domingo, 17 de março de 2019

ENCHER O CORAÇÃO DE MISERICÓRDIA


Com tantos acontecimentos indesejáveis na vida, não sei muito bem por onde começar!
Para falarmos na misericórdia humana, temos de partir da Misericórdia Divina... que nunca falha! Mas às vezes, o decorrer da existência é de tal forma doloroso que até parece que Deus se esquece das doenças dos homens... doenças que, tais são as dores e aflições que nem às cobras e lagartos se podem admitir ou desejar!
Mas... Deus é, realmente, de todo, Misericordioso e bom!
No decorrer da vida, com as quedas e ressurgimentos e com tudo quanto se vai sentindo ao longo dos segundos, podemos afirmar, eu posso afirmar solenemente que Deus é Pai Misericordioso e bom, que só quer o nosso bem, que procura por todas as formas que O sintamos bem dentro de nós a puxar-nos para o bom caminho, que perdoa e esquece, que está sempre pronto a levantar-nos nas quedas, que ilumina os caminhos da vida, que nos faz imensamente felizes!
É essa felicidade tão forte e sentida com tanta profundidade, esse acompanhamento sentido em todos os segundos da vida, que nos faz confiar em Deus aconteça o que acontecer!
O caminho nem sempre é largo e liso, há muitos pedregulhos a ultrapassar, mas Ele está nos pedregulhos para nos pegar ao colo se não conseguirmos ultrapassá-los por nós mesmos!
Mas... para que tudo isto aconteça, seja bem sentido... tem que ser desejado, querido, admitido, consentido!
Deus está presente na vida de toda a gente, ou visível nas boas atitudes de todos os momentos, ou escondido , oculto, debaixo de maus comportamentos, asneiras, ódios!
Então... se, de fato, queremos ser felizes como Deus quer que sejamos e para o que Ele nos criou, antes mesmo de iniciarmos a luta contra as nossas más tendências e asneiras, temos de querer entregar-nos a Ele de corpo, alma, coração, entendimento, vida... para que Ele possa atuar em nós como convém! Deus quer-nos com Ele, mas não força ninguém! Criou-nos livres... e respeita a nossa liberdade, pronto a atuar perante o nosso arrependimento  e desejo de conversão ou mudança!
Nunca digamos que Deus nos deixa errar, porque a liberdade com que nos criou e nunca nos retirou torna-nos os únicos responsáveis pelos nossos erros!
O tempo atual é de Quaresma, propício à mudança, a tornarmos o nosso coração semelhante ao d’Ele.
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"ENCHER O NOSSO CORAÇÃO DE MISERICÓRDIA"
Nós devemos deixar, para quem nos ofendeu, a possibilidade de um regresso; devemos dar uma segunda chance. Da mesma maneira como Deus faz com cada um de nós. Para isso, é necessário encher o nosso coração de misericórdia.
A fonte de misericórdia infinita é o coração do próprio Jesus. É Nele que devemos buscá-la. É Dele que devemos aprender.
Ele não esperou o arrependimento de seus algozes, mas pediu ao Pai por eles, pediu que os perdoasse pelo mal que lhe fizeram.
Ele não condenou a mulher pecadora, mas ensinou-a a amar e a não mais pecar.
Ele acolheu com misericórdia o ladrão que morria ao seu lado.
Ele nos ensinou a perdoar setenta vezes sete vezes; a oferecer a outra face; a caminhar duas milhas com quem nos pede que caminhemos uma; a dar também o manto a quem nos pede a túnica.
Ele nos mandou não julgar e não condenar, mas sermos misericordiosos como o nosso Pai é misericordioso.
Enfim, ele nos ensinou a encher o coração de misericórdia.
Abraços
Apolonio
«»
E aqui está uma boa forma de tornarmos o nosso coração minimamente parecido com o Sagrado Coração do bom e Misericordioso Jesus!
Se subirmos à montanha do nosso interior encontraremos Jesus como os Apóstolos no Tabor.
Habituemo-nos a subir muitas vezes a essa sagrada montanha, e encontraremos a forma necessária para aguentar os reveses da vida de modo a sermos, neste mundo, testemunhas de Jesus numa vida de Discípulos Missionários como Ele pretende que sejamos!
Boa noite e boa semana, com o coração bem cheio de Misericórdia!
HN

sábado, 16 de março de 2019

FAZER ALGO PELA FAMÍLIA!



Diz-se inúmeras vezes que a família está em crise, e se a família é constituída por pessoas, são as pessoas que estão em crise, nas famílias!
Desde sempre existiram problemas familiares, e a educação recebida tem muito a ver com esses problemas!
Se andarmos uns séculos para trás e observarmos as relações familiares... a forma como o trabalho estava distribuído na família, o papel do homem e da mulher nas relações familiares, a relação do novo casal com seus pais e outros familiares, o alojamento do casal recém formado, o cuidado com os filhos do mesmo... e sei lá quantas coisas mais... encontraremos muitas das raízes dos gravíssimos problemas que vão afetando no dia a dia as nossas famílias de hoje.
Ao falar-se na valorização da mulher, urgente e necessária, temos que o dizer, passou-se um pouco do ‘oito ao oitenta’!
Enquanto no passado as mulheres, devido ao trabalho mais liberto do cumprimento de horários e serviços rígidos tinham a seu cargo a organização e limpeza da casa, louças, roupas, e antes e acima de tudo a educação e cuidado dos filhos... por razões de economia familiar e melhor integração social as mulheres começaram a sair para o trabalho que antes era apanágio dos homens... que na sua grande maioria continuaram desinteressados dos afazeres domésticos, educação dos filhos e cuidado dos pais e outros idosos da família, o que originou uma enorme sobrecarga para a mulher!
Os infantários e creches, são maravilhosos para a socialização, mas continuam a exigir muita atividade dos pais no sentido de passarem aos filhos os seus próprios valores para que a sociedade possa, realmente, viver em paz e fraternidade. Mas o cansaço de um dia cheio de atividade profissional muitas vezes estraga tudo, não deixa disposição para quem dela necessita.
Há escritos a que devemos dar toda a atenção... e adaptá-los cada um a si mesmo!  
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 São João Crisóstomo (c. 345-407)
presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia 20 sobre a Carta aos Efésios, 4, 8, 9: PG 62, 140ss.
O que deves dizer à tua mulher? Diz-lhe com muita ternura: «Escolhi-te, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. A existência presente nada é; por essa razão, as minhas orações, as minhas recomendações e todas as minhas ações destinam-se a fazer com que nos seja dado passar esta vida de tal maneira, que voltemos a reunir-nos na vida futura sem qualquer receio de sermos separados. O tempo que vivemos é breve e frágil. Se nos for dado agradar a Deus durante esta vida, estaremos para sempre com Cristo e um com o outro, numa felicidade sem limites. O teu amor arrebata-me mais que tudo, e não conhecerei infelicidade tão insuportável como a de estar separado de ti. Mesmo que tivesse de perder tudo, de ser pobre que nem um mendigo, de passar pelos maiores perigos e de sofrer fosse o que fosse, tudo isso me seria suportável desde que o teu afeto por mim não diminuísse. Só com base neste amor desejo ter filhos.»
E convém que adeques o teu comportamento a essas palavras. [...] Mostra à tua mulher que aprecias viver com ela e que, por causa dela, preferes estar em casa que na rua. Prefere-a a todos os teus amigos, e mesmo aos filhos que ela te deu; que estes sejam amados por ti por causa dela. [...]
Fazei as vossas orações em comum. Ide à igreja e, ao regressar a casa, contai um ao outro o que foi dito e o que foi lido. [...] Aprendei a temer a Deus, e tudo o resto decorrerá daqui, e a vossa casa encher-se-á de inúmeros bens. Aspiremos aos bens incorruptíveis, que os outros não nos faltarão. Procurai primeiro o Reino de Deus, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo, como nos diz o evangelho (Mt 6,33).
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Há escritos, como este, a que devemos dar toda a atenção... e adaptá-los cada um a si mesmo, o homem, mas também a mulher!
Fala-se por demais em violência doméstica... e quando isso acontece há sempre a tentação de nos voltarmos para os homens, de vermos sempre os homens como os principais violadores, o que nem sempre é verdade!
Não posso dizer que conheço muitas famílias com problemas, mas conheço algumas, e bem sofridas! E se tento, pelo que de tudo posso perceber, ir ao fundo da questão... algumas mulheres, que se julgam umas coitadinhas, não estão impunes.
A imagem que temos do Sacramento do Matrimónio é a entrega de Cristo pela Sua Igreja, situação que tanto o homem como a mulher devem ter em conta.
No Matrimónio, homem e mulher devem entregar-se assim um ao outro, como Cristo se entregou pela Sua Igreja e por todos nós, seres humanos!
Não passemos a vida a culpar uns aos outros, porque isso não nos leva a nada. Antes... olhemo-nos profunda e atentamente no sentido de podermos verificar se estamos a viver como convém
a ambos, marido e esposa, aos filhos que sofrem imenso com os desentendimentos dos pais, e aos restantes familiares e sociedade em geral que, se tiver um pouco de bom senso, só se sentirá realizada e feliz se todos os seus membros o forem de verdade!
Sem sombra de dúvidas, devemos rezar, e muito, pela união, paz e fraternidade no seio de todas as famílias!
Bom fim de semana, em família!
HN

quinta-feira, 14 de março de 2019

AMOR FRATERNO!


Falar de Amor não cansa... até porque falar de Amor é falar de Deus, porque Deus é Amor, somente Amor!
Amor fraterno, é o Amor de Deus vivido pelas Suas criaturas, cada qual com a sua língua, raça ou cor, e com a sua forma de ser e estar, cada qual com características especiais diferentes dos demais.
O Amor fraterno leva-nos a preocupar-nos uns com os outros, a querer que todos tenham uma vida ativa, realizada e feliz.
O Amor fraterno é...
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Cuidar dos outros é ter disponibilidade para escutar, ajudar, instruir, consolar, entender, cuidar, alimentar, vestir, visitar, hospedar, acolher, perdoar. Todos os verbos que signifiquem serviço e doação de si.
Estar disponível exige tempo, mas o tempo é nosso e podemos usá-lo para fazer o bem. Além do mais, ter tempo é uma questão de prioridade e organização.
Estar disponível para amar cada próximo que passa ao nosso lado não requer tempo e lugar determinados, mas deve ocorrer em todo tempo e em qualquer lugar. Portanto, em casa, na escola, no trabalho, onde estivermos no momento presente.
Se não esperamos um tempo e não escolhemos um lugar para amar, é sinal de que cuidamos dos outros e amamos sempre.
Abraços
Apolonio
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Há muita gente por aí a criticar o nosso mundo, que está muito mau!... No dizer de algumas pessoas o mundo está péssimo!
Eu... sinceramente, não penso assim!
No mundo há pessoas, organizações, comportamentos muito bons, diria mesmo exemplares, onde o verdadeiro Amor é sensível em todos os seus gestos.   
Também as há menos boas, coerentes, amigas... mas não sabemos porquê, há que respeitar!
O crescimento integral das pessoas não é igual para todos... depende de mil e um fatores, desde a genética à vivência e educação familiar e social, ao nível cultural e económico dos ambientes... são inúmeras as divergências que podem provocar as diferenças!...  
E o que para uma pessoa parece muito mal... para outra pode não parecer tanto assim, pelos seus conhecimentos e vivências.
Tenhamos olhos voltados para a compreensão, desculpa, ajuda... porque debaixo de críticas nada muda.
A uma pessoa errada... não será preciso falar e muito menos criticar... mas dar bom exemplo, exemplificar com alegria e contentamento.
Temos de ter presente que, ou a pessoa, num ambiente da amor e carinho, descobre o seu erro e o corrige... ou nunca conseguirá encontrar o caminho certo!
Se queremos ser ‘Discípulos Missionários’ como este ano nos é pedido, tenhamos muito cuidado com as pessoas com quem convivemos!
Que este seja um efetivo trabalho desta Quaresma!
Boa noite, com muito Amor Fraterno!
HN

quarta-feira, 13 de março de 2019

SER TESTEMNHO!


Ser testemunho... e que testemunho devemos ser?
Testemunhar... neste caso... é viver!
A testemunha do Evangelho nunca o será pregando... pois ‘palavras leva-as o vento’... mas vivendo... colocando na vida, aos pouquinhos, tudo quanto teremos ou gostaremos de dizer!
De fato, é assim que devemos ser! Pessoas que vivem o Evangelho em todos os segundos da vida! É por isso que nunca por nunca nos poderemos pensar de bonzinhos... porque para levar uma vida assim, bem ao jeito de Jesus, teremos sempre falhas, muitas falhas, das mais variadas espécies!
O discípulo tem de ser o mais possível parecido com o mestre, e para o sermos, de verdade, temos mesmo de, como Ele sempre fez...
«»
"TESTEMUNHAR CONCRETAMENTE O EVANGELHO"
As palavras do Evangelho devem se tornar vida em nossa vida. São verdades que se demonstram na prática evidente do quotidiano e em todas as realidades da vida. Isso não é apenas um elemento ligado à religião, é uma prática que deve traduzir-se em um estilo de vida, em atitudes concretas, e que deve influenciar o nosso agir em todos os ambientes.
Durante a Segunda Grande Guerra, Chiara Lubich dizia às suas primeiras companheiras que deveriam viver de tal modo o Evangelho que, se as bombas destruíssem todos os Evangelhos escritos, deveria ser possível reescrevê-los apenas observando como elas viviam.
Cada palavra do Evangelho causa um efeito em nós. E pouco a pouco, revestidos da Palavra que é o próprio Jesus, devemos chegar ao ponto de poder dizer: "Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2,20)
Abraços
Apolonio
É impressionante que, neste Tempo Quaresmal, parece que tudo nos conduz ao caminho para Deus!
Chegam-nos textos, como este, que são verdadeiras maravilhas!
O Evangelho é Palavra de Verdade, de Caminho, de Vida!
E é na vida que tem de ser visível e sensível na realidade, tal como aconteceu com Jesus, o Verbo ou Palavra Encarnada!
Em que situações eu tropeçarei mais para que o Evangelho para mim seja vida?
Sem sombra para dúvidas, é nisto que terei, que teremos de pensar, para podermos agir como convém de modo a sermos cada vez mais parecidos com o Mestre Jesus, e com Ele e por Ele podermos ser Discípulos Missionários nos nossos ambientes!
Que o Senhor seja louvado!
Boa noite!
HN

terça-feira, 12 de março de 2019

E AQUI TEMOS A ‘SANTA PACIÊNCIA’



Aqui temos o valor incomensurável da virtude da paciência.
Pelo facto, e pelo tanto que me diz, hoje, ao ler esta senha do dia, não resisti a partilhar!
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"SER PACIENTE"
Virtude difícil de adquirir e tão fácil de perder...
Quando a perdemos faltamos com a caridade e perdemos a paz. E é uma grande perda, pois nunca a perdemos sozinha, vai-se com ela a clareza dos fatos e a lucidez da razão.
Se a caridade é a mãe de todas as virtudes, a paciência é a sustentação de todas elas.
Ter paciência com a ignorância para ter pressa em ensinar.
Ser paciente no falar para ter pressa em escutar.
Ter paciência com a ofensa para ter pressa em perdoar.
Ser paciente em saber perder para ter pressa em saber viver.
Abraços
Apolonio
«»
Custou-me imenso, mas consegui ser, na normalidade, minimamente paciente. E quando sinto que estou a perder o controle em alguma situação, se não de outra forma, interiormente, peço logo paciência.
Sinto, de fato, que a paciência é uma arma invencível para vencer e ultrapassar tudo quanto é mau... e uma bengala inquebrável para nos sustentar na ardente prática do bem, com amor, determinação, clareza, lucidez, entrega... sei lá que mais!
O meu texto de hoje é pequeno de tamanho... mas grande de conteúdo!
Boa tarde e continuação de boa semana... com muita paciência!
HN

domingo, 10 de março de 2019

PALAVRAS DE SABEDORIA!


Quando se fala de Quaresma afloram-se-nos logo à memória as palavras penitência, oração, jejum. Jejum com que se inicia logo no seu primeiro dia, Quarta-feira de Cinzas! Jejum e abstinência, moderação de quantidade e qualidade de alimentos.
A esta parte, muito se tem dito, mas é um tema difícil de se considerar compreendido como deve ser.
Se pensarmos muito bem nas duas palavras, abstinência e jejum, elas vão de encontro a um sem número de questões que nos devemos por a nós mesmos, em todos os momentos da vida!
Jejuar ou abster-se de alimentos, além de nos fazer recordar as pessoas que passam fome e muitas outras privações a quem devemos proteger e amparar ainda que só com a oração, tem de nos levar a outros tipos de abstinência e jejum, não de alimentos, mas de comportamentos menos razoáveis ou mesmo maus.
Senão... vejamos:
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São João Paulo II (1920-2005) papa
Angelus de 10 de março de 1996
Entre as práticas penitenciais que a Igreja nos propõe, sobretudo neste tempo de Quaresma, encontra-se o jejum. Ele comporta uma sobriedade especial em relação aos alimentos, salvaguardando as necessidades do nosso organismo. Trata-se de uma forma tradicional de penitência, que não perdeu nada do seu significado e que talvez se deva mesmo redescobrir, especialmente naquelas partes do mundo e naqueles meios onde, não só o alimento abunda, mas se encontram por vezes doenças devidas à sobrealimentação.
O jejum penitencial é evidentemente muito diferente dos regimes alimentares terapêuticos. Mas, à sua maneira, pode ver-se nele como que uma terapia da alma. Com efeito, praticado em sinal de conversão, facilita o esforço interior para nos pormos à escuta de Deus. Jejuar é reafirmar a si mesmo o que Jesus replicou a Satanás que O tentava após quarenta dias de jejum no deserto: «Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4). Hoje, especialmente nas sociedades de bem-estar, há dificuldade em compreender o sentido desta palavra evangélica. A sociedade de consumo, em vez de solucionar as nossas necessidades, cria necessidades sempre novas, gerando mesmo um ativismo desmesurado. [...] Entre outras significações, o jejum penitencial tem precisamente por objetivo ajudar-nos a reencontrar a interioridade.
O esforço de moderação nos alimentos estende-se a outras coisas, estas não necessárias, e traz um grande auxílio à vida do espírito. Sobriedade, recolhimento e oração caminham lado a lado. Pode fazer-se uma oportuna aplicação deste princípio no que toca ao uso dos meios de comunicação de massa. Eles têm uma utilidade indiscutível, mas não devem tornar-se os «senhores» da nossa vida. Em quantas famílias a televisão parece substituir, mais do que facilitar, o diálogo entre as pessoas! Um certo «jejum», também neste domínio, pode ser salutar, quer para consagrar mais tempo à reflexão e à oração, quer para cultivar as relações humanas. 
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Palavras de Sabedoria que São João Paulo II... há 27 anos, nos dizia e que são atualíssimas nos dias de hoje!
O termos cuidado coma alimentação, é muito bom, e o pensarmos partilhar com quem necessita, também o é. Mas... de que nos adiantará deixar de comer... se continuarmos errados em tantas situações?
Então... aproveitemos este tempo propício, com leituras bíblicas apropriadas, com chamadas de atenção constantes à nossa conversão ou mudança de atitudes de vida, e esforcemo-nos por corrigir os nossos defeitos e desenvolver as qualidades... sem a pretensão de mudar tudo de uma vez, mas uma coisinha hoje... outra daqui a uns dias... outra mais além!
E olhemo-nos... sim... mas não só a nós!
Olhemos também quem nos rodeia, com olhos de ver, cabeça de pensar, e coração de sentir, não para criticar... mas para podermos ver-nos nas quedas dos outros e podermos corrigir as nossas quedas... e para observar as suas boas ações e tentar imitá-las!
Não podemos esquecer que somos bênçãos de Deus uns para os outros! E quando conseguirmos proceder assim, muitas coisas se hão-de mudar para melhor!
Aproveitemos este tempo de graça,  o mundo necessita!
Santa Quaresma para todos!
HN

quarta-feira, 6 de março de 2019

E É MAIS UM TEMPO FORTE!


Sim! É mais um tempo forte de mudança, de aperfeiçoamento, de dádiva, de partilha, de entrega, de conversão!
Mas para que assim seja, temos de abrir o coração à Verdade, ao Caminho, à Vida, no Coração, Palavras e gestos de Jesus Cristo que os escritores sagrados nos deixaram para meditar, interiorizar, vivenciar nos segundos dos dias que nos for dado viver neste mundo maravilhoso onde fomos colocados... para nele peregrinar como Jesus peregrinou, numa entrega total ao Pai e aos irmãos.
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São Pedro Crisólogo (c. 406-450)
bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208
Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma. Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade. Porque o nosso jejum terá fome, o nosso jejum terá sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia. O nosso jejum terá frio, o nosso jejum desfalecerá se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a primavera está para os solos: a suave brisa primaveril faz florescer os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste. A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro: tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro, e com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer, emitindo raios até atingir o brilho pleno da continência. A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo jejum e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste.
«»
Ainda se fala muito no jejum quaresmal, na privação de alimento e determinados tipos de alimentação!
Que temos de ser regrados em tudo, é um facto, um modo de ser que temos de treinar. Mas... o verdadeiro jejum quaresmal tem mais a ver com comportamentos do que com comidas e bebidas.
Que interessa privar-nos de alimentos e não repartir proventos por quem deles necessita... não ser presente a quem precisa de nós... não ser compreensivo com quem connosco se vai cruzando nos caminhos da vida?!
Pensemos a sério no que deveremos fazer para que sejamos melhores pessoas em todos os sentidos!
Para todos, uma boa e santa Quaresma!
HN

terça-feira, 5 de março de 2019

PALAVRAS INCANSÁVEIS


Há palavras que chamo de incansáveis, pois por mais que as pronuncie sempre me apetece dizê-las mais vezes, são todas aquelas que se relacionam com amor: amo, amar, amado, amarei, amareis, amarás...
É que onde há Amor verdadeiro, tudo está bem, ainda que entre lágrimas e suspiros.
Quem não gosta de mimo, de carinho, de acolhimento, de ternura, de meiguice nos gesto e palavras?
Claro que toda a gente gosta!...
Então... é preciso...
«»
"AMAR CADA PESSOA COMO DESEJA SER AMADA"
Em outras palavras, essa é a mesma estratégia usada pelo apóstolo Paulo, o "Fazer-se um". (Cf. 1Cor 9,19-23)
Amar o outro como ele gostaria de ser amado, como ele precisa ser amado naquele momento.
Podemos "fazer-nos um" com o próximo em tudo, exceto no pecado.
Devemos dar o testemunho da verdade e, algumas vezes, amar significa dizer "Não", significa ir contra a corrente do mundo.
O interesse do próximo que devemos assumir como próprio é aquele que lhe faz bem, que o eleva à condição de filho de Deus, que o faz ser uma pessoa melhor e que lhe traz a verdadeira felicidade.
A necessidade do outro é minha, porque nós somos uma coisa só, porque o outro está em mim e eu nele e porque Deus está em todos nós.
Abraços
Apolonio
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Deus está em todos nós! Todos... todos nós!
Uma grande verdade que tarde descobri, mas que muito bem me está a fazer!
Foi a descoberta desta verdade que me levou a dar uma reviravolta à minha maneira de ser e estar.
Não penso mais como anteriormente pensava! Não falo mais como anteriormente falava! As minhas atitudes mudaram 99,9 por cento!
Claro que a perfeição humana não existe, pelo menos comigo não existe mesmo, mas podemos, aos pouquinhos, com avanços e recuos, procurar ser sempre um pouquinho melhores.
E não julguemos as pessoas por aquilo que nos parecem, porque nem sempre o que parece... é!
Gostaria de me explicar melhor, mas por hoje, fico-me por aqui, não estou com condições de o fazer como devo, as minhas desculpas!
Boa noite... e uma Santa Quaresma que amanhã começa para todos nós. Que a saibamos e possamos viver como a todos convém!
HN

segunda-feira, 4 de março de 2019

ASPIRAR À PERFEIÇÃO


Na Liturgia Diária estamos a meditar no Livro do Bem Sirá ou Sabedoria, que nos apresenta as mais maravilhosas formas de atuar na vida. Algo de extraordinário!
Ler de qualquer forma os livros Sagrados não adianta muito, pois são tão profundos que se não consegue retirar deles o verdadeiro sumo que contém. É preciso ler devagarinho, voltar a ler, procurar o que está escrito a respeito da leitura, observar o que na leitura nos diz respeito, interiorizar o que fazer e tentar a todo o custo melhorar o que estiver menos bem.
Menos bem, digo eu! Isso de descobrir o que está menos bem exige muita profundidade para conseguir olhar o mais íntimo de nós mesmos, muita humildade para o poder aceitar e muita coragem para o poder modificar ou ter outras atitudes na vida.
Os frutos das plantas são saborosos, uns mais que outros, e cada planta tem seus frutos específicos.
As atitudes de cada homem e de cada mulher também são específicas cada qual em si mesma ou em si mesmo, são como frutos agradáveis a Deus e a quem connosco convive.
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São Francisco de Sales (1567-1622)
bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, I, cap. 3
Na criação, Deus mandou que as plantas dessem os seus frutos, cada uma «segundo as suas espécies» (Gn 1,11); da mesma maneira, ordenou aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja, que produzissem frutos de devoção, cada um segundo a sua qualidade e vocação. A devoção, a vida cristã, deve ser exercida de formas diferentes pelo fidalgo, pelo artesão, pelo criado, pelo príncipe, pela viúva, pela jovem e pela mulher casada; e também é preciso acomodar a prática da devoção às forças, às atividades e aos deveres específicos de cada um. [...] E se o bispo preferisse ser solitário como os monges? E se os casados não quisessem trabalhar como os capuchinhos, se o artesão estivesse todo o dia na igreja como o religioso, e o religioso constantemente exposto a todo o tipo de encontros para o serviço do próximo como o bispo? Tal não seria ridículo, desregrado e insuportável? Este erro, no entanto, é muito frequente. [...]
A devoção, quando é verdadeira, em nada prejudica; pelo contrário, tudo aperfeiçoa. [...] «A abelha», diz Aristóteles, «tira o mel das flores sem as estragar», deixando-as inteiras e frescas como as encontrou. A verdadeira devoção faz ainda melhor, pois, não só não prejudica nenhum tipo de vocação nem atividade, como, pelo contrário, as honra e embeleza. [...] Com ela, o cuidado da família torna-se mais pacífico, o amor do marido e da mulher mais sincero, o serviço do príncipe mais fiel, e todos os tipos de ocupação mais suaves e amáveis.
Não é só um erro, é também uma heresia querer banir a devoção das companhias de soldados, das lojas dos artesãos, da corte dos príncipes, dos lares dos casais. [...] Onde quer que estejamos, podemos e devemos aspirar à perfeição.
«»
Há quantos anos este texto foi escrito... e continua atual!...
Há pessoas admiráveis... capazes de arranjar forma de explicar o que para nós é inexplicável.
Este texto que me chegou através de ‘Evangelizo’ é de uma dessas pessoas que nos ensinam imenso!
Quando era jovem pensava que a perfeição estava num convento... hoje vejo o quanto estava errada!
O caminho da perfeição está onde um homem ou uma mulher estiverem! Está no Amor que cada um ou uma de nós coloca nos hábitos que contrai e no que faz e diz... que é sempre fruto do que, no mais profundo do seu ‘ser’, pensa e sente!
Aspirar à perfeição é querer ser cada vez melhor, pessoa mais humana e, consequentemente, mais cristã, certa de que Jesus Cristo foi o Homem mais Humano que existiu desde todos os tempos e nunca ninguém conseguirá ser mais Humano do que Ele foi e é, pois continua vivo numa outra dimensão para a qual também somos chamados, porque depois da partida a nossa vida continua na eternidade, não acaba aqui.
Momentos como este em que me dedico a registar aprendizagens tão gratificantes, são, para mim, momentos de maravilhosa sabedoria... são um pouquinho da Sabedoria do Senhor a trabalhar em mim e comigo!
Que sempre seja louvado!
HN

sábado, 2 de março de 2019

MUITAS VERDADES JUNTAS!


Faz muito tempo que me convenci que a vida é uma escola tão importante e segura que sempre tem algo de novo para nos ensinar!
A Fé em Deus por Jesus Cristo foi-me apresentada a partir do seio de minha mãe, pois se os bebés já escutam antes de nascer, com toda a certeza que assim ouvi os meus pais e avós rezarem muitas vezes, depois em bebé... e em criança já rezava com eles... pedindo-lhes a bênção no final das orações!
Diziam-me inúmeras vezes que era preciso rezar, e que ao Domingo e Dias Santificados devíamos fazer tudo para ir à Missa, que agora se diz participar na Eucaristia!
O tempo foi passando... e a minha vida passando no tempo que, graças ao bom Deus, sempre consegui aproveitar minimamente.
Hoje... setentona... olho estas raízes que, muito embora pouco me digam... foram as que me deram o que necessitava para ser hoje o que sou!
Hoje... olhei para trás... e prendi-me neste texto que quero partilhar:
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São João da Cruz (1542-1591)
carmelita descalço, doutor da Igreja
A Subida ao Monte Carmelo, II, 3
Dizem os teólogos que a fé é um hábito da alma ao mesmo tempo seguro e obscuro. É obscuro porque nos propõe verdades reveladas sobre o próprio Deus que ultrapassam qualquer luz natural e excedem toda a compreensão humana, seja ela qual for. Daí decorre que essa luz excessiva dada pela fé se transforma para a alma em profundas trevas. Como sabemos, qualquer força superior supera e enfraquece outra que lhe seja inferior; deste modo, o sol eclipsa todas as outras luzes, a ponto de, quando ele resplandece, todas as outras não parecerem propriamente luzes. Para além do mais, quando está no zénite, o seu brilho ultrapassa por completo a nossa capacidade visual, ofuscando-nos em vez de nos permitir ver, por se tornar excessivo e desproporcionado à nossa visão. O mesmo se passa com a luz da fé, que pelo seu prodigioso excesso abate e enfraquece a luz do intelecto.
Tomemos outro exemplo: suponhamos uma pessoa cega de nascença, que, por isso mesmo, não conhece as cores. Ao esforçarmo-nos por fazer-lhe compreender o branco ou o amarelo, bem podemos dar explicação atrás de explicação que ela não retirará delas qualquer conhecimento direto, porque nunca viu as cores; a única coisa que reterá no espírito será o seu nome, através do ouvido. O mesmo se passa com a fé em relação à alma: a fé diz-nos coisas que nunca vimos e a respeito das quais não possuímos a mais pequena réstia de conhecimento natural; mas retemo-las através do ouvido, crendo no que nos é ensinado e deixando que se ofusque em nós a luz natural. Com efeito, como nos diz São Paulo, «a fé surge da pregação» (Rom 10,17). É como se nos dissesse: a fé não é uma ciência que reconhecemos pelos sentidos, mas um consentimento da alma que entra em nós pelo ouvido. Torna-se então evidente que a fé é para a alma uma noite escuríssima, mas é precisamente com a sua escuridão que ilumina: quanto mais a mergulha nas trevas, mais faz brilhar para ela a sua luz. Assim sendo, é ofuscando que ela alumia, segundo as palavras de Isaías: «Se não acreditardes, não compreendereis» (7,9).
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Muitas verdades juntas! Verdades em que acredito e sinto no mais fundo do meu coração e entendimento, mas não sei explicar!
E quanto mais me esforço por compreender, mais baralhada me sinto! Deus é luz... porque com Ele e n’Ele vemos tudo com mais clareza, aceitamos tudo com mais resignação, olhamos tudo com mais carinho e atenção, praticamos a capacidade de compreender e aceitar, de perdoar, esquecer, amar!
Que seria de mim sem todas estas capacidades desenvolvidas... que seria de mim sem a ajuda de Deus que mas ajudou a desenvolver com o exemplo e palavras de Jesus que procuro avidamente integrar nas minhas atitudes de todos os segundos!
Não andes de olhos vendados para não caíres a nenhuma cova e levares os outros contigo; não olhes para o cisco do olho do irmão... antes... olha-te interiormente e tira a trave que tens no teu olho; verifica se és árvore que dá bom ou mau fruto... porque é pelo fruto que seremos conhecidos!
Que Deus nos ajude! Boa noite! Bom Domingo!
HN