quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CONTEMPLANDO!


Num qualquer dia… por terras de Espanha!

Não tenho horas, o relógio ficou para trás.

Sei que são mais de 14.30h, pois foi a essa hora que saí da bendita praia.

O Sol está encoberto, mas deixa transparecer o seu calor e a luz que nos fascina.

A costa é cheia de rochedos e a água penetra na terra por pequenas fendas que o mar escavou nas rochas menos duras.

O ruído das ondas deixa-nos voar pelo mar adentro, numa ânsia de infinito. Algumas gaivotas sobrevoam o espaço, a pequena altitude.

Aqui e além, os pescadores tentam apanhar o peixe enganando-o na presa dos seus anzóis.

Curiosos, dispersos no terreno, espreitam a terra e o mar como que a tentar descobrir onde o mar acaba e a terra começa... um segredo difícil de desvendar a olho nu, pois enquanto a terra tenta conservar a demarcação dos seus limites a água infiltra-se-lhe nos mais íntimos orifícios no sentido de poder alargar os seus domínios.

O céu cedeu o seu azul ao acinzentado das estreitas nuvens que adensam o ar.

Os humanos mais idosos passeiam calmamente no silêncio natural da vida; os mais jovens seguem-lhes os passos.

Parece que, neste céu de mundo, todos se apercebem que a calma e a paz dominam tudo o que nos rodeia quando as procuramos nos limites do infinito que, bem vistas as coisas, é posto ao nosso dispor sem que nos seja possível alcançá-lo.

De quando em vez, as nuvens deixam transparecer um pouco mais a luz do Sol, e as ondas cinzentas, que se transformam em branca espuma de encontro aos rochedos da costa, espraiam-se e deixam nas águas reluzentes salpicos de um prateado sem igual.

Olhando um pouco ao largo, vemos o mar transformado num imenso lençol de onde sobressaem esses salpicos; e tanto mais, quanto mais a luz do Sol brilhar sobre a sua superfície.

Atrás e à minha esquerda surgiram gargalhadas de alguém que, como eu, talvez tentasse desvendar e compreender o desenrolar de toda esta maravilha.

Quedei-me um pouco na contemplação da paisagem e disse de mim para mim: Estou nesta terra, que aos poucos se tem deixado minar; adiante tenho a imensidão das penetrantes e tumultuosas águas do mar; acaricia-me o Sol ardente que é de luz, até nas noites mais escuras, pois a bondosa Lua lha transporta… docemente...

Sol… e Lua! Que nos extasiam com abundante e refulgente luz!

Hermínia Nadais

 

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