A penetração destas duas forças da
Natureza é tão forte que não há orifício que lhe escape, por mais ínfimo que
seja.
A luz do Sol abrange todo o
exterior da Terra; a água, espalha-se por dois terços da sua superfície, de
forma discriminada, e, indiscriminadamente, pelo espaço que resta, infiltrada e
espalhada pelo seu interior onde enche os seus lençóis freáticos e as suas
inúmeras veias que acabam por a trazer de novo à crosta, de onde brota, através
das nascentes.
A água, é fonte de vida. A presença
de luz pressupõe calor. Luz e calor, provém de uma única fonte que também é
fonte de vida.
Como é imenso o mar... como é
imensa a força das águas… como é abrangente a sua ação na Terra… como é
profícua a sua atividade junto de toda a criação!...
Limpa, refresca e ajuda a
alimentar.
Como é enorme a luz do Sol! Como é
forte o calor que dele irradia!... Tão quente... que nada se lhe pode chegar;
com tal claridade, que olhar algum o pode fixar sem que perca, por isso, a luz
dos seus olhos.
Os imensos poderes da água e do
Sol, podem bem servir de comparação ao supremo poder do Senhor de toda a
criação, mais límpido e vivificante que todas as águas e mais poderoso e
penetrante que todos os raios de Sol.
Se a água e o Sol têm tais poderes
junto dos seres criados, não admira que a omnipotência do Criador afirme que
tem contados todos os cabelos de cada cabeça... e que conhece o íntimo de todos
os corações, cada um por si!...
Face a tudo isto, não será
inoportuno perguntar: “Quem és Tu, Senhor, que tudo criaste com tanta
sabedoria, tanta força e tanta luz, para nos dar tanta consolação e tanta
felicidade... e que em tudo irradias tanto amor?!... Tu só podes ser Amor,
porque tudo quanto nos dás nos enche de amor!
Olhar carinhosamente todos os seres que criaste é amar-Te.
Amar-Te, é ver-Te em tudo, em todas
as coisas, nos seres gigantes e nos seres microscópicos...
Contemplar-Te, é um imperativo de
cada ser que pode olhar-Te das mais variadas formas.
És como o vento, o ar em movimento,
que não se vê, mas sempre se sente e é o último elemento que deixa de
interferir em qualquer vida... pois a última causa de qualquer morte é deixar
de sorver essa fonte de vida. Deixar de contemplar-Te na Natureza também é
morrer para Ti que és a verdadeira Vida.
Que não morramos para Ti mas
morramos em Ti contemplando-Te, respirando-Te sem cessar, sendo minados pela
Tua força como a Terra o é pelas águas, ou sendo iluminados pela Tua luz e
queimados pelo calor do Teu Amor como a Terra o é pela luz e calor do Sol”.
Hermínia Nadais


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