Estamos a atravessar a época de uma Comunicação Social fantasmagórica, de que os computadores são base integrante!
Mas, não são os computadores que
nos ajudam a escrever. Eles servem, sim, para guardar as nossas escritas… e
ajudados pela Internet e Editoras… a partilhar o que escrevemos.
O que nos ajuda a escrever é o
silêncio da noite ou do dia, o lápis ou lapiseira, e a simples folha de papel
para rascunhar, ali, o que a mente, auxiliada pelo entendimento e razão, fizer
palpitar no coração e ordenar que seja transcrito pela mão.
Não sei como é possível, no
silêncio escuro da noite, ouvir os pássaros chilrear, olhá-los a voar, ver as
folhas a cair das árvores cansadas e as nuvens a correr brancas ou escurecidas
lentamente ou apressadas, enchendo o azul do céu de figuras lindas e nunca,
antes, vistas ou imaginadas!
Mas é o que acontece! O meu jardim
é muito mais belo na escuridão silenciosa da noite, do que em pleno dia.
É no silêncio da escuridão que
conseguimos olhar-nos tal qual somos e ganhar coragem para tentar ser, a todo o
custo, o que pretendemos; sentir e acertar as fragilidades com que lutamos;
interiorizar que, de facto, há “Alguém” sempre connosco, que nos leva a ver o
que devemos, e a ser o que nunca sequer imaginamos.
É nos silêncios da vida que o
“Alguém” que nos apresentam com um nome, Deus, que muitas vezes, como convém,
em nós, não é possível discernir, mas nos preenche e interpela a ser, a
ressurgir, o que nunca, sem Ele, poderíamos conseguir.
Procuro-O desde que me reconheço
como pessoa, e quanto mais o tempo passa menos compreendo quem é Esse Deus que
está com todos e cada um, em todos os momentos de todas as vidas, que Se fez
“Menino”, que cresceu, que ensinou a Verdadeira Verdade e por Ela morreu,
ficando entre nós num pouquinho de “Pão e Vinho”, que nos enche de conforto a
alma e o coração de carinho.
Não é possível descrever o que se
sente, quando Esse Deus penetra, assim, o coração da gente. Apetece ficar ali,
eternamente… porque tudo o mais não tem valor que se possa comparar com Esse
Amor!
Para incutir mais firmemente em nós
todas estas tão íntimas realidades, tenho de afirmar, com convicção, para a mim
mesma ser fiel… que não é no barulho do mundo nem no computador que conseguimos
transcrever o que em nós faz o Verdadeiro Amor, mas no mais recôndito silêncio
do coração… e com a ajuda do lápis ou lapiseira… e do preciosíssimo papel.
Hermínia
Nadais


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