Não tenho horas, o relógio ficou
para trás.
Sei que são mais de 14.30h, pois
foi a essa hora que saí da bendita praia.
O Sol está encoberto, mas deixa
transparecer o seu calor e a luz que nos fascina.
A costa é cheia de rochedos e a
água penetra na terra por pequenas fendas que o mar escavou nas rochas menos
duras.
O ruído das ondas deixa-nos voar
pelo mar adentro, numa ânsia de infinito. Algumas gaivotas sobrevoam o espaço,
a pequena altitude.
Aqui e além, os pescadores tentam
apanhar o peixe enganando-o na presa dos seus anzóis.
Curiosos, dispersos no terreno,
espreitam a terra e o mar como que a tentar descobrir onde o mar acaba e a
terra começa... um segredo difícil de desvendar a olho nu, pois enquanto a
terra tenta conservar a demarcação dos seus limites a água infiltra-se-lhe nos
mais íntimos orifícios no sentido de poder alargar os seus domínios.
O céu cedeu o seu azul ao
acinzentado das estreitas nuvens que adensam o ar.
Os humanos mais idosos passeiam
calmamente no silêncio natural da vida; os mais jovens seguem-lhes os passos.
Parece que, neste céu de mundo,
todos se apercebem que a calma e a paz dominam tudo o que nos rodeia quando as
procuramos nos limites do infinito que, bem vistas as coisas, é posto ao nosso
dispor sem que nos seja possível alcançá-lo.
De quando em vez, as nuvens deixam
transparecer um pouco mais a luz do Sol, e as ondas cinzentas, que se
transformam em branca espuma de encontro aos rochedos da costa, espraiam-se e
deixam nas águas reluzentes salpicos de um prateado sem igual.
Olhando um pouco ao largo, vemos o
mar transformado num imenso lençol de onde sobressaem esses salpicos; e tanto
mais, quanto mais a luz do Sol brilhar sobre a sua superfície.
Atrás e à minha esquerda surgiram
gargalhadas de alguém que, como eu, talvez tentasse desvendar e compreender o
desenrolar de toda esta maravilha.
Quedei-me um pouco na contemplação
da paisagem e disse de mim para mim: Estou nesta terra, que aos poucos se tem
deixado minar; adiante tenho a imensidão das penetrantes e tumultuosas águas do
mar; acaricia-me o Sol ardente que é de luz, até nas noites mais escuras, pois
a bondosa Lua lha transporta… docemente...
Sol… e Lua! Que nos extasiam com
abundante e refulgente luz!
Hermínia Nadais


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