Agora... em que situações se poderá
usar esta frase... é outra coisa muito diferente! Temos que analisar muito bem
todos os contextos! Conhecendo Deus como conhecemos... não podemos dizer barbaridades!
E porque se dizem muitas coisas
que não estão de acordo com o que de Deus conhecemos... o que será, de facto, a
vontade de Deus?
Vamos analisar um trabalho que
me chegou por email faz muito tempo:
«»
Não há fogo no inferno, Adão e Eva não são
reais", diz Papa Francisco
Um homem que está lá para abrir
muitos “segredos ” antigos na Igreja Católica é o Papa Francisco.
Algumas das crenças que são realizadas na igreja, mas que são contra a natureza
amorosa de Deus, estão sendo revistas pelo papa, que foi recentemente nomeado o
"homem do ano ‘ pela revista TIME.
Em suas últimas revelações, o Papa Francisco disse:
”Por
meio da humildade, da introspeção e contemplação orante, ganhamos uma nova
compreensão de certos dogmas.
A igreja já não acredita num inferno
literal, onde as pessoas sofrem. Esta doutrina é incompatível com o amor
infinito de Deus. Deus não é um juiz, mas um amigo e um amante da
humanidade. Deus nos procura, não para condenar, mas para abraçar. Como
a história de Adão e Eva, nós vemos o inferno como um artifício
literário. O inferno é só uma metáfora da alma exilada (ou isolada),
que, como todas as almas em última análise, estão unidos no amor com DEUS.“
Num discurso poderoso que está repercutindo em todo o
mundo, o Papa Francisco declarou:
”Todas as religiões são verdadeiras, porque elas são
verdadeiras nos corações de todos aqueles que acreditam neles. No passado, a
igreja considerava muitas coisas como pecado que hoje já não são julgadas dessa
maneira. Deus como um pai amoroso, nunca condena seus filhos. A nossa igreja é
grande o suficiente para heterossexuais e homossexuais, por pró-vida e
pró-escolha! Para os conservadores e liberais, até mesmo os comunistas são
bem-vindos a se juntarem a nós. Todos nós amando e adorando o mesmo Deus.
“Nos últimos seis meses, os cardeais, bispos e teólogos católicos têm debatido
na Cidade do Vaticano, sobre o futuro da Igreja e da redefinição das doutrinas
católicas e seus dogmas.”
O catolicismo é uma religião agora, “moderna e
razoável, que passou por mudanças evolutivas.
Hora de deixar toda intolerância. Devemos reconhecer
que a verdade religiosa evolui e muda. A verdade não é absoluta ou imutável.
Mesmo ateus reconhecem o divino. Através de atos de amor e caridade um ateu
reconhece Deus, bem como, redime a sua alma, tornando-se um participante ativo
na redenção da humanidade. “
”DEUS está mudando e evoluindo como nós, porque
Deus habita em nós e em nossos corações. Quando espalharmos o amor e bondade no
mundo, nós reconheceremos nossa divindade. A bíblia é um livro sagrado bonito,
mas como todas as grandes obras antigas, tem passagens que estão
desatualizadas. Algumas passagens chamam mesmo para intolerância ou julgamento.
É o tempo de ver estes versos como interpolações posteriores, contra a mensagem
do amor e da verdade. Com base na nossa nova compreensão, vamos começar a
ordenar mulheres como cardeais, bispos e sacerdotes. No futuro, é minha
esperança de que, um dia, um papa feminino não permita que qualquer porta que
está aberta para um homem, seja fechada para uma mulher."
Alguns cardeais da Igreja Católica são contra as
recentes declarações do Papa Francisco.
«»
Gostei demais deste trabalho!
Obrigada Senhor pelo Papa Francisco ser como é!
Agora... tenhamos santa
paciência e cuidado com o que afirmamos em muitas circunstâncias!
Deus não nos quer doentes, a sofrer, nem quer
que aconteçam coisas más a nada nem a ninguém!
Se Deus é Pai... quer o melhor
para nós! Se muitas vezes isso não acontece, é pelas nossas fraquezas e
debilidades e não por vontade de Deus!
Deus respeita a Natureza que
criou! Que faz milagres... faz! Quando muito bem entende! Mas os Seus maiores
milagres são feitos no coração das pessoas, na vida interior que nos leva a uma
mudança de vida para melhor! E muitas vezes é no meio de grandes tribulações
que acabamos por descobrir o melhor da vida... o Amor incomensurável de Deus
que nos protege e habita, incondicionalmente!
Quando algo de mal acontece...
não digamos ‘é a vontade de Deus’, porque Deus não quer o mal de ninguém!
‘Seja feita a vontade de Deus’...
está muito bem! Mas... ‘é a vontade de Deus...’ pode não estar bem! Deus
respeita as leis da Natureza... mas não quer o mal para ninguém!
Que Deus seja louvado!
HN
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
*"CONSTRUIR A PAZ PRIMEIRAMENTE EM NÓS MESMOS"*
Este título... não é meu! Copiei-o! Retirei-o do tema que aqui
coloco para meditação e reflexão:
«»
"CONSTRUIR A PAZ PRIMEIRAMENTE EM
NÓS MESMOS"*
Quando construímos a paz primeiramente
em nós mesmos, é mais fácil viver em paz com todos.
Quando estamos em paz com Deus, somos
portadores de sua paz no mundo.
Conclusão: a paz nasce primeiramente em
nosso coração.
Devemos cultivá-la, procurá-la e
vivê-la.
A semente da paz verdadeira está em
Deus, é Ele que a semeia em nosso coração e a faz germinar.
Quanto mais promovemos a paz, mais ela
cresce dentro de nós.
Construímos a paz quando amamos o
próximo como a nós mesmos; quando amamos a sua Igreja como se fosse a nossa;
quando amamos a sua pátria como se fosse a nossa.
A única coisa que pode estabelecer a paz
definitiva em nós, no nosso meio e no mundo inteiro é o amor mútuo.
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos
dou." (Jo 14,27)
Abraços
Apolônio
«»
Mediante todas as situações
agradáveis e nem tanto assim, algumas terríveis e desgastantes, não é fácil
construir a paz connosco mesmos! Diria mesmo que é impossível sem um dedinho de
Alguém que é a Paz em Si mesmo! Mas é o único jeito de termos paz! É construir
a paz dentro de nós! Não sós... pois sós nunca o conseguiremos... mas com o
Senhor e a Sua ajuda!
Só com Deus e em Deus seremos
capazes de construir a paz interior que nos move a sermos pessoas de paz,
construtores de paz, aceitando com amor e confiança tudo quanto nos for
surgindo de menos agradável... olhando tudo com carinho, ternura, compreensão...
aceitando tudo com amor e por amor!
Espalhar Amor é construir a
Paz!
Tentar, a todo o custo, fazer o
que se deve e não o que se quer... é construir a Paz!
Que a Paz de Deus nunca nos
falte e nos mova sempre a sermos pessoas de PAZ
HN
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