segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O INCOMPREENSÍVEL AMOR DE DEUS!



Falar de amor, enche-nos a boca. Mas é urgente que nos encha mais o coração. E o encha até não mais caber!
Viver o Amor é uma conquista inesgotável e imparável, pois não se esgota nem se pode deixar de por em prática das mais diversas formas possíveis e imaginárias! Quanto mais tentamos e nos esforçamos por viver no Amor mais lacunas encontramos nas nossas atitudes de todos os dias, e perante a que imaginámos ser a verdadeira dimensão do Amor, acabamos por concluir que sempre nos parece estar a dar os primeiros passos!
Viver no Amor é muito bom! Não é uma caminhada fácil! É reconhecer-nos e aceitar-nos tal qual somos, e reconhecer e aceitar os outros tal como são... ajudando-nos a nós mesmos a crescer na verdade, e ajudando o mais quem nos rodeia para podermos viver na felicidade que Deus sonhou para nós!
Hoje debrucei-me sobre algumas frases do Papa Francisco que me parecem deveras elucidativas:
  “A salvação pode entrar no coração se nos abrirmos à verdade e reconhecermos os nossos erros, os nossos pecados; desta forma, fazemos uma bela experiência daquele que veio, não para os sãos, mas para os enfermos; não para os justos, mas para os pecadores.”
O Amor de Jesus é um amor fiel que não desiste "mesmo diante da nossa infidelidade".
"Jesus permanece fiel, mesmo quando erramos e nos espera para nos perdoar: Ele é o rosto do Pai misericordioso”.
Reconhecer as próprias limitações, as próprias fraquezas “é a porta que abre ao perdão de Jesus, ao seu amor, que nos renova em profundidade e nos recria".
Mas como reconhecer os sinais de que fomos "renovados"?
Os sinais são vistos quando somos capazes de reconhecer que “fomos despojados das vestes deterioradas e velhas dos rancores e das inimizades, para sermos revestidos da túnica limpa da mansidão, da benevolência, do serviço aos outros, da paz no coração, daquela própria dos filhos de Deus".
A força do amor de Deus se revela quando chegamos ao ponto de dizer: "Eu não posso fazer mais".
Alerto todos e especialmente os cristãos sobre o risco de “deixar-nos paralisar pelo medo do futuro, buscando a certeza em coisas que passam ou em modelos de uma sociedade obtusa, que tende mais a excluir, que incluir”.
“O Senhor vai ao encontro do homem e lhe oferece a rocha do seu amor, à qual cada um pode ancorar, na certeza de não sucumbir”.
Peço ao Senhor que nos ajude a "sermos sempre conscientes deste amor ‘rochoso’, que nos torna capazes de não nos fechar, diante das dificuldades, mas de enfrentar a vida com coragem e encarar o futuro com esperança".
Confio todos, especialmente os irmãos e irmãs que fogem das guerras e das perseguições em busca de paz e liberdade, à Nossa Senhora Consoladora. “Que ela nos ajude a seguir o Senhor, a sermos fiéis, a deixar-nos renovar, a permanecermos firmes no amor”.
Que belas e expressivas estas palavras! E como nos mostram com singular clareza o incomensurável e incompreensível Amor de Deus, que ultrapassa mesmo todas as rebeldias e maldades humanas, desejando apenas que o Homem Lhe abra o coração para o poder começar a modelar do Seu jeito!
Poder-se-ia dizer que Deus podia, muito simplesmente, mudar Ele mesmo o coração do Homem! Mas... onde colocaria Ele a liberdade com que nos dotou? Deus respeita, incondicionalmente, a liberdade que deu ao Homem!  
 Talvez... se o Papa Francisco dissesse estas palavras, hoje, em Portugal, na vez de invocar a Nossa Senhora Consoladora invocasse a Nossa Senhora de Fátima!
Qualquer que seja a invocação, é à Mãe de Jesus e de toda a Humanidade que estamos a pedir!
Que Nossa Senhora nos proteja e ajude a que todos os corações, sem excepção, desejem e se esforcem por viver no Amor, ou seja, segundo a vontade de Deus que Jesus tõ bem nos veio exemplificar e ensinar.
Que o Espírito Santo nos fortaleça e ensine a Amar como Deus quer e nos convém a todos!
2015/10/12

domingo, 11 de outubro de 2015

FAMÍLIA... QUE DEUS TE PROTEJA!

Quando pedimos a Deus que proteja a família, também deveremos pedir à família que faça tudo para se proteger a si mesma... o que vai dar ao mesmo, pois ninguém será capaz de se auto-proteger sem uma ajuda especial de Deus!
O Sínodo sobre a família é um evento que nos deve levar a uma oração muito persistente e profunda, pois há demasiadas expectativas acerca dos seus resultados que espero não venham a desapontar ninguém, até porque a Igreja está ali reunida sob a orientação do Espírito Santo a quem pedimos insistentemente a ajuda e protecção, e como só Ele conhece o que mais falta à felicidade e harmonia familiar e pessoal, só Ele poderá sugerir aos Padres Sinodais o que será melhor fazer a bem da família, das pessoas e da sociedade em geral.
Quem está com problemas espera soluções! Mas... as soluções provindas podem não ser bem as esperadas. De qualquer forma temos de nos manter atentos e abertos a todas as possíveis novidades, certos de que o que Jesus disse nunca poderá mudar, mas ser mais razoavelmente aplicado às dificuldades que vão surgindo através dos tempos.
Por mais que me esforce, a minha caminhada na vida faz-me pensar que o maior problema das famílias está na preparação dos jovens para a vida a dois, que é uma vida muito linda, mas não há dúvidas de que é muitíssimo exigente!
Se já temos imensa dificuldade em gerir-nos a nós próprios em todas as nossas actividades cheias de desejos e ambições muitas vezes frustradas, é de prever que conjugar toda a nossa vida com a vida de outro ou outra aumentará enormemente as nossas dificuldades em nos mantermos minimamente acertados em todas as situações!
Terá que haver muita compreensão e cedência de ambas as partes, muita dedicação e entrega, muita aceitação e desejo fenomenal de fazer o outro ou outra feliz no perdão e amor que se torna presente a cada instante numa permanente doação e entrega mútua de ambos os corações unidos pela Graça de Deus com Jesus a uni-los um ao outro.
Costumo dizer que se o Matrimónio não for celebrado a três, ou seja, o homem e a mulher com Jesus, o Verdadeiro Amor, no elo da sua união, não terá possibilidade de sobreviver, porque somente o amor humano é muito pouco para se poder manter uma relação estável.
Se a união de duas pessoas, homem e mulher, não for bem alicerçada no verdadeiro amor que a exemplo do Amor de Jesus tudo dá sem esperar nada em troca, nunca poderá haver verdadeira felicidade, porque esta, não vem propriamente do que o cônjuge faz por nós, mas muito mais do que nós vamos fazendo por ele. É no tentar, a todo o custo, fazer o outro feliz, que vamos encontrando a nossa felicidade... sempre momentânea, porque a felicidade plena nunca poderá ser deste mundo.
Na constituição de uma família não pode haver egoísmos nem resentimentos, mas o altruísmo em relação um ao outro e de ambos pelos filhos tem de ser uma constante.
Quando se diz que está tudo muito mal com as famílias... não sei se será tanto assim! Não sei se está tudo assim tão mau... ou se anda tudo à espera de encontrar alguma solução capaz para os próprios problemas e para os problemas alheios.
Nas minhas relações com as pessoas, salvo raras excepções, tenho sentido que há cada vez mais preocupação pelo bem-estar do outro. Ora esta maneira de ser e estar tem de provir do ambiente familiar e de se repercutir também na família.
E que ninguém pense que constituir família é tarefa fácil, porque tam muito que se lhe diga!
Recordo algumas palavras do Papa Francisco no passado domingo:
A liturgia deste domingo propõe o texto fundamental de Gênesis sobre a complementaridade e reciprocidade entre homem e mulher (cf. Gen 2,18-24). Por isso – diz a Bíblia - o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne, isto é, uma só vida, uma só existência (cf. v 24). Desta unidade, os cônjuges transmitem a vida a novos seres humanos e se tornam pais. Participam do poder criador do próprio Deus. Mas atenção! Deus é amor, e se participa da sua obra quando se ama com Ele e como Ele. Porquanto – diz São Paulo - o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (cf.  Rom 5, 5). E este é também o amor dado aos cônjuges no sacramento do matrimônio. É o amor que alimenta a relação, através das alegrias e das dores, momentos serenos e difíceis. É o amor que desperta o desejo de criar filhos, esperar por eles, acolhe-los, criá-los, educá-los. É o mesmo amor que, no Evangelho de hoje, Jesus manifesta às crianças: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas” (Mc 10:14).
Hoje pedimos ao Senhor que todos os pais e educadores do mundo, bem como toda a sociedade, sejam instrumentos do acolhimento e do amor com que Jesus abraça os pequeninos. Ele olha seus corações com a ternura e a solicitude de um pai e ao mesmo tempo de uma mãe. Penso nas muitas crianças famintas, abandonadas, exploradas, obrigadas à guerra, rejeitadas. É doloroso ver as imagens de crianças infelizes, com o olhar perdido, que fogem da pobreza e dos conflitos, batem às nossas portas e aos nossos corações implorando ajuda. O Senhor nos ajude a não sermos uma sociedade-fortaleza, mas uma sociedade-família, capaz de acolher, com regras adequadas, mas acolher. Acolher sempre, com amor.”
E pela família... mais palavras para quê?!...
Um santo e feliz domingo!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

NUNCA SERÁ DEMAIS!



Sim! Nunca será demais falar sobre a família! E sobre as pessoas!...
Porque as crises da família... talvez... sejam as crises de identidade que assolam a sociedade!
As pessoas procuram-se muitas vezes no encontro com os outros... mas o verdadeiro encontro com os outros parte de um verdadeiro encontro connosco mesmos... e nunca poderemos ter um verdadeiro encontro connosco mesmos sem que tenhamos prestado atenção àquilo que Deus quer de nós e Jesus nos veio dizer, ensinar!
Um verdadeiro encontro connosco está num verdadeiro e profundo encontro com Deus, disso não tenho dúvidas, porque Deus é-nos mais íntimo do que nós mesmos somos connosco prrópios. Nós muitas vezes acabamos por nos surpreender com acções que nos vêm não sabemos bem como, não temos ideia do que somos capazes na realidade, o que a Deus não passa despercebido!
Como obra Sua, Ele conhece-nos melhor do que nós mesmos!
Quando será que as famílias, os pais de família, poderão ter estas certezas para as poder comunicar aos frutos do seu amor?
Não sei! Lembra-me muitas vezes de algumas palavras do Santo Padre Francisco quando nos alerta de que é preciso mudar, substituir, o vestido da primeira comunhão!
Claro que não tem nada a ver com o vestido feito de tecido, mas do conhecimento que tínhamos de Jesus e da Sua Doutrina aquando da nossa Primeira Comunhão!
Jesus diz-nos no Evangelho que precisamos ser como crianças para entrarmos no Seu Reino, no Reino de Deus, mas este ser crianças que nos é pedido nada tem a ver com pequenez ou infantilidade, mas com acreditar, ser curioso, querer saber sempre mais, perguntar e esforçar-se por saber tudo, ir ao fundo das questões sem melindres nem confusões, chorar facilmente como desabafo mas sem ganhar ódio a nada nem a ninguém, saber ouvir e desculpar, acariciar com facilidade, aceitar mimos, ser prestável, meigas, obedientes, risonhas, bem dispostas, ir com toda a normalidade ao encontro de quem está próximo, falar, partilhar, brincar com quem brinca, espalhar gestos de amor por toda a gente... que mais poderei dizer!...
Estas são as crianças que Jesus quer que sejamos!
Tirar ou substituir o vestido da Primeira Comunhão... é... aprender a ser assim, criança, como Jesus quer que sejamos!
Se todos conseguíssemos aprender a viver na simplicidade, inocência, avidez, ternura, complacência e desejo de crescer sempre mais no conhecimento de Deus e das realidades da vida como as crianças têm desejo de ser grandes... como seríamos diferentes... talvez as nossas famílias não estivessem com tantas crises!
Que Deus nos ajude!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O CENTRO DA HUMANIDADE!



Não tenhamos dúvidas! A Família é o centro de toda a humanidade, onde o Homem nasce, cresce e floresce, dando bons ou menos bons frutos conforme os genes recebidos na sua gestação e tenha sido melhor ou menos bem amparado durante o seu desenvolvimento fisiológico, sociológico e cultural.
Com a degradação de valores humanos o Homem foi deixando de ser o centro dos interesses sociopolíticos em favor do amontoar de dinheiro e riquezas, pelo que os problemas da Família têm vindo a agravar-se.
O desemprego, quer queiramos ou não, está na base de toda esta confusão e amargura, pois deixa as pessoas desmotivadas por não conseguirem uma realização pessoal capaz no desempenho do trabalho adequado às suas capacidades e gostos nem conseguir a angariação do necessário à sua sobrevivência!
Fala-se por demais em amor, mas de uma maneira quase geral não se vive no verdadeiro amor!
Vem a propósito as palavras dignificantes do Papa Francisco na abertura do Sínodo sobre a Família, na sua XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, inaugurado no passado domingo, 4 de Outubro, subordinado ao tema A vocação e missão da família na igreja e no mundo contemporâneo:
“«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós» (1 Jo 4, 12).
As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que tem por tema a família e é inaugurada com esta celebração eucarística.
Aquelas estão centradas em três argumentos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.
A solidão
Como lemos na primeira Leitura, Adão vivia no Paraíso, impunha os nomes às outras criaturas, exercendo um domínio que demonstra a sua indiscutível e incomparável superioridade, e contudo sentia-se só, porque «não encontrou auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 20) e sentia a solidão.
A solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres, deixados pela sua esposa e pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras e perseguições; e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do «usa e joga fora» e da cultura do descarte.
Hoje vive-se o paradoxo dum mundo globalizado onde vemos tantas habitações de luxo e arranha-céus, mas o calor da casa e da família é cada vez menor; muitos projectos ambiciosos, mas pouco tempo para viver aquilo que foi realizado; muitos meios sofisticados de diversão, mas há um vazio cada vez mais profundo no coração; tantos prazeres, mas pouco amor; tanta liberdade, mas pouca autonomia... Aumenta cada vez mais o número das pessoas que se sentem sozinhas, e também daquelas que se fecham no egoísmo, na melancolia, na violência destrutiva e na escravidão do prazer e do deus-dinheiro.
Em certo sentido, hoje vivemos a mesma experiência de Adão: tanto poder acompanhado por tanta solidão e vulnerabilidade; e ícone disso mesmo é a família. Verifica-se cada vez menos seriedade em levar por diante uma relação sólida e fecunda de amor: na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na boa e na má sorte. Cada vez mais o amor duradouro, fiel, consciencioso, estável, fecundo é objecto de zombaria e olhado como se fosse uma antiguidade. Parece que as sociedades mais avançadas sejam precisamente aquelas que têm a taxa mais baixa de natalidade e a taxa maior de abortos, de divórcios, de suicídios e de poluição ambiental e social.
O amor entre homem e mulher
Ainda na primeira Leitura, lemos que o coração de Deus, ao ver a solidão de Adão, ficou como que entristecido e disse: «Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 18). Estas palavras demonstram que nada torna tão feliz o coração do homem como um coração que lhe seja semelhante, lhe corresponda, o ame e tire da solidão e de sentir-se só. Demonstram também que Deus não criou o ser humano para viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos, como diz o salmo que foi proclamado hoje (cf. Sal 128).
Tal é o sonho de Deus para a sua dilecta criatura: vê-la realizada na união de amor entre homem e mulher; feliz no caminho comum, fecunda na doação recíproca. É o mesmo desígnio que Jesus, no Evangelho de hoje, resume com estas palavras: «Desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só» (Mc 10, 6-8; cf. Gn 1, 27; 2, 24).
Jesus, perante a pergunta retórica que Lhe puseram (provavelmente como uma cilada, para fazê-Lo sem mais aparecer odioso à multidão que O seguia e que praticava o divórcio, como uma realidade consolidada e intangível), responde de maneira franca e inesperada: leva tudo de volta à origem, à origem da criação, para nos ensinar que Deus abençoa o amor humano, é Ele que une os corações de um homem e de uma mulher que se amam e liga-os na unidade e na indissolubilidade. Isto significa que o objectivo da vida conjugal não é apenas viver juntos para sempre, mas amar-se para sempre. Jesus restabelece assim a ordem originária e originadora.
A família
«Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem» (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projecto de Deus.
Com efeito, só à luz da loucura da gratuidade do amor pascal de Jesus é que aparecerá compreensível a loucura da gratuidade dum amor conjugal único e usque ad mortem.
Para Deus, o matrimónio não é utopia da adolescência, mas um sonho sem o qual a sua criatura estará condenada à solidão. De facto, o medo de aderir a este projecto paralisa o coração humano.
Paradoxalmente, também o homem de hoje – que muitas vezes ridiculariza este desígnio – continua atraído e fascinado por todo o amor autêntico, por todo o amor sólido, por todo o amor fecundo, por todo o amor fiel e perpétuo. Vemo-lo ir atrás dos amores temporários, mas sonha com o amor autêntico; corre atrás dos prazeres carnais, mas deseja a doação total.
De facto, «agora que provámos plenamente as promessas da liberdade ilimitada, começamos de novo a compreender a expressão “a tristeza deste mundo”. Os prazeres proibidos perderam o seu fascínio, logo que deixaram de ser proibidos. Mesmo quando são levados ao extremo e repetidos ao infinito, aparecem insípidos, porque são coisas finitas, e nós, ao contrário, temos sede de infinito» (Joseph Ratzinger, Auf Christus schauen. Einübung in Glaube, Hoffnung, Liebe, Friburgo 1989, p. 73).
Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimónio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente.
A Igreja é chamada a viver a sua missão na verdade que não se altera segundo as modas passageiras ou as opiniões dominantes. A verdade que protege o homem e a humanidade das tentações da auto-referencialidade e de transformar o amor fecundo em egoísmo estéril, a união fiel em ligações temporárias. «Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 3).
E a Igreja é chamada a viver a sua missão na caridade que não aponta o dedo para julgar os outros, mas – fiel à sua natureza de mãe – sente-se no dever de procurar e cuidar dos casais feridos com o óleo da aceitação e da misericórdia; de ser «hospital de campanha», com as portas abertas para acolher todo aquele que bate pedindo ajuda e apoio; e mais, de sair do próprio redil ao encontro dos outros com amor verdadeiro, para caminhar com a humanidade ferida, para a integrar e conduzir à fonte de salvação.
Uma Igreja que ensina e defende os valores fundamentais, sem esquecer que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27); e sem esquecer que Jesus disse também: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17). Uma Igreja que educa para o amor autêntico, capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de bom samaritano da humanidade ferida.
Recordo São João Paulo II, quando dizia: «O erro e o mal devem sempre ser condenados e combatidos; mas o homem que cai ou que erra deve ser compreendido e amado. (...) Devemos amar o nosso tempo e ajudar o homem do nosso tempo» [Discurso à Acção Católica Italiana, 30 de Dezembro de 1978: Insegnamenti (1978), 450]. E a Igreja deve procurá-lo, acolhê-lo e acompanhá-lo, porque uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira: «De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos» (Heb 2, 11).
Com este espírito, peçamos ao Senhor que nos acompanhe no Sínodo e guie a sua Igreja pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José, seu castíssimo esposo.”

Não podemos esquecer este grande acontecimento, mas rezar muito para que traga uma melhor resolução dos problemas para as famílias em crise!
Que o Espírito Santo esteja com os Padres Sinodais! 

domingo, 4 de outubro de 2015

SAUDADE DE DEUS!



Muita vezes... ou numa igreja frente ao Sacrário, ou na chegada a uma Eucaristia, ou muito simplesmente em qualquer situação onde me encontre me vem interiormente: Senhor, tenho tantas saudades Tuas!... Mas... nunca tinha imaginado as palavras que o Papa Francisco nos diz muito claramente:
 “...que nunca, nunca, nunca se apague em nosso coração a saudade de Deus”, um coração que não tem saudade, não conhece a alegria. A alegria do Senhor é a nossa força, nele encontramos a nossa identidade.
O povo de Israel, após anos de deportação, retorna a Jerusalém. Também nos anos na Babilônia, o povo sempre se recordava da própria pátria. Após tantos anos – observou – chega finalmente o dia do retorno, da reconstrução de Jerusalém e, como narra a primeira leitura, Neemias pede ao escriba Esdras para ler diante do povo o Livro da Lei. O povo está feliz: “estava alegre, mas chorava, e ouvia a Palavra de Deus; tinha alegria, mas também o choro, tudo junto”.
Como se explica isto? Simplesmente, este povo não somente havia encontrado a sua cidade, a cidade onde havia nascido, a cidade de Deus, mas este povo, ao ouvir a Lei, encontrou a sua identidade, e por isto estava alegre e chorava.
Mas chorava de alegria, chorava porque havia encontrado a sua identidade, havia reencontrado a aquela identidade que com os anos de deportação havia se perdido um pouco. Um longo caminho este. Não vos entristecei – disse Neemias – porque a alegria do Senhor é a vossa força”. “É a alegria que dá o Senhor quando encontramos a nossa identidade. E a nossa identidade se perde no caminho, se perde em tantas deportações ou autodeportações nossas, quando fazemos um ninho aqui, um ninho lá, um ninho...e não na casa do Senhor. Encontrar a nossa identidade.
De que modo se pode encontrar a própria identidade? “Quando você perdeu o que era seu, a sua casa, o que era seu vem esta saudade, e essa saudade leva você de volta a sua casa”. E esse povo, com este desejo, sentiu que era feliz e chorava de felicidade por isso, porque a saudade da própria identidade o levou a encontrá-la. Uma graça de Deus”.
"Se estamos cheios de comida, não temos fome. Se estamos confortáveis, tranquilos onde estamos, nós não precisamos ir para outro lugar. E eu me pergunto, e seria bom que todos nós nos perguntássemos hoje: “Eu estou tranquilo, feliz, e não preciso de nada - espiritualmente falando - no meu coração? A minha saudade se apagou?”.
“Um coração que não tem saudade, não conhece a alegria. E a alegria, precisamente, é a nossa força: a alegria de Deus. Um coração que não sabe o que é a saudade, não pode fazer festa. E todo esse caminho que começou há anos termina em uma festa”.
O povo regozija-se com grande alegria, porque tinha "entendido as palavras que tinham sido proclamadas. Eles tinham encontrado aquilo que a saudade lhe fazia sentir e seguir em frente". Então, como é a nossa saudade de Deus? Estamos contentes, estamos felizes assim, ou todos os dias temos esse desejo de seguir em frente? Que o Senhor nos conceda esta graça: que nunca, nunca, nunca se apague em nosso coração a saudade de Deus”.
A falta de saudade de Deus é uma enorme doença espiritual! Mas o Papa Francisco fala ainda sobre a doença física com palavras que nos dizem claramente que Deus é remédio para tudo:
“A doença é algo desagradável; há médicos — são bons! — enfermeiros, enfermeiras, remédios, tudo, mas é sempre algo desagradável. E há a fé, a fé que nos encoraja, e aquele pensamento que todos vós tendes: Deus fez-se enfermo por nós, ou seja, enviou o seu Filho, que assumiu sobre si todas as nossas enfermidades, até à Cruz. E fixando o nosso olhar em Jesus, com a sua paciência, a nossa fé revigora-se.
E com a nossa doença, tendo Jesus ao nosso lado, caminhemos sempre de mãos dadas com Jesus. Ele sabe o que significa o sofrimento, Ele entende-nos, consola-nos e fortalece-nos.”
Então, em todo os nossos momentos, para sermos mais realizados e felizes, que no nosso coração reine, sem cessar, uma enorme saudade de Deus!
Uma boa semana!