quinta-feira, 28 de março de 2013

A ÚLTIMA CEIA…




Incrível!  Um homem novo, preocupado em acabar com todo o mal-estar da humanidade, pelas mais diversas formas e sem qualquer problema diz muito claramente a essa humanidade como deve viver para que todos consigam ser minimamente felizes nesta caminhada para a verdadeira vida – a eterna!

É um Homem simples, trabalhador, atento, perspicaz, verdadeiro, coerente, amigo, solidário, caridoso, compreensivo, meigo… quantos adjetivos mais seriam precisos para o definir!... O mundo dos homens não tem palavras capazes de o fazer!

Consciente de que a Sua caminhada neste mundo teria um fim, e certo de que seria necessário ter continuadores para que a humanidade continuasse a tentar viver ao Seu jeito, juntou alguns homens para O seguirem mais de perto e poderem ser os continuadores da Sua pregação depois da Sua partida.

Mas… ninguém compreende capazmente Esse Homem!

Mesmo perante tantas maravilhas… a humanidade representada ali pela sociedade onde viveu, não sabia o que fazer, mudava de opinião com a maior das facilidades e conforme lhe dava jeito.

Decidiram aclamá-l’O REI e cantaram-Lhe Hossanas por entre capas estendidas e ramos a baloiçar!…

Era a Festa da Páscoa!  E o Glorioso REI que passara por entre a multidão montado no jumentinho… sabia que o fim da Sua tarefa terrena estava eminente, pois não teria mais por onde escapar às questões que lhe poriam e mentir não fazia parte de Si.

Então… mandou preparar a que seria a Sua Última Ceia, para, na intimidade daquela refeição fraterna poder dar aos Seus as Suas últimas instruções e partilhar com eles algo do que faria parte da reta final de Sua vida!

Estavam ali todos os que haviam sido escolhidos, por Ele, pelo Pai e pelo Espírito Santo, pois onde um está estão todos e todos são um… mistério que não entenderemos nesta parte da existência! E foi-os preparando para o passo que daria de seguida! E avisou Pedro da fragilidade que iria ter ao negá-l’O três vezes antes do galo cantar… e a Judas disse que fosse depressa fazer o que tinha de fazer!

Este Homem, Jesus Cristo, calmo e seguro, firme nas Suas decisões e convicto  de todas  as realidades dos que O rodeavam que mais não eram do que todas as fragilidades  dos seres humanos que Ele próprio como parte integrante de Deus tinha criado… lava-lhes humildemente os pés… e para que não tivessem fome do que é o verdadeiro alimento, o alimento espiritual, institui a Sagrada Eucaristia… “Isto é o Meu Corpo” “Isto é o Meu Sangue” “comei e bebei”… e ao mesmo tempo que institui o Sacerdócio… “ Fazei isto em memória de Mim”!

Como não fazia nada sem uma profunda comunicação com o Pai, vai orar como costumava, no meio das oliveiras!

Judas apareceu e com um beijo entregou-O aos que queriam retirá-l’O da face da terra para que não mais os importunasse.

E… quando os poderosos da terra mostraram as suas garras e os seus quereres… a mesma multidão que O aclamou gritava agora a Sua morte, trocando a Sua vida Puríssima pela de um horrendo malfeitor!

Não sei para que me perco nestas considerações… quando o que eu quero mesmo é ir à imensa bondade e paciência de Jesus que, mesmo sabendo as maldades que os Seus dois amigos iam fazer-Lhe, não lhes levantou a voz, não ralhou, não se encolerizou, não lançou sobre eles um olhar de ódio ou rancor, não disse uma palavra que os magoasse… não fez nada contra eles, nada, mesmo nada, muito pelo contrário, o “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” era para todos eles… e também para mim!

Toda a paciência, bondade e compaixão que Jesus teve com os discípulos e com toda aquela gente que O atormentou até à horrenda morte, tem-na comigo a todo o momento, pois está sempre disposto a perdoar-me e a acarinhar-me mesmo depois de eu tanto sair dos caminhos que Ele traçou para mim!

E eu?!...

Será que, ao jeito de Jesus quando lavou os pés aos discípulos, tenho a coragem de me colocar sem arrogância perante todas as pessoas que necessitam de mim?

Como me vou comportando com as pessoas que estão ao meu lado e são junto de mim a imagem de Jesus?

Como olho as pessoas que de alguma forma me ofendem e o que faço para as desculpar e colocar piedosamente nas mãos de Deus?

Sou capaz de rezar por essas pessoas?

Enquanto não conseguir começar a dar estes passos… não poderei considerar-me uma pessoa que segue verdadeiramente Jesus!

Que o Espírito Santo me(nos) ajude!

quarta-feira, 27 de março de 2013

NÃO CANTARÁ O GALO…



A liturgia destes dias não me deixa tirar da mente os últimos momentos da vida terrena e da Paixão e morte de Jesus Cristo!

A Sua conversa íntima com os discípulos parece que me soa aos ouvidos como uma encantadora melodia e lembrar-me constantemente por onde devo ou não devo seguir, porque quando Ele falava para os discípulos também falava para mim, pois é com as mesmas palavras que sempre me fala!

Às vezes… quando tudo me parece em silêncio… mesmo sabendo que Ele está sempre comigo, sinto-me como que numa situação de abandono!

Olhando mais profundamente a minha vida e para os momentos de doçuras inefáveis em que as promessas de amor eterno me afloram aos lábios saídas do mais fundo do coração, tenho que ter sempre presente esta frase dita a São Pedro: «Não cantará o galo… antes de Me teres negado três vezes!»

São Pedro… ouviu estas palavras… e experimentou na vida a realidade amarga de, sem ele querer nem pensar… ter acontecido tal e qual como o Senhor lhe predissera: «Não cantará o galo… antes de Me teres negado três vezes!»

E eu?!... Que passo a vida a pensar, estudar e meditar na melhor forma de viver segundo a vontade de Deus… que tantas vezes Lhe digo que quero amá-LO e segui-LO… que tanta mensagem tento passar para a comunidade… porque nego tantas vezes com as minhas atitudes o que o meu coração pensa, as minhas mãos escrevem, e a minha boca safada diz?!...

E ainda há quem diga que não tem pecados!...

Claro… matar, difamar ou assaltar por aí a torto e a direito pelas ruas… são pecados que pouca gente faz, para não ter de ir parar à cadeia…

 Mas… quantas palavras ou frases menos verdadeiras com que vou difamando venenosamente o bom nome do meu próximo? Quantos assaltos faço ao bom nome e à paciência de quem me rodeia? Com as minhas inquietações e nervosismos impensados, quanta felicidade eu vou matando na vida de tantos irmãos e irmãs que comigo convivem?...

“Quem nunca errou… atire a primeira pedra!”

Eu… não tenho moral para criticar ninguém! Eu não posso gloriar-me das boas obras que faço, pois se algo de bom tenho feito, é o Espírito Santo de Deus que me inspira e me dá forças para as fazer, pois por mim só… pobre de mim… pois quantas vezes sou pior do que foi o São Pedro, e até mesmo do que foi o Judas.

Eles, Judas e São Pedro… muito embora convivessem com Jesus… não tinham os conhecimentos nem as vivências que eu tenho… pois mesmo vivendo com Ele não O conheciam como eu conheço! Eles ainda sonhavam com conseguir alguma benesses e grandezas neste mundo… enquanto eu tenho a certeza de que Jesus era, é, e sempre será, Rei… mas de bondade, benignidade, paciência, doçura, ternura, dedicação, carinho, misericórdia, perdão e amor!

Que tenho feito na minha vida para seguir estes passos… que são os verdadeiros passos de Jesus?!...

Tenho muito que pensar! Muito de que me arrepender! Muito que chorar! Muito que converter!

Que o Espirito Santo me(nos) proteja e ilumine!

terça-feira, 26 de março de 2013

JUNTO DO SENHOR, SER RAMOS…VERDES!




Não sei porquê, mas a celebração de Ramos, este ano, tocou-me por demais!

Aqueles raminhos de oliveira, levantados naqueles braços vibrantes e a baloiçar tocando-se entre si com o ruído caraterístico das folhas, vistos do coro daquela igreja, tinham não sei quê de especial! E no curto cortejo que mediava as igrejas, eram belos! Muito belos!

Talvez as palavras do Padre… aquele homem simples e aconchegante, que lembrava o burrinho que carregou Jesus e as capas e os ramos com que Jesus tinha sido alegremente aclamado na Sua entrada Triunfal em Jerusalém! Talvez o refletir sobre aquela multidão que alegremente O aclamava, tal como eu também o louvo e bendigo com grande gozo e alegria nos momentos felizes de maior intimidade… mas quando as dificuldades da vida me ressecam o coração e acabo por fazer o que não quero como dizia São Paulo… vejo-me como aquela multidão que aclamava Jesus… para pouco depois gritar a Sua morte com tanta intensidade!

Que fraqueza a minha! Que incoerência! Que ingratidão! Que falta de sinceridade, de força de vontade, de coragem, de firmeza, de constância, de determinação…

Nesta memorável manhã de Ramos, eu também estava com as pessoas a aplaudir Jesus.

Os ramos verdes, verdinhos, viçosos, passados uns dias ficarão secos!

Mas o AMOR dos corações que os carregavam não pode secar nunca, para maior glória de Deus e felicidade dos Homens!

O meu coração, como os corações de todos os que estiveram lá comigo, terão de estar sempre com a frescura fresca daqueles ramos, para aplaudir, louvar e bendizer Jesus, em toda e qualquer situação!

A vida é uma caminhada tortuosa, cheia de percalços, e não posso distrair-me no caminho!

Na frente da minha caminhada vai Jesus a chamar-me constantemente para Ele, a conduzir-me os passos, a pegar-me ao colo quando as situações se tornam mais difíceis de resolver!

E da Sua presença na minha vida… eu tenho a certeza… pois já a senti em grande profundidade!

Senhor! Olhando para as imagens que Te representam com a pesada cruz sobre os Teus ombros doridos… claro que eu vejo e sinto o peso da minha cruz… mas consciente que é bem mais leve que a Tua!

E a minha cruz é merecida, como dizia o Bom Ladrão!

A Tua, Senhor, quisestes carregá-la porque me amas e me queres desculpar misericordiosamente… porque me queres contigo… porque me queres feliz a Teu lado… porque queres que eu espalhe pelo mundo a felicidade que se sente ao seguir-Te… porque queres que todos os homens e mulheres, tuas criaturas amadas, queiram ser amadas por Ti, não se afastem de Ti e deixem que Tu as ames!

Sinto que esta vida é curta demais para ser desperdiçada!

E lamento os momentos que passei distante de Ti… enquanto Tu Te esfalfavas para me proteger e amparar!

Obrigado, Senhor!

Nesta Semana Maior em que os mistérios da Tua vida dominam o mundo, que os homens se voltem para Ti como os ramos verdes com que Te aplaudiram!

E que eu, Senhor, seja sempre ramo verde a agarrar cada vez com mais força e mais amor a minha cruz!

segunda-feira, 25 de março de 2013

HÁ TRADIÇÕES… QUE FALAM DE VIDA!



O Domingo de Ramos ou da Paixão foi muito grande! Tive saudades da infância, de quando a minha mãe me acarinhava das lágrimas sentidas que me caíam dos olhos quando, ao participar nas cerimónias, ouvia o relato da Paixão de Cristo ou das estações da Via-Sacra.

Na local onde participei os ramos eram de oliveira, e a bênção, seguida de uma curta procissão que ligou um templo ao outro onde a Eucaristia ia ser celebrada.

A igreja, apinhada de gente colaborante e atenta, um Padre simples… a deixar que a homilia saísse do coração… e uma enorme fila a abeirar-se ordenamente da Comunhão, um pequeno grupo a dirigir o canto, tão simples como tudo era simples, famílias inteiras a dizer ao mundo que a Igreja de Cristo está viva como nunca no coração de todas as nossas gerações.

Mas a tradição não acabava ali! À tarde, era dia da Procissão dos Passos. Tudo foi mobilizado! Banda de Música, Bombeiros, Clérigos, Autoridades Civis, Escuteiros, Cantores e Cantoras, gente anónima de rostos sorridentes, almas renascidas, uma grande família unida repartida ao longo de estreitas ruelas em habitações onde o passado se faz presente e enche de vida o palpitar ardente de todos os corações.

Por entre inúmeras “vozes do passado” e como “voz do assado” seguia a Procissão. O Cristo, de Cruz às costas, sobre o pequeno trator maravilhosamente e singelamente enfeitado, ia parando, aqui e além, nos locais preparados primorosamente para escutarem o meigo canto do povo a dar descanso à Banda, e ao trator que aproveitava para desligar um pouco o motor. A dado momento e depois de uma curta e profunda pregação, trouxeram duas enormes imagens, uma das quais a da Virgem das Dores perfurada em seu coração com sete doloridas e profundas setas.

As Palavras escutadas, recheadas de saber, sabor, encanto e beleza, foram de incentivo à caminhada.

‘O véu do templo está rasgado e o Senhor pronto a ser visto por toda a gente que a Ele se quiser dirigir… e o centurião que reconheceu que o condenado era o Justo é a imagem concreta do que todos nós devemos ser – conhecedores de que Jesus Cristo, o condenado da Páscoa, é o único Justo, o Deus feito homem para rasgar o véu do templo e vir ao nosso encontro para nos fazer felizes.’

Procissões… com Jesus Cristo na frente e as pessoas a caminhar atrás d’Ele… como aquele Padre profundamente explicou… compreendem-se!

Os ramos deste Domingo murcham com o tempo… as pessoas não murcham… e são estas e outras “tradições” que as vão mantendo no fulgor da vida… porque falam de vida… e são vida!

Que Deus seja louvado!

domingo, 24 de março de 2013

Acreditar… ter Fé… viver…





Senhor!

Hoje, o primeiro dia da Semana Maior ou Semana Santa, os ramos baloiçam nas mãos amáveis e ternas ao som de cânticos que os lábios, ávidos de Te louvar, vão entoando, e se não alegremente porque as nossas culpabilidade estão presentes na Tua horrenda paixão e dolorosa e cruenta morte, é com a alegria da esperança porque o Teu amor e misericórdia infinita são bem maiores do que todas as nossas fraquezas, misérias, culpas e pecados!

Senhor! Tudo quanto hoje se vive e sente, é matéria de Fé!
Hoje, tal como ontem, e sempre, acreditar em algo é parte intrínseca de todo o ser humano, porque o Ser humano tem necessidade de acreditar em algo que o satisfaça interiormente. E como ser pensante que é, o Homem pode acreditar num sem número de coisas… mas quando se referem a simples matérias que venham a desvendar-se a crença esvai-se em face das realidades e produz um enorme vazio.

Por isso, Senhor, Fé, é a crença no transcendente, no que o Homem com toda a sua inteligência, vontade, saber e esforço nunca será capaz de descobrir cabalmente - Deus.

Ter Fé é crer, é acreditar em Deus! É conseguir um verdadeiro encontro com Deus através de Ti Senhor Jesus Cristo, para amar-Te e confiar em Ti de tal modo que envolva todo o nosso querer e ser, todos os nossos sentimentos, toda a nossa vida. 

Ter Fé é conhecer, sentir e viver a verdade das Tuas Palavras de Salvação e tudo o que leva até Ti!

Ter Fé é ter a certeza de que todos os homens e mulheres são criaturas de Deus, do Teu e nosso Pai… e Tuas também Senhor Jesus, que és Deus como o Pai… e como tal, estás com eles e neles, quer eles o saibam ou não, quer o queiram ou não… pois quando um autor faz uma obra, a obra, irremediavelmente, é sempre do seu autor!

A certeza de que Tu, Senhor, és o autor de todos os homens e mulheres, leva a amar e respeitar a toda a gente, indefinidamente, porque todos são obra de Deus Pai e Tuas Senhor, porque todos somos filhos do mesmo Pai, Deus.

Mas, Senhor, o “mostra-me a tua Fé pelas obras que eu pelas minhas obras te mostrarei a minha Fé” diz-me que uma vida de Fé professada tem de ter atitudes coerentes, senão, a Fé não é verdadeira.

A verdadeira Fé Cristã tem de levar o homem a uma remodelação total de si mesmo, de modo a que a sua vida seja de acordo com a Tua doutrina e vida, Senhor Jesus Cristo, e por isso leva à construção de uma comunidade mais aberta, franca, verdadeira, pacífica, acolhedora, solidária, fraterna e, consequentemente, mais feliz.

Senhor, pelos encontros amorosos travados conTigo em tantos dos Teus templos perdidos no meio de toda a beleza natural que me circunda e tanto me fala de Ti, pela maravilhosa singeleza e simplicidade da gente com quem me vou cruzando a cada paragem, pela minha fraqueza amargurada pela distância de todos os que me são queridos, pela dor dos doentes e dos que para sempre partiram de entre nós deixando eternas marcas de saudade, pelas necessidades que urge afagar, pelos mimos a dar às crianças e velhinhos, pelo aconchego dos drogados e sem abrigo e de tantas amarguras a dissipar entre os Teus queridos filhos… Senhor, aumenta, aumenta a minha pouca Fé!