sexta-feira, 30 de outubro de 2026

CANETA, LAPISEIRA, LÁPIS… E PAPEL!

 

Estamos a atravessar a época de uma Comunicação Social fantasmagórica, de que os computadores são base integrante!

Mas, não são os computadores que nos ajudam a escrever. Eles servem, sim, para guardar as nossas escritas… e ajudados pela Internet e Editoras… a partilhar o que escrevemos.

O que nos ajuda a escrever é o silêncio da noite ou do dia, o lápis ou lapiseira, e a simples folha de papel para rascunhar, ali, o que a mente, auxiliada pelo entendimento e razão, fizer palpitar no coração e ordenar que seja transcrito pela mão.

Não sei como é possível, no silêncio escuro da noite, ouvir os pássaros chilrear, olhá-los a voar, ver as folhas a cair das árvores cansadas e as nuvens a correr brancas ou escurecidas lentamente ou apressadas, enchendo o azul do céu de figuras lindas e nunca, antes, vistas ou imaginadas!

Mas é o que acontece! O meu jardim é muito mais belo na escuridão silenciosa da noite, do que em pleno dia.

É no silêncio da escuridão que conseguimos olhar-nos tal qual somos e ganhar coragem para tentar ser, a todo o custo, o que pretendemos; sentir e acertar as fragilidades com que lutamos; interiorizar que, de facto, há “Alguém” sempre connosco, que nos leva a ver o que devemos, e a ser o que nunca sequer imaginamos.

É nos silêncios da vida que o “Alguém” que nos apresentam com um nome, Deus, que muitas vezes, como convém, em nós, não é possível discernir, mas nos preenche e interpela a ser, a ressurgir, o que nunca, sem Ele, poderíamos conseguir.

Procuro-O desde que me reconheço como pessoa, e quanto mais o tempo passa menos compreendo quem é Esse Deus que está com todos e cada um, em todos os momentos de todas as vidas, que Se fez “Menino”, que cresceu, que ensinou a Verdadeira Verdade e por Ela morreu, ficando entre nós num pouquinho de “Pão e Vinho”, que nos enche de conforto a alma e o coração de carinho.

Não é possível descrever o que se sente, quando Esse Deus penetra, assim, o coração da gente. Apetece ficar ali, eternamente… porque tudo o mais não tem valor que se possa comparar com Esse Amor!

Para incutir mais firmemente em nós todas estas tão íntimas realidades, tenho de afirmar, com convicção, para a mim mesma ser fiel… que não é no barulho do mundo nem no computador que conseguimos transcrever o que em nós faz o Verdadeiro Amor, mas no mais recôndito silêncio do coração… e com a ajuda do lápis ou lapiseira… e do preciosíssimo papel.

Hermínia Nadais 

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