sábado, 17 de julho de 2021

SINAIS E PRODÍGIOS!

 

Jesus dizia, e com razão, que sem sinais e prodígios não haveria quem acreditasse n’Ele! E tinha muita razão, pois Ele sabia melhor que tudo e que todos o que cada pessoa precisava!

Agora, pergunto, que sinais e prodígios poderá fazer a nossa Igreja,  a Igreja que Jesus nos deixou para que, de facto, comecem a acreditar no que diz e faz, pois cada vez as igrejinhas de pedra onde nos encontramos para estar juntos uns com os outros e com Jesus cada vez estão mais vazias!

É certo que há muita gente maravilhosa que não frequenta a igreja, mas, para quem gosta de participar nas cerimónias, orações que ali se fazem, sente-se um pouco frustrada. E dá para perguntar a si mesmo: Senhor, será que estou a ser o que Tu desejas de mim perante esta gente que parece não se interessar nada conTigo?

Claro que na resposta há sempre umas asneirinhas que andam por aí na vida de cada um, pois perfeito mesmo só Deus, e como é Misericordioso e bom, vela por todos nós, como formos, onde estejamos, a façamos o que fizermos!

“”São João Crisóstomo (c. 345-407)

presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilias sobre o evangelho de João, n.° 35

«Se não virdes sinais e prodígios, não acreditareis»

«Se não virdes sinais e prodígios, não acreditareis». O funcionário real parece não acreditar que Jesus tem o poder de ressuscitar os mortos: «Senhor, desce, antes que meu filho morra». Parece julgar que Jesus ignora a gravidade da doença do rapaz; é por isso que Jesus o censura, para lhe mostrar que os milagres se fazem sobretudo para ganhar e curar as almas. Assim, Jesus curou o pai, que estava tão doente no seu espírito quanto o filho estava doente no corpo, para nos ensinar que não devemos ligar-nos a Ele por causa dos milagres, mas pelos ensinamentos que os milagres confirmam. Pois Ele não opera milagres para os crentes, mas para os não crentes. […]

No regresso, o homem «acreditou, ele e todos os de sua casa»: pessoas que não viram nem escutaram Jesus […] acreditam nele. Que ensinamento devemos retirar disto? Que é preciso acreditar nele sem exigir milagres; que não devemos exigir a Deus provas do seu poder. Há muitas pessoas que mostram maior amor a Deus quando os filhos ou a mulher recebem algum alívio na doença; ora, mesmo que os nossos votos não sejam satisfeitos, é preciso perseverar na ação de graças e no louvor. Permaneçamos ligados a Deus, tanto na adversidade quanto na prosperidade.””

A nossa oração e confiança no Senhor deve ser permanente, e mais de ação de graças do que de pedido de graças, pois como nos conhece melhor do que nós, sabe muito bem do que necessitamos. E muitas vezes o que Lhe pedimos parece-nos o melhor, mas não é!

Se a vida fosse muito fácil perderia o seu grande valor!

Todos nós, todos, sem exceção, temos dificuldades, embora diferentes, mas não deixam de ser dificuldades, que só com muito amor a Deus e aos irmãos poderão ser bem resolvidas.

Não é a falta de dinheiro ou haveres que nos faz pobres, mas a falta de amor a Deus e aos irmãos. E rico, é o que confia no Senhor e tem o indispensável para viver, pois quando partirmos deste mundo lindo para o Pai não levaremos nada connosco, a não ser o Amor que tivermos espalhado nas nossas atitudes de todos os dias.

Boa noite e bom Domingo

Hermínia Nadais

sexta-feira, 16 de julho de 2021

A VERDADEIRA RIQUEZA

 

Quando olhamos à nossa volta, reparamos que há uma meia dúzia de ricos, alguns remediados, e uma quantidade imensa que tem de ter o máximo cuidado para que os seus tostões cheguem ao fim do mês com as despesas pagas. Esta é a forma de ver a riqueza neste nosso mundo, melhor dito, no mundo que nos foi dado viver.

Mas a verdadeira riqueza nunca poderá ser vista deste modo. Temos de aprender a ver a riqueza da forma que Jesus a viveu e a deseja para todos nós, que é bem diferente. Se não, vejamos:

“”Filoxeno de Mabug (?-c. 523) bispo da Síria

Homilia sobre a simplicidade

«Vinde a Mim, todos os que andais cansados»

«Vinde a Mim [...] e Eu vos aliviarei». [...] Experimentastes o caminho do mundo, experimentai agora o meu e, se não vos agradar, abandonai-o. Carregastes os fardos do mundo e vistes como são pesados; deixai-vos persuadir, tomai sobre vós o meu jugo, e aprendereis pela experiência que é suave e leve. Não farei de vós desses ricos que precisam de muitas coisas, mas verdadeiros ricos, que não precisam de nada; porque o rico não é aquele que possui muitas coisas, mas aquele a quem nada falta. Sereis ricos comigo, se renunciardes a tudo. [...] Mas, se procurardes saciar os vossos desejos, eles encher-vos-ão de fome. A fome vem de se comer: quanto mais se enriquece, mais pobre se é; quanto mais dinheiro se acumula, mais se quer acumular; quanto mais se adquire, mais se quer adquirir. [...]

Vinde, pois, a Mim, vós todos que estais fatigados da riqueza, e repousai na pobreza; vinde, donos de bens e de propriedades, e tirai prazer da renúncia. Vinde, amigos do mundo que só tem um tempo, e saboreai o mundo eterno. Experimentastes o vosso mundo: vinde experimentar o meu. Provastes a vossa riqueza: vinde provar a minha pobreza. A vossa riqueza é uma riqueza; a minha pobreza é a riqueza. O facto de a riqueza ser considerada uma riqueza não tem grande valor; o que é admirável e sublime é que a pobreza seja a riqueza e a humildade a grandeza. “”

Lido atentamente, devagarinho, meditando calmamente em cada frase e tirando as necessárias conclusões… veremos que, de facto, o mundo vê tudo ao contrário. Um rico segundo o mundo, pode ser rico segundo Deus, mas pode não ser, depende do que faz com a riqueza que tem. Se consegue auxiliar caridosamente quem necessita de algo que de si dependa, é, de facto, rico, de haveres e de coração fraterno. Mas se não liga nada para ninguém e tudo faz para aumentar dinheiro e haveres, é mais pobre do que os pobres, pois os pobres, habituados com pouco, se sentem bem com o pouco que a vida lhes dá, enquanto eles se sentem tristes por não puderem aumentar os seus já inúmeros bens.

O mais rico não é o que mais tem, mas o que menos necessita, pois acaba por não incomodar ninguém e ainda ajudar com o pouco que Deus aumenta.

Ser humilde, contentar-se com pouco, preocupar-se com quem tem menos do que nós, confiados na infinita misericórdia do Senhor é a maior de todas as riquezas! Deus/Jesus, é a nossa verdadeira riqueza!

Que sempre nos proteja e ajude a viver como Ele ensinou e deseja.

Hermínia Nadais

terça-feira, 13 de julho de 2021

“VIVER A OBEDIÊNCIA DO FILHO”

 


Viver a obediência do Filho!

Viver a obediência do Filho é viver do jeito de Jesus que fez tudo quanto o Pai quis que fizesse, aliás, Ele e o Pai são um só, a vontade do Pai era, sem dúvida a vontade do Filho, enquanto Deus, porque enquanto homem, a sofrer no Seu Santíssimo Corpo como sofreu, claro que náo foi nada fácil para Ele como não o é para nós. o sofrimento custa muito, seja que sofrimento for, e  juntar ao enormíssimo sofrimento espiritual  tão horroroso sofrimento físico, só mesmo sendo o próprio Deus ou com a Sua ajuda se consegue.

Não tenho a menor dúvida!

Quem nos diz isto , que é preciso viver a obediência do Filho, são os Apóstolos, foi a vida de Jesus, é a vida de tantos santos e santas canonizados pela Igreja. Dizem-nos… das mais variadas situações, em frases, em comportamentos, em orações… a que devemos prestar a maior atenção, pois, ma caminhada da vida, é Jesus, Maria e os Santos que nos exemplificam o que devemos fazer, que nos vão mostrando o caminho!

“”Santa Catarina de Sena (1347-1380) terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa  «Sobre a obediência», cap. 2, n.º 155

Viver a obediência do Filho

Ó obediência, que realizas a travessia sem dor e chegas sem perigo ao porto da salvação! Tu conformas-te com o Verbo, o meu Filho único; tu navegas na barca da Santa Cruz, disposta a tudo sofrer para não te afastares da obediência ao Verbo e não infringires a sua doutrina. Fizeste da Santa Cruz uma mesa, onde te alimentas de almas, inabalável no amor do próximo.

Penetrada de humildade, não cobiças o bem de outros fora da minha vontade. És inteiramente reta, sem desvios; tornas leal o coração, sem fingimento algum, e generoso o amor, isento de cálculos. Tu és uma aurora que anuncia a luz do amor divino! Tu és um sol que aquece, porque és sem cessar abrasada pela caridade! És tu que fazes germinar a terra, pois é por ti que todos os órgãos do corpo e todas as faculdades da alma produzem frutos de vida, para si próprio e para o próximo. Tu és toda encanto, porque a cólera nunca te perturba o rosto, que mantém inalterável a serenidade da força e a graça difundida pela paciência amável.

A tua longa perseverança torna-te grande! Tão grande que vais da Terra ao Céu, pois é por ti, e só por ti, que ele se abre. Tu és uma pérola escondida, desconhecida, pisada pelo mundo, e és a primeira a desprezar-te a ti própria e a colocar-te sob os pés de todos. Contudo, o teu poder é tão elevado que ninguém pode mandar em ti: estás livre da mortal servidão da sensualidade, que limita a tua dignidade; matando este inimigo com o ódio e o desprezo da vontade própria, reconquistaste a tua liberdade.””

Esta mais que maravilhoso texto, uma conversa do Pai com Santa Catarina de Sena, que ela escreveu com toda a certeza, para nos servir de testemunho do que Deus faz por nós!

Este texto leva-nos a valorizar a obediência a Deus, como Jesus fazia e estava bem impressa em Santa Catarina de Sena.

Senhor Jesus, que o Teu Santo Espírito nos dê os Seus Dons tão necessários para seguirmos o Teu caminho, Jesus, nesta nossa dolorosa e preocupante caminhada terrena, que, se  não fosse a Tua generosa e efetiva presença, nunca conseguiríamos levar a bom termo, ainda que com tantas quedas e ressurgimentos em que sempre nos dás a Tua maravilhosa e poderosa mão! Que sempre sejas louvado!

Hermínia Nadais


domingo, 11 de julho de 2021

UMA MULTIDÃO… UNIDA NUM SÓ CORPO!

 

 

Uma multidão... unida num só corpo!

Um só Corpo, derramado pela multidão!

Fazem muita confusão estas frases, pois uma multidão é um número muito grande de pessoas, de corpos, e unidos num só corpo, que Corpo poderá ser Esse?

Só mesmo o corpo de Jesus Cristo! Não um corpo físico, mas um corpo espiritual, que não podemos ver, mas sentir e viver! Um Corpo Místico, em que Jesus é a cabeça e nós os membros desse corpo.

Jesus também Se diz Videira, da Qual nós somos os ramos!

“”São João Crisóstomo (c. 345-407)

presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilia sobre a 1.ª Carta aos Coríntios, 2; PG 61, 199

«Este é o meu sangue [...], derramado pela multidão»

Os amantes deste mundo demonstram a sua generosidade oferecendo-se dinheiro, vestes e presentes diversos; mas nenhum deles dá o seu sangue. Cristo, em contrapartida, é o seu sangue que dá, demonstrando assim a ternura que tem por nós e o ardor do seu afeto. Na antiga Lei, [...] Deus aceitava o sangue dos sacrifícios, mas fazia-o para impedir o seu povo de o oferecer aos ídolos, o que já era uma prova de grande amor. Mas Cristo alterou este rito [...]; a vítima já não é a mesma, pois é a Si próprio que Ele oferece em sacrifício.

«O pão que partimos não é a comunhão no corpo de Cristo?» (1Cor 10,16). [...] O que é este pão? É o corpo de Cristo. Em que se tornam os que nele comungam? No corpo de Cristo; não passam a ser uma multiplicidade de corpos, mas um único corpo. Pois assim como o pão, constituído por muitos grãos de trigo, é um só pão onde os grãos desaparecem, assim como os grãos subsistem, mas é impossível distingui-los na massa, por estar muito bem unida, assim também nós, reunidos com Cristo, somos um todo. [...] Ora, se participamos todos do mesmo pão e estamos todos unidos ao mesmo Cristo, porque é que não mostramos todos o mesmo amor? Porque não nos tornamos um só também nisso?

Era o que acontecia no princípio: «A multidão dos crentes tinha um só coração e uma só alma» (At 4,32). [...] Cristo veio procurar-te, a ti, que estavas longe dele, para Se unir a ti; e tu não queres unir-te a teu irmão? [...] Separas-te dele com violência depois de teres obtido do Senhor tão grande prova de amor, bem como a própria vida? Com efeito, Ele não Se limitou a dar o seu corpo; como a nossa carne, saída da terra, tinha perdido a vida a estava morta pelo pecado, introduziu nela, por assim dizer, outra substância, qual fermento: a sua própria carne, a sua carne da mesma natureza que a nossa, mas isenta de pecado e cheia de vida. E deu-no-la a todos, a fim de que, alimentados pelo banquete desta nova carne, [...] possamos entrar na vida imortal.””

O tempo urge! E para os cristãos, penso ser a hora de voltar aos princípios, em que as pessoas viviam como irmãs.

Só o verdadeiro Amor consegue a fraternidade, então, amemos, que é a única coisa que Deus nos pede. E quem ama, sofre pela pessoa amada, entrega-se a ela, faz tudo pelo sei bem-estar, pela sua felicidade, vive para ela.

Então, vivamos para os irmãos, porque amar verdadeiramente os irmãos, é amar a Deus!

Que sempre nos ajude!

Hermínia Nadais

sábado, 10 de julho de 2021

UNIDADE NA DIVERSIDADE!

 

Claro que é maravilhoso sermos todos diferentes como somos e entendermo-nos bem! Vivermos unidos! Com lutas idênticas ou mesmo iguais. Mas… Isto só acontece quando o Amor está em todos os corações.

Falar em amor pode ser fácil, mas amar de verdade não é tão fácil assim, pois muitas vezes temos de ir contra nós mesmos para nos entregarmos aos outros que pensam de forma diferente de nós e não compreendem o que lhes queremos dizer, ou fazer entender.

A vida é mesmo assim, uma luta constante que só acabará com a morte física que só mesmo Deus saberá quando irá acontecer.

O amor total é físico e espiritual, e é esse amor que devemos conservar no mais profundo do nosso coração, custe o que custar, pois foi isso que Jesus nos exemplificou e pediu e é isso que Deus nos vai pedindo todos os dias!

“”Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167) monge cisterciense

«A amizade espiritual», III, 115ss.

Pedro e João: a unidade na diversidade

Alguns a quem não é concedida uma promoção deduzem desse facto que não são amados; se não são chamados a participar nos negócios e noutras atividades, queixam-se de terem sido postos de lado. E sabemos bem que isto se torna uma fonte de desentendimento entre pessoas que eram amigas, que chegam a separar-se e maldizer-se. [...]

Que ninguém diga que foi posto de lado porque não lhe foi atribuída uma promoção. Recordemos que o Senhor Jesus preferiu Pedro a João, mas não foi por ter conferido a primazia a Pedro que retirou o seu afeto a João. Ele confiou a sua Igreja a Pedro; a João, entregou sua Mãe muito amada (cf Jo 19,27). Deu a Pedro as chaves do seu reino (cf Mt 16,19); a João, mostrou os segredos do seu coração (cf Jo 13,25). Por conseguinte, Pedro ocupa uma posição elevada, mas o lugar de João é mais seguro. Embora tivesse recebido o poder, quando Jesus declarou: «Um de vós há de entregar-Me» (Jo 13,21), Pedro tremeu e assustou-se como os outros; João, por sua vez, instigado por Pedro e animado pela sua proximidade ao Senhor, perguntou-Lhe de quem falava.

Pedro foi um homem de ação; a João, foi dada a missão de testemunhar o seu amor, de acordo com aquelas palavras: «Se Eu quiser que ele fique até que Eu venha, que te importa?».””

Pois! Cada um ou uma de nós tem coisas diferentes a fazer e não é menos importante por isso, pois para Deus todos somos importantes… ainda que Lhe não façamos a vontade como as ovelhas perdidas que Ele vai buscar e carrega no colo ou às Suas benditas costas!

Como é bom sentir-se unida ao Senhor! O medo não nos impede de fazermos o que devemos!

Senhor Jesus, Sê a nossa força, a nossa esperança, o nosso companheiro de todos os momentos, pois sempre precisamos de Ti para conseguirmos, como queres, a unidade na diversidade!

Obrigada Senhor!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 9 de julho de 2021

JESUS, DEUS PAI JUNTO DE NÓS!

 Não sei muito bem como começar, mas… pelo princípio, Deus, que se deu a conhecer através de Jesus, e que muitas vezes, pela Sua Simplicidade, humildade, doação, entrega, acolhimento… no conseguimos identificá-Lo com Deus Pai que nos foi apresentado em crianças como severo e justiceiro.

Meu Deus! Quanto cuidado temos de ter em Te mostrar às crianças, e a todas as pessoas… que sempre têm um pouquinho de criança!

Como seria bom olharmos-Te, meu Deus, como um Pai carinhoso e bom, que não castiga ninguém, e se deixa que algum mal nos aconteça é para nos encaminhar para o melhor ou para nos dar o melhor de seguida. Apetecia-me falar nas Leituras Bíblicas de hoje em que José que foi vendido pelos irmãos para o Egito serviu para proteger a sua família da terrível fome que alastrou aquelas terras, onde só no Egito havia pão. Uma maravilha este acontecimento no que ele acabou.

Mas… quero partilhar este texto que é maravilhoso, se não vejamos:

“”Beato Columba Marmion (1858-1923) abade

«Cristo, modelo e fonte da santidade sacerdotal»

«Quem Me vê, vê o Pai»

«Sede perfeitos como o vosso Pai celestial é perfeito» (Mt 5,48). Por que motivo deve a nossa perfeição, a nossa santidade, reproduzir a santidade divina, que está a uma distância infinita da nossa fraqueza humana? A seguir, ser-nos-á dado o poder de conhecer o mistério desta vida divina? A resposta a esta dupla pergunta está nas seguintes palavras: devemos assemelhar-nos ao nosso Pai celeste porque somos seus filhos adotivos. E, para conhecermos a perfeição do Pai, basta-nos ir a Jesus Cristo.

Diz-nos São João: «Nunca ninguém viu a Deus» . Quer dizer que temos de desesperar de jamais O conhecer? Não, porque o discípulo acrescenta esta verdade luminosa: «O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O revelou» (Jo 1,18). Entusiasmado com esta revelação, São Paulo exclama: «Deus habita uma claridade inacessível» (1Tim 6,16); mas Ele, «que disse: das trevas brilhe a luz, brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo» (2Cor 4, 6). [...] Cristo é Deus colocado ao nosso alcance, com a forma humana. Após a Última Ceia, Filipe pediu a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai» (Jo 14,8); e Nosso Senhor respondeu-lhe com uma frase solene, que contém a chave do mistério: «Quem Me vê, vê o Pai».

Assim, pois, em Jesus Cristo, tudo é uma revelação de Deus. [...] Aos pés de Jesus, aprendemos a conhecer as perfeições de Deus; é pela meditação das suas palavras e dos seus atos, dos seus sofrimentos e da sua morte, que penetramos os segredos da misericórdia infinita.””

Jesus é a revelação de Deus… se Jesus morreu por nós… que é o Deus que nos governa e tão bem nos quer?

Sem palavras, é como se fica quando nos fazemos a nós mesmos esta pergunta!

Senhor Jesus, Rosto e Ser do Pai junto de nós, ajuda-nos a fazer tudo o que pudermos para que o mundo seja, realmente, salvo, e o Teu Sacratíssimo Sangue que se venera neste mês não se perca.

Senhor, aumenta o nosso amor por Ti, Amém!

Hermínia Nadais

quarta-feira, 7 de julho de 2021

CRISTO JESUS FOI ENVIADO ÀS OVELHAS PERDIDAS

 

Esta frase ou outra semelhante é ouvida inúmeras vezes pelos cristãos católicos ou universais!

Hoje, no Evangelho segundo São Mateus 10,1-7, Jesus envia os doze Apóstolos a proclamar que está próximo o Reino de Deus, depois de lhes ter dado os poderes que Ele mesmo tinha de curar as mais variadas doenças e enfermidades. Mas disse-lhes que se desviassem do caminho dos gentios e não entrassem na casa dos samaritanos, que fossem diretamente às ovelhas perdidas da Casa de Israel.

Hoje, a Casa de Israel, é a Igreja Católica, é o conjunto dos batizados que tão distanciados estão dos caminhos de Deus, na sua enorme maioria.

Ser Cristão é seguir as pegadas de Jesus Cristo. O Batismo é o princípio dessa caminhada, mas o fim é a nossa passagem deste mundo para a outra  vida que nos está prometida, a eternidade, que desejamos e tudo fazemos para que seja junto de Deus.

De Deus que se nos mostrou na Vida e obra do Seu Filho Jesus e nunca nos desampara, continua atrás das ovelhas perdidas da Casa de Israel e a chamar outras ovelhas para a mesma casa. O que Ele disse aos Discípulos no Evangelho de hoje, é o que nos diz em todos os momentos da vida!

“”Isaac da Estrela (?-c. 1171) monge cisterciense Sermão 35

Enviado às ovelhas perdidas

Cristo veio buscar a ovelha que se tinha perdido (cf Mt 18,12). Foi por ela que o Bom Pastor foi enviado no tempo, Ele que estava prometido desde sempre; foi por ela que nasceu e foi dado. Ela é única, escolhida entre os judeus e as nações [...], escolhida entre todas as nações, única no mistério, múltipla nas pessoas, múltipla pelo corpo segundo a natureza, única pelo espírito segundo a graça, em suma, uma única ovelha e uma multidão sem conta. Foi por isso que Aquele que veio buscar a única ovelha foi enviado «às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mt 15,24). [...] Ora, aquilo que o Pastor reconhece como seu «ninguém Lhe pode arrancar das mãos» (Jo 10,28), porque não se pode forçar o poder, enganar a sabedoria, destruir a caridade.

Por isso, Ele diz com segurança: «Daqueles que Me deste, Pai, não perdi nenhum» (Jo 17,12). [...] Ele foi enviado como verdade para os que andavam enganados, como caminho para os que andavam perdidos, como vida para os que estavam mortos, como sabedoria para os que eram loucos, como remédio para os doentes, como resgate para os cativos e como alimento para os que morriam de fome. Pode dizer-se portanto que, na pessoa de todos estes, Ele foi enviado «às ovelhas perdidas da casa de Israel», para que elas não se perdessem para sempre.””

Jesus mandou procurar as ovelhas perdidas porque ama as Suas ovelhas, ama-nos infinitamente e indefinidamente.

Mas… o que é amar?

Amar é gastar a vida pelo outro! É consumir-se pelo outro como vela acesa no altar! É doar-se ao outro, ainda que o outro não o mereça! É não esperar do outro qualquer forma de retribuição ou recompensa!

Será que é isto que estamos a fazer… ou a tentar fazer?

Se não é, tentemos viver assim, pois é isso que o Senhor nos pede!

Vivamos assim, confiantes, ou melhor, certos de que a nossa vida é um dom de Deus, e o futuro da nossa vida continua a ser um grande Dom de Deus!

Hermínia Nadais

terça-feira, 6 de julho de 2021

MARAVILHA DAS MARAVILHAS!

 


Há textos que nos tocam até ao mais profundo das entranhas!

E não adianta dizer mais nada, porque nos diz tudo… tudo…

“”Santo Atanásio (295-373) bispo de Alexandria, doutor da Igreja

Discurso contra os Arianos, 2, 78-79

«Quem Te deu autoridade para o fazeres?»

A sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizeste com sabedoria» (103,24). [...] Tal como o nosso discurso humano é imagem desta Palavra que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Aquele que tem o Filho tem também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou» (Mt 10,40). [...]

«Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na Sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação» (1Cor 1,21). Ora, Deus já não quer, como nos tempos antigos, ser conhecido por meio de imagens e sombras da Sabedoria, mas quis que a verdadeira Sabedoria em pessoa adotasse carne, Se tornasse homem e sofresse a morte de cruz, para que, no futuro, todos os crentes possam ser salvos pela fé nesta Sabedoria encarnada.

É ela, portanto, a Sabedoria de Deus. Anteriormente, era conhecida pela sua imagem nas coisas criadas [...], dando assim a conhecer o Pai; mas depois, tornou-Se carne, como diz São João (1,14), esta Sabedoria que é o Verbo. E, após ter «destruído a morte» (1Cor 15,26) e salvado a humanidade, manifestou-Se a Si mesma de forma mais clara e, por Si, manifestou o Pai; razão pela qual pôde dizer: «Que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo» (Jo 17,3). Toda a Terra ficou cheia do seu conhecimento, porque só há um conhecimento: o do Pai por meio do Filho, e o do Filho a partir do Pai. O Pai põe a sua alegria nele, e o Filho regozija-Se com a mesma alegria no Pai, como está dito: «Eu era o seu encanto todos os dias, e brincava o tempo todo na sua presença» (Prov 8,30).””

Há muitos salmos que eu não consigo compreender… talvez também não compreendesse este pouquinho do salmo se não estivesse inserido no textozinho que me encantou!

Que sempre sejas louvado, Senhor Deus e o Teu Espírito Santo!

Quanto mais me preocupo em aprender…  mais me convenço de que nada sei!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 5 de julho de 2021

DEUS ESTÁ EM TODO O LADO!

 

Sim! Deus está em todo o lado para nos dar a salvação, pois é parte integrante da vida. E em qualquer lugar o Senhor está connosco para nos dar esta vida, a menina do Evangelho de hoje, Mt, 9, 18-26, estava fisicamente morta, mas a sua alma estava viva. 

Nós acreditamos na ressurreição, por isso morremos, mas não desaparecemos, porque a morte não é desaparecimento absoluto. Absoluto é o pecado, o mal que praticamos. Mas mesmo o pecado deixa de ser absoluto porque é perdoado se dele nos arrependermos e pedirmos perdão ao Senhor.

 Escada de Jacob liga o Céu e a Terra, que estão unidos e não separados, pois o Céu é uma realidade prometida para nós, no deserto ou solidão, nas multidões, sem referências, pois Deus está connosco e quer-nos Suas testemunhas na Terra.

A Fé em Jesus Cristo manifesta-se na busca que d’Ele fazemos para vivermos a vida que Ele nos dá e para que Ele se torne cada vez mais presente no mundo.  

Devemos acolhê-Lo e levá-Lo aos nossos irmãos como sinal da nossa fé.

Um pai pediu, e Jesus ressuscitou-lhe a filha; uma mulher tocou-Lhe e ficou curada da sua doença que Jesus lhe curou.

Deus haje sempre em nós, está sempre connosco, tem-nos sempre presentes junto de Si.

Tenhamos muita Fé, Raiz da Esperança e a força do Amor!

Que Jesus nos ajude sempre!

Hermínia Nadais

domingo, 4 de julho de 2021

QUE SABEDORIA É ESTA QUE LHE FOI DADA?

 

As leituras de hoje, 14º Domingo Comum, ano B,  são se fato encantadoras! Todas elas, mas o Evangelho, Mc 5, 21-43, está por demais!

Mas… as pessoas acham que Jesus sabe e faz muitas coisas, mas para eles não é o bastante, pois a Sua filiação não tem horarias especiais como eles pensavam viria a ter o Messias.

Assim, Jesus encontrou muita falta de fé na Sua terra e entre os Seus!

Ninguém imaginou a humildade imensa Desse Homem/Deus! Humildade difícil de perceber e ainda mais difícil de praticar!

“”São João XXIII (1881-1963) papa Diário da alma, 1901-1903

«Que sabedoria é esta que Lhe foi dada [...]? Não é Ele o carpinteiro?»

Sempre que penso no grande mistério da vida oculta e humilde de Jesus durante os seus primeiros trinta anos, o meu espírito fica ainda mais confundido e faltam-me as palavras. Ah! É bem evidente que, face a uma lição tão luminosa como esta, não só os julgamentos do mundo, mas também os juízos e a maneira de pensar de muitos eclesiásticos parecem completamente falsos e encontram-se no extremo oposto.

Da minha parte, confesso que ainda não sei o que isto seja. Da maneira como me conheço, parece-me que só tenho uma aparência de humildade e que do seu verdadeiro espírito, desse desejo de passar despercebido que tinha Jesus Cristo de Nazaré, apenas conheço o nome. E dizer que Jesus passou trinta anos de vida oculta e que era Deus, e era o resplendor da glória e a imagem fiel da substância do Pai (cf Heb 1,3), que veio salvar o mundo, e fez tudo isso para nos ensinar como é necessária a humildade e como é indispensável praticá-la! E eu, que sou tão grande pecador e tão miserável, não penso senão em me comprazer a mim próprio, em me comprazer nos sucessos que me valem um pouco de honra terrena; nem sequer posso conceber o pensamento mais santo sem que nele se imiscua a preocupação com a minha reputação face aos outros. [...] No fim de contas, só com grande esforço me consigo acostumar à ideia do verdadeiro apagamento pessoal, tal como Jesus Cristo o praticou e tal como mo ensina.””

Ao ler este texto maravilhoso de São João XXIII, Papa, penso em mim mesma, como sou e como deveria ser. No que penso e no que deveria pensar, e resta-me pedir perdão pelas minhas inúmeras fraquezas!

É certo que, dia a dia, vou descobrindo, devagarinho, coisinhas a corrigir, mas tão longe estou da verdadeira humildade,

Sinto-me mal quendo ninguém liga ao que faço, quando não vejo valorizado o meu trabalho, a minha preocupação, a minha doação, o carinho com que tento tratar toda a gente que comigo se vai cruzando nos caminhos da vida, sem sequer pensar um pouco no que Jesus passou por mim e me ensinou a fazer!

Tenho certeza de que cada ser humano é muito importante para o Senhor e para os restantes seres humanos, mas cada um ou uma de nós, diferentes entre si, têm o mesmo valor perante Deus, e só Ele nos dignifica a vida, conforme nos vamos, com a ajuda do Seu Santo Espírito, identificando minimamente com Ele.

Senhor! Não sei mais que diga! Faz-me humilde, Senhor, do jeito que Tu mesmo foste do que cada vez me veja mais longe!

Ajuda-me a ser humilde, a reconhecer que és Tu que me ajudas a ser como sou, pois por mim só de nada sou capaz!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 2 de julho de 2021

“EU NÃO VIM CHAMAR OS JUSTOS, MAS OS PECADORES”

 


Esta frase, presente no Evangelho de hoje deixou-me a pensar!

Pronunciada há mais de dois mil anos, é atualíssima! Atualíssima para todos nós, principalmente os que se cruzam nos Movimentos Eclesiais ou na frequência às igrejas, Casas de Deus, nomeadamente às Eucaristias.

Todos somos pecadores, ou seja, na nossa caminhada de vida todos vamos fazendo asneiras, mais ou menos, maiores ou menores.

E o fato de, por isso, talvez, nos sentirmos um pouco mais ligados a Jesus, não podemos olhar os que andam mais afastados destes comportamentos como diferentes de nós, porque todos somos irmãos e Filhos muito queridos de Deus em Jesus Cristo.

Jesus deixou no mundo os Apóstolos a comandar a Sua Igreja da qual fazemos parte pelo  Sacramento do Batismo que nos foi administrado. E há batizados que frequentam as  igrejas e os Sacramentos, e outros que apenas são batizados e nada mais fazem… e ainda outros que nem batizados são!

Perante tudo isto, o que poderemos pensar, como deveremos proceder?

Temos de nos sentir felizes por nos parecer que estarmos a trilhar um bom caminho, mas assim como Jesus fez tudo para nos unir a Si e a Seu Pai no Espírito Santo, para O imitarmos minimamente, temos de fazer tudo pelas pessoas distanciadas da igreja, porque é para elas que Jesus se quer voltar quando diz, «Eu não vim chamar os justos mas os pecadores»

Isto não quer dizer que sejamos de fato justos, porque justo mesmo só Jesus, mas como, de certeza, temos consciência do mal que praticamos e de humildemente pedir perdão ao Senhor por isso, lendo meditando e ouvindo falar sobre as Escrituras, orando, rezando, ajudando e sendo carinhosa e atentamente presentes a quem necessita, pelo menos há  um pequeno esforço para vivenciar a Fé!

“”São Francisco de Assis (1182-1226)
fundador da Ordem dos Frades Menores
Carta a um superior da ordem franciscana

«Eu não vim chamar os justos mas os pecadores»

Saberei que amas o Senhor e que me amas a mim, seu e teu servo, se qualquer irmão, após ter pecado tanto quanto é possível pecar, puder ir ter contigo, pedir-te perdão e partir perdoado. Se não te pedir perdão, pergunta-lhe tu se quer ser perdoado. E se, depois disso, voltar a pecar mil vezes contra ti, ama-o mais ainda do que me amas a mim, para o conduzir ao Senhor. Tem sempre piedade desses infelizes. [...]

Se um irmão, instigado pelo inimigo, cometer um pecado grave, está obrigado, por obediência, a recorrer ao responsável. Os irmãos que conhecerem a sua falta não o hão de afrontar nem acusar; pelo contrário, dar-lhe-ão provas de grande bondade e calarão cuidadosamente o pecado do seu irmão, porque «não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes» (Mt 9,12). [...] E o superior agirá com ele com a mesma bondade que desejaria para si se se encontrasse em situação semelhante.

Se um irmão cair em pecado venial, confessar-se-á a um dos seus irmãos padres. Se não houver padre, confessar-se-á ao seu irmão, enquanto espera encontrar um padre que o absolva canonicamente. Os irmãos não poderão ordenar outra penitência a não ser esta: «Vai, e não tornes a pecar!» (Jo 8,11)””

Pois… mas quando sentimos a ação de Jesus bem no mais fundo do nosso coração, o amor aumenta, e o nosso maior desejo é que todos consigam sentir Jesus em si como nós sentimos. A humildade vai crescendo, a generosidade também, o gosto por ajudar arrasa o coração da vida e os segundos dos dias começam a ser cada vez mais curtos para chegarmos onde queremos e necessitamos para estar com Jesus, pecadores na busca do amor de outros pecadores!

Que Deus nos ajude!

Hermínia Nadais

quinta-feira, 1 de julho de 2021

ESTOU… BARALHADA!...

 

Pois! O tempo não me está a chegar para tudo e eu tenho que escolher o que devo fazer primeiro… depois fico preocupada porque há coisas que devia ter feito e não fiz… enfim! Coisas da vida! E é assim que se aprende e se cresce interiormente para nosso bem pessoal e para o bem de todas as pessoas que connosco convivem!

Urge aprender a pensar, a discernir o que se diz e a quem se diz, o que se faz e como se faz! Mesmo com a certeza de que Deus não nos desampara, ttemos que fazer o melhor que pudermos que foi ara isso que Ele nos criou!

Deus criou-nos para a vida! Vida neste mundo lindo onde nos colocou… e vida eterna com Ele para o que nasceremos quando esta nossa vida mortal chegar ao seu fim natural, a morte física!

“”Santo Anastácio de Antioquia (?-599) monge, depois patriarca de Antioquia - Homilia 5, sobre a Ressurreição; PG 89, 1358

«Ele não é Deus de mortos, mas de vivos»

«Foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos» (Rom 14,9); «Ele não é Deus de mortos, mas de vivos». Dado que o Senhor dos mortos está vivo, os mortos já não estão mortos, mas vivos: a vida reina neles, para que vivam e deixem de temer a morte, do mesmo modo que «Cristo ressuscitado dos mortos já não morre» (Rom 6,9). Ressuscitados e libertados da corrupção, já não verão a morte; participarão da ressurreição de Cristo, tal como Ele teve parte na sua morte. Com efeito, se Ele veio à Terra, que até então era uma prisão eterna, foi para «quebrar as portas de bronze e despedaçar os ferrolhos de ferro» (Is 45,2), para retirar a nossa vida da corrupção atraindo-a a Si, e nos dar a liberdade em substituição da escravidão.

O facto de este plano de salvação ainda não estar realizado -- porque os homens continuam a morrer e os seus corpos são desagregados pela morte -- não deve ser motivo de incredulidade. Já recebemos as primícias daquilo que nos foi prometido, na pessoa daquele que é o nosso Primogénito [...]: «Com Ele nos ressuscitou e nos sentou no alto do Céu, em Cristo» (Ef 2,6). Esperamos a plena realização desta promessa, quando chegar o tempo fixado pelo Pai, quando sairmos da infância e tivermos alcançado o «estado de homem perfeito» (Ef 4,13). [...] Como declarou o apóstolo Paulo, que bem o sabia, isso acontecerá a todo o género humano, por Cristo, que «transfigurará os nossos pobres corpos à imagem do seu corpo glorioso»(Fil 3,21). [...] O corpo glorioso de Cristo não é diferente do corpo «semeado na fraqueza, desprezível» ( 1Cor 15,43); é o mesmo corpo, transformado em glória. E o que Cristo realizou conduzindo ao Pai a sua própria humanidade, primeiro exemplar da nossa natureza, fá-lo-á para toda a humanidade segundo a sua promessa: «Quando Eu for elevado da Terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32).””

Claro que Deus é Deus de Vivos! Vivos evitando praticar o mal e fazendo o bem a toda a gente como Jesus nos ensinou! O pecado ou mal fazer é a nossa morte espiritual, e Deus quer-nos espiritualmente vivos, por isso mandou Jesus ao mundo para que, com a Sua Paixão, Morte e Ressurreição,  pudéssemos ser perdoados das nossas rebeldias, para que, com o Seu Preciosíssimo Corpo e Sangue  transubstanciado em vinho e pão nos servisse de alimento e fortalecesse a alma.

Que mais, Senhor, poderei dizer?

Obrigada meu Deus! Muito obrigada! Que sempre sejas louvado!

Hermínia NadaisA

segunda-feira, 28 de junho de 2021

JUSEU «CUROU TODOS OS DOENTES»

 

Quando falamos que Jesus curou todos  os doentes, não estamos a referir-nos a doenças corporais!

Enquanto andou neste mundo, de facto, curou inúmeras doenças, tantas que os evangelistas não conseguiram descrevê-las todas, o que é muito natural.

Ainda hoje há muitas curas de doenças corporais que não são, não podem ser confirmadas, pois essa confirmação é deveras exigente. Mas há acontecimentos em que se vê claramente que é a mão de Deus que resolve as situações que os médicos não conseguem resolver.

Contudo, há uma doença horrível a que chamamos pecado, que gera morte espiritual, e essa, Jesus cura-a sempre, logo que a pessoa se disponha a querer ser curada, no Sacramento da Penitência ou Confissão!

 “”São João Crisóstomo (c. 345-407) presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja - Homilias sobre São Mateus, 27,1

«Curou todos os doentes»

«Ao cair da tarde, trouxeram-Lhe muitos possessos. Jesus expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os doentes». Vês como a fé da multidão crescia pouco a pouco? Apesar de a hora ser avançada, não quiseram deixar o Senhor; sendo já tarde, podiam trazer-Lhe os doentes. Imagina o número de curas que os evangelistas não relataram; não no-las contam todas, uma a uma, mas mostram-nos um oceano infinito de milagres com uma só frase . E, para que a grandeza do prodígio não nos provoque incredulidade, para que não fiquemos perturbados com o pensamento de uma tal multidão ferida de males tão diversos e curada num instante, o evangelho traz o testemunho do profeta, tão extraordinário e tão surpreendente como os próprios factos: «Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, dizendo: "Tomou sobre Si as nossas enfermidades e suportou as nossas doenças"». Não diz que as destruiu, mas que as tomou sobre Si, que as carregou, frisando assim, no meu entender, que o profeta está a referir-se mais ao pecado que aos males do corpo, o que está em conformidade com a palavra de João Batista: «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29).”"

As doenças que Jesus tomou sobre si foram as nossas más atitudes, maus pensamentos, más palavras, raivas e rancores, tudo o que mancha o nosso ser espiritual que, embora não se veja, mostra o que somos pelo que nos leva a fazer.

Jesus, é, realmente, o Cordeiro Imaculado que tira o pecado do mundo, do coração das pessoas. Quanto mais nos ligarmos a Jesus e mais procurarmos viver na Tua constante e permanente imitação mais amor sentimos no nosso coração e mais nos entregamos a quem de nós necessita, imitando o Seu jeito de ser e estar!

Sagrado Coração do Bom Jesus, o Teu mês está a acabar, mas estarás cada vez mais presente no coração e vida de todos nós que tanto necessitamos de Ti!

Ajuda-nos Senhor, curando todas as nossas doenças da alma e se possível também do corpo. Tantas pessoas partem para a eternidade tão cedo, Senhor! Tu lá sabes porquê, mas a nós custa-nos muito ficar aqui na terra sem elas!

Louvado sejas, Senhor, para todo o sempre!

Hermínia Nadais

domingo, 27 de junho de 2021

A MENINA DORME!

 


A Liturgia Bíblica de hoje é deveras importante!

Antes de mais , a fé incomparável que provocou a cura da mulher que tocou as vestes de Jesus, sem sequer lhe ter dirigido uma única palavra. E as palavras que Jesus lhe dirigiu enfatizando a sua grande fé.

Depois, a ressurreição da filha  de Jairo e Hemorroísa!

Jesus não hesitou em  ir a sua casa ver a sua filha, mas claro, não foi com tanta pressa como a necessária e desejada pelo pai e a menina acabou por morrer!

Então Jesus, ao ver o sofrimento daquelas pessoas, disse que a menina não morrera, mas estava a dormir. E sozinho com os pais e os Apóstolos que levava consigo, pegou a menina, chamou-a pelo nome, mandou-a levantar-se e ela ficou de pé.

Como estava fraquinha da doença que a atingira, Jesus mandou que lhe dessem de comer!

Senhor… tantos ensinamentos juntos!

“”São Pedro Crisólogo (c. 406-450) bispo de Ravena, doutor da Igreja, Sermão 34; CCL 24, 193ss.

«A menina não morreu; está a dormir»

Toda a leitura do evangelho nos é muito proveitosa, quer para a vida presente como para a futura. Mas mais ainda o evangelho deste dia, pois contém a totalidade da nossa esperança e anula todo e qualquer motivo de desespero [...]. Um certo chefe da sinagoga que conduzia Cristo até junto da filha permitiu que uma Hemorroísa encontrasse Jesus [...]. Cristo conhecia o futuro e não ignorava que aquela mulher viria ao seu encontro. Graças a ela, o chefe dos judeus compreenderá que Deus não tem necessidade de Se deslocar, que não é necessário mostrar-Lhe o caminho nem solicitar a sua presença física. Pelo contrário, é preciso acreditar que Deus está presente em toda a parte, que Ele está aqui com todo o seu ser e para sempre. É preciso acreditar que Ele tudo pode realizar com uma simples ordem, que envia a sua força sem a transportar, que anula a morte com uma palavra, sem mexer um dedo, que dá a vida se assim o decidir, sem recorrer à medicina [...].

Ao chegar à casa e ao ver as pessoas chorar a menina como se tivesse morrido, Cristo quer trazer à fé aqueles corações incrédulos. Sabendo que eles pensavam ser muito mais fácil fazer sair uma pessoa do sono do que fazê-la ressuscitar de entre os mortos, Cristo declara que a menina estava adormecida e não morta.

A verdade é que, para Deus, a morte é um sono. Porque Deus faz um morto regressar à vida em menos tempo que o que levamos a acordar do sono alguém que dorme. [...]. Escutai o que diz o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final -- pois a trombeta soará --, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52) [...]. Aliás, como podia Ele condensar em palavras a rapidez de um acontecimento em que a força divina excede a própria rapidez? Como podia o tempo intervir no dom de uma realidade eterna, não submetida ao tempo?””

Não sei se esta explicação será assim tão fácil de compreender, mas, a morte, que vemos como o fim, não passa de um sono, ou seja, é o princípio de uma nova vida junto de Deus e dos Seus Anjos e Santos, na qual o corpo não é necessário. O nosso corpo é próprio desta vida terrena que todos temos.

O nosso corpo visível não é, de todo, o mais importante, mas o que temos e sentimos que ninguém pode ver a não ser pelo desenrolar da própria vida, da profissão que exerce, das obras que faz, das ajudas que dá, de como vive o amor para que foi criada como imagem de Deus e feita irmã de Jesus, pela vida, palavra atitudes, morte e ressurreição de Jesus, pela receção dos Sacramentos que nos deixou, pelos Dons do Espírito Santo que nos modificam de todo a vida!

Uma vida sem o Amor de Deus, eu não consigo imaginar, mas deve ser muito difícil de viver!

A consciência de que Deus está connosco e em nós e não nos deixa em nenhuma situação dá-nos uma situação de Paz inimaginável a quem nunca a sentiu

Senhor Jesus, que o Teu Amor nos fascine, o Teu Santo Espírito nos ilumine e encha da força necessária para seguirmos o melhor que pudermos os Teus inefáveis caminhos, estreitos, mas saborosos.

Hermínia Nadais

sábado, 26 de junho de 2021

FOME… DE DEUS!

 

Temos muito cuidado, ou devemos ter, com quem tem dificuldades na vida, com o dinheiro muito curto para a despesas e tendências a passar fome. E isso é muito bom, pois tudo o que fizermos aos nossos irmãos, às pessoas que connosco convivem, é o mesmo que fazê-las ao próprio Jesus como Ele afirmou: “Tudo o que fizerdes ao mais pequenos dos vossos irmãos, a mim o fazeis!”

Ora sabemos que os irmãos a que Jesus se refere não são irmãos de sangue, mas irmãos em Jesus Cristo, pois em Jesus Cristo somos todos irmãos, filhos de Deus que de todos é Pai amorosíssimo, carinhosíssimo, misericordioso e bom, que nos conhece a todos, um a um, melhor do que nós nos conhecemos a nós mesmos e sé deseja o bem para todos nós!

O texto que segue é de uma mulher dedicadíssima aos pobres, e vamos ver o que nos diz, que, se pensarmos bem em nós e nos outros, vemos que tem demasiada razão!

“”Santa Teresa de Calcutá (1910-1997) fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade  «A Simple Path»

«Jesus estendeu a mão e tocou-o»

Hoje em dia, a doença mais terrível do Ocidente não é a tuberculose nem a lepra, é a sensação de ser indesejado, de não ser amado, de ser abandonado. A medicina trata as doenças do corpo; mas o único remédio para a solidão, para a confusão e o desespero é o amor. Neste mundo, há muita gente que morre por falta de um pedaço de pão, mas há muito mais gente que morre por falta de amor. A pobreza que há no Ocidente é de outro género: não é só uma pobreza de solidão, é também uma pobreza de espiritualidade; é uma fome de amor, mas é também uma fome de Deus.””

De fato, nós limitamo-nos a tentar socorrer o que vemos, mas, realmente, a maior pobreza do mundo é, sem sombra de dúvida, a falta de amor, que mata a alma, e muitas vezes também o corpo, com tanta solidão na vida!

Muitas vezes nem sabemos bem o que fazer, mas nada como colocar-nos na presença de Deus e tentar a todo o custo descobrir e fazer a Sua Divina vontade, que nos encaminhará, indubitavelmente, para o que for mais necessário na vida de cada um.

Uma palavra amiga, um sorriso, um telefonema, uma visita, uma oração… tantas coisas podemos fazer pelas pessoas que amamos e por toda a gente em geral, principalmente pelas que mais precisarem que o mais das vezes não sabemos quem são, mas Deus sabe e as ajudará em tempo oportuno!

Senhor! Ajuda-nos a aproveitar todos os segundos dos dias da melhor forma que soubermos e pudermos, para Tua maior Glória e para a felicidade de toda a gente. Obrigada Senhor Jesus!

Sentir fome de Ti, Jesus/Deus, é muito bom, pois leva-nos a procura-Te por todas as formas possíveis e imaginárias, até Te encontrarmos em nós mesmos, muitas vezes escondido no mais profundo do nosso coração de onde nunca sais, ainda que coberto por um sem número de asneiras que façamos, pois esperas sempre que nos voltemos para Ti que És a felicidade de toda a gente! Obrigada, Senhor Jesus!

 

Hermínia Nadais