terça-feira, 15 de novembro de 2016

«O REINO DE DEUS ESTÁ EM NÓS»

Acerca do Evangelho de Domingo, de S. Lucas 21, 5-19, que nos fala da vinda de Cristo, diz-nos Santo Ambrósio:
“«Não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Estas palavras diziam respeito ao Templo edificado por Salomão [...], uma vez que tudo o que é construído pelas nossas mãos sucumbe ao desgaste ou à deterioração e está sujeito a ser derrubado pela violência ou destruído pelo fogo. [...] Mas dentro de nós também existe um templo que se desmorona se a fé faltar, em particular se em nome de Cristo procurarmos em vão apoderar-nos de certezas interiores, e talvez seja esta interpretação a mais útil para nós. Com efeito, de que servirá saber o dia do Juízo? De que me servirá, tendo consciência de todos os meus pecados, saber que o Senhor virá um dia, se Ele não vier à minha alma, não crescer no meu espírito, se Cristo não vier a mim, se Cristo não falar em mim? É a mim que Cristo deve vir, e é em mim que deve realizar-se a sua vinda.
Ora, a segunda vinda de Cristo terá lugar no nadir do mundo, quando pudermos dizer que «o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo» (Gal 6, 14). [...] Para quem lhe morreu o mundo, Cristo é eterno; para esse, o Templo é espiritual, a Lei espiritual, a própria Páscoa espiritual. [...] Então, para esse, realiza-se a presença da sabedoria, a presença da virtude e da justiça, a presença da redenção, porque Cristo na verdade morreu uma só vez pelos pecados de todos a fim de resgatar todos os dias os pecados de todos.”
É necessário darmos atenção a estas explicações, pois são muito pertinentes!
Cada vez se me tornam mais pertinentes!
Na caminhada da vida a aprendizagem é contínua, e quando temos a ventura de começar a viver ao jeito de Jesus Cristo e nos surgem explicações destas que nos alertam para o Reino de Deus que está em nós... tocam-nos até ao mais fundo da alma... ajudam-nos a sentir verdadeiros momentos de céu!
Que Deus seja louvado!

HN

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

«O REINO DE DEUS ESTÁ ENTRE VÓS» (Lc 17,20-25)

O comentário a esta Leitura Evangélica,  Lc 17, 20-25, foi retirada de Isaac, o Sírio, que viveu no século XVII e diz assim:

“Os demónios temem-no, mas Deus e os anjos desejam o homem que com fervor, dia e noite, procura a Deus no seu coração, e que afasta para longe de si as ofensas do inimigo. O lugar espiritual de um homem com esta pureza de alma está no interior de si mesmo: o sol que brilha nele é a luz da Santíssima Trindade; o ar que os seus pensamentos respiram é o Espírito Santo consolador; e os santos anjos estão com ele. A sua vida, a sua alegria, o seu júbilo, são Cristo, luz da luz do Pai. Este homem rejubila a todas as horas de contemplação da sua alma, e maravilha-se com a beleza que nela vê, cem vezes mais luminosa que o esplendor do céu.
Esta é Jerusalém. É o Reino de Deus que está em nós, segundo a palavra do Senhor. Esse país é a nuvem da glória de Deus, onde apenas os corações puros entrarão, para contemplar a face de seu Mestre (Mt 5,8), e o entendimento que têm do Senhor será iluminado pelos raios da sua luz.”
Pensei seriamente neste texto/meditação, e decidi partilhar.
Não sei que sentimentos irá provocar.
Talvez, numa primeira leitura não se consiga ir bem ao fundo da sua maravilhosa profundidade... mas com um pouco de insistência verificaremos que nos diz muito, e que, de facto, com a ajuda do Espírito Santo de Deus e imbuídos da Sua imensa Paz conseguimos ver-nos um pouquinho nessa Jerusalém celeste que nos descreve Jesus!
Não tenho mais palavras! Neste momento apetece-me dizer como os Apóstolos no Monte Tabor! Senhor, façamos aqui três tendas...
Que Deus seja louvado!

HN

domingo, 13 de novembro de 2016

OS CRISTÃOS DEVEM SER “SAL E LUZ”

O desânimo de pessoas que se dedicam a trabalhar na expansão do Reino de Deus faz com que, por vezes, digam expressões como esta: «Para quê pensar em grandes massas, se já o Senhor dizia que nós temos de ser “sal da terra e luz do mundo”.
Ora, ainda que pequena, a  luz nunca passa despercebida na escuridão; e quem percebe algo de cozinha sabe que pouco sal dá para temperar.
Sim! Estas serão razões a considerar.
Mas… perante o número gigantesco de seres humanos que vivem no mundo, os cristãos, mesmo que aumentem em quantidade, serão sempre poucos, o tal “sal e luz” de que Jesus falou e ainda hoje nos fala através da Sua Igreja.
Mas, há “cristãos” que, antes de serem sal e luz para toda a gente que não conhece nem vive segundo Jesus mais, terão de ser “sal e luz” para outros cristãos que o são apenas de nome e pouco mais… ou mais nada mesmo.
Ate porque… se o cristão é o filho de Deus pelo Baptismo e por ter nascido integrado no mundo dentro onde se fala e vive da Igreja Católica, só por esse facto será muito mais culpado do que qualquer outro homem ou mulher, se não seguir a orientação que Cristo nos trouxe, porque nasceu e cresceu no meio da orientação de Cristo, da orientação cristã.
Então, antes de mais, terá que haver a conversão dos próprios cristãos ao verdadeiro cristianismo que Cristo pregou e viveu, exemplificou, pois, acreditemos ou não, por causa da incredulidade e incoerência de muitos que são cristãos pelo Baptismo mas vivem como se não fossem cristãos é que a mensagem de salvação de Jesus Cristo não passa para outros povos, para outras pessoas que, bem vistas as coisas, têm a salvação assegurada nos planos de Deus como diz Jesus: “Virão muitos do Oriente e do Ocidente (os que nunca ouviram falar de Deus) e sentar-se-ão à Mesa do Reino, enquanto vós (cristãos baptizados) ficareis de fora” (porque tudo vos foi dito e nada ouvistes, tivestes tudo à vossa disposição, e não aproveitastes nada).
Que o Divino Espírito Santo nos ajude a viver bem ao jeito de Jesus, como a todos convém, para a harmonia, paz, fraternidade e amor entre todos os povos, para que haja mais felicidade e bem-estar!

HN

sábado, 12 de novembro de 2016

SOMOS... OS VERDADEIROS TEMPLOS DE DEUS!

Aquando dos aniversários de Igrejas, Catedrais, Basílicas e outros Templos importantes celebram-se festivamente, com as leituras apropriadas ao valor do imóvel na vida das pessoas como Templo de Deus ou Casa de Deus que urge respeitar e visitar como lugar de oração e encontro.
Não sei o nome do autor, pois não o fixei, mas na dedicação da Basílica de São João de Latrão o Evangelho Quotidiano trazia esta meditação:
“Hoje, meus irmãos, celebramos uma grande festa; é a festa da casa do Senhor, do templo de Deus, da cidade do Rei eterno, da Esposa de Cristo. [...] Perguntemo-nos, pois, o que é a casa de Deus, o seu templo, a sua cidade, a sua Esposa. Digo-o com temor e respeito: somos nós. Sim, nós somos tudo isso, mas no coração de Deus. Somo-lo pela sua graça e não pelos nossos méritos. [...] A humilde confissão das nossas penas provoca a sua compaixão. Esta confissão dispõe Deus a vir em socorro da nossa fome como um pai de família e a fazer-nos encontrar junto dele pão em abundância. Somos, portanto, a sua casa, onde nunca falta o alimento da vida. [...]
«Sede santos», está escrito, «porque Eu, o vosso Senhor, sou santo» (Lv 11,44). E o apóstolo Paulo diz-nos: «Não sabeis que os vossos corpos são o templo do Espírito Santo e que o Espírito Santo tem em vós a sua morada?» Mas bastará a própria santidade? Segundo o apóstolo, é necessário também a paz: «Procurai viver em paz com toda a gente e também a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus» (Heb 12,14). É esta paz que nos faz viver juntos, unidos como irmãos, é ela que constrói para o nosso Rei uma cidade toda nova chamada Jerusalém, que quer dizer: visão da paz. [...]
Por fim, é o próprio Deus quem nos diz: «Desposei-te na fé, desposei-te no julgamento e na justiça [a dele, não a nossa], desposei-te na ternura e na misericórdia» (Os 2,22.21). Não é verdade que Ele Se comportou como um esposo? Que vos amou como um esposo, com o ciúme dum esposo? Então, como poderíeis não vos considerar sua esposa? Assim, meus irmãos, uma vez que temos a prova de que somos a casa do Pai de família por causa da abundância dos bens que recebemos, o templo de Deus por causa da nossa santificação, a cidade do grande Rei por causa da nossa comunhão de vida, a esposa do Esposo imortal por causa do amor, parece-me que posso afirmar sem receio: esta festa é a nossa festa!”
Que grandeza a nossa! Que grandeza Deus nos dá, vivendo em nós, fazendo de nós a Sua morada!
Como agradecemos ao Senhor tanta dedicação, amor e carinho?
Como procuramos viver para correspondermos a tudo quanto o Senhor nos vai dando a cada instante?
É caso para pensar muito! Que o Espírito Santo nos ajude!

HN

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DEUS E O HOMEM

A vontade de Deus é a felicidade de todo o homem;
Muitos homens perdem essa felicidade por trilharem, livremente, caminhos contrários aos que Deus traçou para eles, os chamados caminhos da perdição, o que se chama de pecado; outros homens, sentem-se felizes por se julgarem nos caminhos de Deus.
Ora, para que os homens possam trilhar as sendas que levam a Deus, Ele, Deus, os prenderá nas amarras do seu Amor, porque, por si só, o homem nada faz, porque nada pode fazer.
Esta verdade incontestável atribui a todos os cristãos uma responsabilidade infinita na obra redentora do mundo, pois o homem, sabendo-se de todo impotente, e reconhecendo a sua força e o seu amor como dádiva gratuita de Deus, deveria, nesta linha de pensamento, entregar-se à conquista incansável de outras almas (homens e mulheres) para o mesmo amor que o atraiu tão docemente, oferecendo gratuitamente todo o seu ser (corpo, alma e coração), para que o Espírito de Deus possa fazer o resto.
Nenhum homem que ame verdadeiramente a Deus pode viver em paz tranquila, enquanto houver homens distantes dos caminhos do amor que são os caminhos de Deus.
Que São Martinho peça ao Senhor por nós!

HN

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O DECORRER DOS DIAS

Os dias passam a correr enquanto a vida se vai desenrolando no decorrer dos dias, surpreendendo-nos a cada passo das mais diversas formas, umas bonitas de se ver outras difíceis de se sentir!
E é com tudo isto que se aprende a crescer, a amar incondicionalmente e a sorrir alegremente ainda que a vida doa... porque o esforço que a vida exige dói mesmo.
É que o esforço da aprendizagem é sempre amargo se o olharmos em si mesmo e não com a esperança dos melhores dias que o mesmo esforço nos vai preparando sem darmos por isso.
O esforçado é o contrário do preguiçoso, e lá diz o velho ditado que a preguiça nunca manteve bons criadosbons serviçais, bons estudantes, bons artistas, bons trabalhadores...
Que sejamos esforçados em todos os minutos de todos os dias, aperfeiçoando todas as coisas que fizermos, sendo dedicados e delicados com toda a gente.
A beleza exige esforço, e o maior esforço que temos de fazer é o lidar como convém connosco mesmos para conseguirmos acabar com os nossos defeitos e desenvolver as nossas qualidades ou dons tão necessários para a felicidade de todos!
Não podemos esquecer que o sermos sociais nos exige partilha de todos os saberes para o enriquecimento ou desenvolvimento mútuo sem o qual o mundo nunca poderá avançar, melhorar!
Que a nossa força de vontade não nos falte porque Deus está sempre pronto a ajudar-nos... no decorrer de todos os dias!
Que sempre seja louvado!

HN

domingo, 6 de novembro de 2016

MULTIDÕES!

Não fomos criados para viver sós, mas em grupo! Por isso o natural é nascermos e crescermos numa família, a base da sociedade que é formada por muitas famílias.
E o interessante é que, em todas as localidade por onde passamos vemos atitudes lindas... e reparamos que de uma localidade para outra, existe uma diferença abismal na forma como as pessoas vivem e convivem.
E o comportamento da Comunicação Social fica a martelar na mente que nos questiona como é possível não encontrar nada de bom para noticiar no meio de tanta maravilha que se vê e ouve por aí-... não dá para entender!
A resposta a esta questão é que a prática do bem não faz barulho! O bem é silencioso!
Mas enquanto não mostrarmos o bem às multidões, o mal continuará a alastrar nos pequenos grupos que foram as multidões, não há dúvidas!
É óptimo que prestemos atenção ao que se passar à nossa volta de modo a fazer tudo o que pudermos para mostrar os bons comportamentos  e as qualidades das pessoas, pois só assim o bem começará a vencer o mal como todos desejamos.
Que São Nuno de Santa Maria, que hoje se celebra,  nos proteja!
Boa semana!

HN

sábado, 5 de novembro de 2016

NÓS... SOMOS NATUREZA!

E... num instante... sentimo-nos inebriados com o Outono a atapetar-nos o espaço onde os pés pisam a maciez amarelada das folhas que o vento ali poisou, carinhosamente, para nós!
A Natureza... é de uma beleza estonteante!
Pois é! Maravilhamo-nos com tantas doçuras que vemos na Natureza... mas quase sempre nos esquecemos de que nós também somos parte integrante da Natureza!
E ao sermos parte integrante da Natureza... também somos muito belos! Se não aos olhos dos homens... aos olhos de Deus Pai somos de certeza! Cada qual com sua natureza diferente, com as suas dificuldades e dons específicos, com a sua maneira de ser e estar diferentes de todas as outras pessoas!
E é com todas essas pessoas muito belas e importantemente diferentes entre si que a Humanidade é constituída!
Agora teremos que nos questionar: Se somos capazes de ver tantas maravilhas na Natureza que nos circunda... por que será que nos seres humanos encontramos sempre tantos defeitos???
Serão as outras pessoas que têm esses defeitos todos... ou seremos nós próprios que os temos e em vez de os vermos em nós para os corrigir vamos encontrá-los nos outros para os criticar?
É que criticar os outros, destrutivamente, não os leva a nada, pois as únicas pessoas que devemos criticar é a nós mesmos, e ainda assim, construtivamente, pois de contrário acabamos por desanimar e não chegamos a lado nenhum!
Não conseguimos crescer como a todos convém!
Um bom fim-de-semana, cheio de belezas surpreendentes e muito crescimento!

HN

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

RESSURREIÇÃO...

Ao chegar o Novembro, falando-me de Santos, e  de Defuntos, o que de qualquer forma me agudiza a saudade dos meus mais próximos que se encontram já na Terrada Luz e da Verdade... apetece-me pensar em ressurreição. Apetece-me sonhar que esses meus tão queridos se encontram ressuscitados na face maravilhosa e misericordiosa de Deus numa felicidade sem limites tal como Jesus nos prometeu!
Mas... porque... surgidos como matéria bruta que tem que ser trabalhada e na certeza de que nascemos para a felicidade, temos que lutar por ela! Temos que fazer tudo para sermos felizes!
Não procurando grandeza, riqueza, fama ou dinheiro, mas olhando-nos tal qual somos, exterior e mais ainda interiormente, de modo a conhecer-nos o melhor possível para aprimorar os nossos comportamentos do dia a dia integrando na vida o exemplo e palavras de Jesus de modo a fazer tudo para sermos com todos os nossos irmãos, bons ou menos bons, caritativos, amorosos e misericordiosos como Deus Pai é connosco!
Claro que, quando dizemos como Deus é connosco não estamos a pensar-nos como Deus que nos ama mais do que nós próprios nos amamos e nos conhece melhor do que nós próprios nos conhecemos, mas a sonhar sermos o mais parecidos com Jesus, que éa cara chapada do Pai.
E viver ao jeito de Jesus é deixar para trás uma vida de ódio, inimizade, desavença, má língua, preguiça, egoísmo, avareza... e entrar numa vida de amizade, compreensão, solidariedade, graça, amor, felicidade...
E é esta vida de ressurreição que temos de levar por diante, unidos a Jesus, e como membros do Seu Corpo Místico, unidos a todas as pessoas que amam, porque quem ama vive em Deus porque o amor só pode vir de Deus/Amor.
E não há ninguém que não ame a sério sem esperar nada em troca, nem que seja um pouquinho só.
E muitas vezes são essas pequenas migalhas de amor, reconhecidas com carinho, que acabam por levar a pessoa a descobrir o Deus que a habita e a pode levar a amar muito mais e, consequentemente, a ser muito mais feliz, diferente, ressuscitada!
Que bom seria se nos amássemos de verdade e soubéssemos aceitar e agradecer as pequenas centelhas de amor que nos envolvem a vida, vindas de tanta gente que nem sequer conhecemos!
A vida é bela! O Amor é belo! A alegria é bela!
Vivamos na beleza!  Vivamos em permanente ressurreição!

HN

domingo, 30 de outubro de 2016

OS NOSSOS... MISTÉRIOS!

Não sei se o mundo se abre para os seres, se os seres se abrem para o mundo. As duas situações, em simultâneo, acontecem tão naturalmente que nem sequer delas nos apercebemos. Para conseguirmos uma ideia do que poderá ter sido o nosso aparecimento e integração no mundo, seria bom que nos pudéssemos imaginar um bebé acabado de ser concebido. Parece descabida esta afirmação, pois na realidade não há memória de alguém  se lembrar de alguma coisa que se tenha passado consigo durante a vida intra-uterina. Todavia, na actualidade temos a certeza que, estudos muito aturados e acompanhados de investigações seguras provam que as vivências no seio materno têm influência no comportamento dos recém-nascidos e, em boa parte, podem determinar a sua forma de ser na vida futura.
A psicologia põe em evidência certos factores determinantes que podem transmitir-se, geneticamente, de pais para filhos: é a côr dos olhos, da pele e do cabelo, o tom de voz, os sinais da pele... tipo de sangue.... é muito corrente falarmos em doenças transmissíveis, e quando os bebés apresentam certas maneiras de ser, as expressões, “tal pai tal filho”... “tal avô tal neto”...”tal mãe tal filha”... saem-nos sem mais nem porquê. E então, se se trata de calma ou nervosismo... as semelhanças têm tendência a verem-se mais acentuadas. É um facto incontestável que os descendentes tenham algo dos seus progenitores, incompreensível seria se assim não fosse. Mas, a esta parte, muita fita tem sido gravada e muita tinta, papel e tempo têm sido gastos no estudo do desenvolvimento dos seres humanos desde o nascimento, e há sempre coisas que se constatam e que nos surpreendem. As semelhanças físicas podem aparecer até depois de quatro ou cinco gerações, são imutáveis bem assim como alguns traços fundamentais do psiquismo. Agora, falando do comportamento mais superficial, com o desenvolvimento dos órgãos de comunicação social e consequente informação de massas, somos confrontados com as mais díspares situações que nos levam a pensar que não deverá ser tanto assim. É muito comum aparecerem-nos crianças adoptadas que se identificam por demais com os pais adoptivos. E isto porque, com as semelhanças entre gerações, muitas vezes, os traços fisiológicos passam mais despercebidos do que as atitudes comportamentais, e o psiquismo de base nem sempre é visível pela sociedade que nos envolve. Um outro pormenor que acentua a descrição que se segue é que, no caso de adopção, os pais adoptivos têm preferência por crianças quanto mais jovens melhor. Há mesmo os que tomam conta delas logo após o nascimento. Esta é a resposta a que o ser humano tem qualidades inatas e adquiridas. Poderão chamar-se inatas os traços fisiológicos, tipo de sangue e doenças transmissíveis, porque a parte psicológica e comportamental pode muito bem ser trabalhada no pós nascimento.
Mas… ficará para uma outra ocasião

HN

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

FARISEU E PUBLICANO

Nesta semana de Educação Cristã nada como ter na cabeça e vida o Evangelho do passado Domingo que nos apresenta o Fariseu e o Publicano ambos a  rezar.
Na vida diária e segundo a lei e costumes do tempo o Fariseu cumpria tudo à risca, e até fazia mais do que a lei mandava, a Lei de Moisés escrita e interpretada lá do jeito deles; o Publicano, pelo contrário, era um fora da lei com tudo o que isso implica.
Ora quando se juntaram no Templo, com tantas diferenças de comportamento, cada um se viu do seu jeito. Então o Fariseu olhou-se com toda a importância de acérrimo cumpridor da Lei, enquanto que o Publicano se olhou como um desvirtuado e perverso.
Cada um deles olhar-se como é, não tem nada de mal. Mas... na realidade... a pessoa humana é tão fraca que sozinha, sem uma ajuda especial de Deus não pode praticar o bem, e foi isso que faltou à oração do Fariseu, a humildade de reconhecer a ajuda de Deus para conseguir praticar o bemou o que pensava bem na sua vida, chegando, por isso, a desprezar tanto o Publicano.   
Então... na nossa vida... façamos tudo para conseguir levar a sério o que pensamos ser a vontade de Deus a nosso respeito como fazia o Fariseu... mas rezemos como o Publicano... reconhecendo o mal que praticado e a nossa pequenez perante o Senhor agradecendo toda a ajuda que Ele nos vai dando ao longo de todos os segundos.
Uma boa semana, com muita oração!

HN 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FUGA... BUSCA... PROCURA... ENCONTRO...


Fuga... busca... procura... encontro...
Estas palavras estão sempre bem presentes na nossa mente, até porque, por razões que todos conhecemos... e que a maior parte das vezes não são as melhores... a Comunicação Social não nos deixa esquecê-las.
Mas vamos esquecer roubos assassinos e outros coisas que tais... e mesmo as pessoas que nos rodeiam... para nos centramos em nós próprios, pois encerramos numa só pessoa que somos nós mesmos, todas estas expressões que nos parecem  tão deprimentes.
Se pensarmos um pouquinho... veremos que estas fugas fazem parte, na realidade, das nossas tendências naturais!
Vamos começar pela fuga, pelas nossas fugas! Pelo fugir das dificuldades, das pessoas que não gostamos tanto, de um animal que detestamos ou nos parece feroz, de um trabalho que não gostamos de fazer... de um telefonema que de antemão sabemos que nos faz ouvir... ouvir... sem saber o que dizer... e nós com tanto trabalho para fazer... E por aí adiante. Um montão de fugas... fugas de tudo o que está fora de nós e de qualquer modo nos embaraça a existência desejada.
Deste tipo de fugas... há, de facto, fugas que teremos de fazer, como o fugir de tudo o que é mau e faz mal... mas haverá outras fugas que teremos de abraçar, quando se trata de ajudar quem necessita de nós, do nosso tempo, das nossas palavras, do nosso trabalho, do nosso sorriso, do nosso carinho e ternura, da nossa presença, dos nossos gestos de compaixão misericórdia e amor... que de tão interligados até se confundem entre si!
Mas... agora... vem a pior das fugas... o fugir de nós mesmos!
O fugir de entrar no nosso íntimo, lá bem no fundo, naquele sítio real/imaginário a que chamamos coração, onde se encontram as raízes das nossas más tendências, aquelas que geram em nós acções menos dignificantes e que teremos de nos esforçar muito para as modificar, para torná-las menos fortes a fim de termos uma vida mais amável, compreensiva, caritativa, solidária, humana.
Mas também é lá, bem no fundinho de nós mesmos,  no tal sítio real/imaginário a que chamamos coração, que se encontram as nossas apetências, habilidades, qualidades, dons... para procurar, buscar, encontrar e desenvolver de modo a podermos ser mais o que devemos neste mundo lindo onde vivemos por obra e graça de Deus.
Então... hoje... vamos decidir não mais fugir de nós e dar mais atenção ao nosso “ser pessoa”, buscando e procurando intensamente tudo quanto de menos bom houver em nós para o tornar melhor... e tudo quanto de bom lá houver para o podermos desenvolver como a todos convém!
Se o fizermos, inúmeras coisas mudarão em nós mesmos e no nosso meio ambiente circundante!
O mundo ficará mais rico e com menos tragédias humanas que tanto nos preocupam!
Uma boa sexta – feira, repleta de bons encontros!

HN

terça-feira, 18 de outubro de 2016

BELEZAS DA NATUREZA!

Hoje de manhã, de caminho para a Eucaristia, olhei um pouco mais profundamente para as árvores que ladeiam a estrada, e pensei para comigo: como é possível esta passagem esplendorosa das folhas verdes a um amarelado avermelhado acastanhado que não sei definir?
A Natureza faz milagres, porque Deus está na Natureza!
E nós também somos Natureza, obras de Deus! Porque será que não conseguimos ver os milagres que Deus vai fazendo em nós? Se o conseguíssemos, como o mundo ficaria diferente!...
Temos a tendência a imitar o que vemos ou ouvimos! E não temos aliciantes a imitar!
Agora mesmo, enquanto vou escrevendo, a TV vai falando do tal Pedro Dias… uma das situações que faz parte do dia a dia da nossa Comunicação Social que se esfalfa por encontrar horrores para comentar, o que gera cada vez mais horrores!
Até quando teremos que escutar assassínios e roubos todos os dias enquanto há tantas boas acções que passam despercebidas a toda a gente que as devia comentar!
Recordo o tempo em que Portugal era um País calmo e sossegado, sem assaltos nem sobressaltos! E temo que estes temerosos incidentes continuem, pois são o que nos é posto na frente dos olhos para imitar!
Senhor! Se a Natureza consegue mudar tão bem a cor das folhas, faz com que a mente dos homens que dominam a sociedade descubra um jeito de mostrar aos outros homens e mulheres o verdadeiro caminho a seguir, o da aceitação, compreensão, fraternidade, solidariedade, amor e paz que é a única forma de conseguirmos ser felizes como a todos convém!

HN

domingo, 16 de outubro de 2016

REZAR… É ESTAR COM DEUS

Rezar é estar com Deus para viver ao Seu jeito como nos exemplificou Jesus Cristo!
Há vários dias que não me canso de pensar no Evangelho da Eucaristia de hoje, “O juiz iníquo e a viúva persistente!”
Vejamos o que, a respeito, nos diz o Papa Francisco:
«»
 “A parábola da viúva e do juiz iníquo nos ensina a necessidade de rezar sempre, sem cessar. O juiz da parábola, que não temia Deus e era uma pessoa sem escrúpulos, dada a insistência da pobre viúva, que não tinha mais ninguém no mundo, acaba tendo que fazer justiça. Com essa imagem, Jesus ensina que, se até um juiz inescrupuloso se dobrou à insistência da viúva, muito mais fará Deus que não deixará de escutar prontamente as nossas orações. Contudo, o fato de que sempre nos escute na oração, não significa que Deus faça tudo no tempo e no modo que nós gostaríamos. A oração não é uma varinha mágica; ela é uma ajuda para conservar a fé em Deus, confiando n’Ele mesmo quando não compreendemos a sua vontade. De fato, a oração transforma o nosso desejo e o modela segundo a vontade de Deus, seja ela qual for, pois, rezando, aspiramos em primeiro lugar à união com Deus, que é o Amor misericordioso”.
«»
Ainda sobre a mesma parábola, diz-nos a Santa Madre Teresa de Calcutá:
«»
“Gostar de rezar. Sente-se muitas vezes, ao longo do dia, a necessidade de rezar. A oração dilata o coração a ponto de ele se tornar capaz de receber o dom de Deus, que é Ele próprio. Pede, procura, e o teu coração alargar-se-á a ponto de O receber, de O guardar como seu bem.
Desejamos tanto rezar bem, e depois não conseguimos; então perdemos a coragem e desistimos. Se queres rezar melhor, tens de rezar mais. Deus aceita o fracasso, mas não quer que percas a coragem. Ele quer que sejamos cada vez mais crianças, cada vez mais humildes, cada vez mais cheios de gratidão na oração. Quer que nos recordemos de que pertencemos ao corpo místico de Cristo, que é oração perpétua.
Devemos ajudar-nos uns aos outros com as nossas orações. Libertemos o espírito. Não rezemos longamente: que as nossas orações não sejam intermináveis, mas breves e cheias de amor. Rezemos por aqueles que não rezam. Recordemos que aquele que quer ser capaz de amar tem de ser capaz de rezar.”
«»
Dois testemunhos que nos podem ajudar a aprender a rezar mais e melhor como a todos convém!
Deus ama-nos e cuida-nos sempre, ainda que não rezemos, mas para O sentir connosco temos que querer estar com Ele, desejar senti-Lo e que os outros O sintam também. Desejo que pode ser expresso por pensamentos ou palavras e que, impreterivelmente, redundará em acções concretas de solidariedade e fraternidade, de encontro de união, de aceitação e compreensão, de paz e amor!
Que o Espírito Santo nos ajude!

HN

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

QUEM SOMOS NÓS!

Somos interior… e exterior! Somos o que se vê… mas antes e acima de tudo o que se não vê e só mesmo Deus conhece em profundidade porque muitas vezes não temos capacidade de nos reconhecermos a nós mesmos. Pelo menos comigo isto acontece muitas vezes.
No referente ao comportamento dos fariseus gostei imenso desta meditação que me chegou de Balduino de Ford, que nos faz ir mais fundo no reconhecimento das nossas fraquezas e debilidades:
«»
«Limpais o exterior. [...] Quem fez o interior não fez também o exterior?»
O Senhor conhece os pensamentos e as intenções do nosso coração. Ninguém duvida de que Ele os conhece de facto a todos, mas nós só conhecemos os que Ele nos torna manifestos pela graça do discernimento. Porque o espírito do homem nem sempre sabe o que há nele; e mesmo quando se trata dos seus próprios pensamentos, sejam eles queridos ou não, tem deles uma ideia que nem sempre corresponde à realidade. Nem os que se apresentam com evidência aos olhos do espírito discerne com precisão, tão obscurecido está o seu olhar.
Com efeito, acontece frequentemente, por uma razão humana ou procedente do tentador, deixarmo-nos levar pelo pensamento para aquilo que é só aparência de piedade e que, aos olhos de Deus, não merece de maneira nenhuma a recompensa prometida à virtude. É que há coisas que podem apresentar o aspeto de verdadeiras virtudes, como também de vícios, e enganar os olhos do coração. Pelas suas seduções, podem perturbar a visão da nossa inteligência ao ponto de muitas vezes lhe fazer tomar por um bem realidades que realmente são más, e inversamente, levá-la a ver um mal onde, na verdade, não existe. É um aspeto da nossa miséria e da nossa ignorância que muito precisamos de deplorar e grandemente de temer. [...]
Quem pode verificar se os espíritos procedem de Deus a não ser que tenha recebido de Deus o discernimento dos espíritos? [...] Este discernimento é a fonte de todas as virtudes.
«»
É por estas e outras que, depois de muito estudar meditar e vivenciar me sinto uma enormíssima ignorante ávida de descobertas que creio só as conseguirei mesmo na continuação desta vida a que chamamos eternidade.
Um bom 13 de Outubro com todas as recordações e vivências que nos traz à flor da vida!

HN

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CRISTÃOS… TERÃO DE SER PESSOAS ALEGRES!

Não sei de quando são estas palavras do Papa Francisco, mas que me tocaram bem fundo o coração é uma grande verdade!
E tenho a certeza de que, se passarem mais uns dias, e as voltar a ler, me irão tocar de novo… bem cá no fundo! Por isso… há que partilhar:
““Podemos caminhar rumo àquela esperança que os primeiros cristãos representavam como uma âncora no céu. Aquela esperança que nos dá alegria.”
“O cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria! Mas, Padre, eu já vi tanta coisa! Não são cristãos! Dizem que são, mas não são! Falta-lhes alguma coisa. A carteira de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido escolhido por Jesus, salvo por Ele, regenerado por Jesus. A alegria daquela esperança que Jesus espera de nós, a alegria que, nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se expressa de outra maneira que é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha. Está connosco”.
“O cristão faz esta alegria crescer com a confiança em Deus. Deus se lembra sempre de sua aliança. O cristão sabe que Deus se lembra dele, que Deus o ama, que Deus o acompanha, que Deus o espera. Esta é a alegria”.
O encontro de Jesus com o jovem rico, um homem que “não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza”, “porque possuía muitos bens”:
“Era apegado aos bens! Jesus nos disse que não se pode servir a dois senhores: ou serve a Deus ou serve as riquezas. As riquezas não são ruins em si mesmas: mas servir a riqueza, esse é o mal. O pobre homem foi embora triste… “Ele franziu a testa e retirou-se triste”. Quando em nossas paróquias, nas nossas comunidades, em nossas instituições, encontramos pessoas que se dizem cristãs e querem ser cristãs, mas são tristes, algo está errado. E nós devemos ajudá-las a encontrar Jesus, a tirar essa tristeza, para que possa se alegrar com o Evangelho, possa ter essa alegria que é própria do Evangelho”.”
Quantas vezes ficamos apegados ao que não devemos e nos dá tristeza?
Muitas… talvez! Que o Espírito Santo nos ajude  a ser alegres, a escolher sempre o melhor caminho a seguir, o da alegria no Senhor!
Boa semana!
HN


sábado, 8 de outubro de 2016

GESTOS DE MISERICÓRDIA!

Este ano… de Misericórdia… tem-me dado muitas voltas à cabeça… e feito ler e meditar muito em muitos escritos que de todas as formas me vão chegando!
Acerca da tão conhecida ‘multiplicação dos pães’ vejamos o que nos diz o Papa Francisco:
«Também isto é “fazer” com Jesus, é “dar de comer” juntamente com Ele. Evidentemente, este milagre não pretende apenas saciar a fome de um dia, mas é sinal daquilo que Cristo pretende realizar pela salvação de toda a humanidade, dando a sua carne e o seu sangue (cf. Jo 6, 48-58).
E, no entanto, é preciso viver sempre estes dois pequenos gestos: oferecer os poucos pães e peixes que temos; receber o pão partido das mãos de Jesus e distribuí-lo a todos.
“Partir”: esta é a outra palavra que explica o significado da frase “fazei isto em memória de Mim”.
O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros. Foi precisamente este “partir o pão” que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos.
Lembremo-nos de Emaús: reconheceram-No “ao partir o pão” (Lc 24, 35). Recordemos a primeira comunidade de Jerusalém: “Eram assíduos (…) à fração do pão” (At 2, 42).
É a Eucaristia que se torna, desde o início, o centro e a forma da vida da Igreja. Mas pensemos também em todos os santos e santas – famosos ou anônimos – que se “repartiram” a si mesmos, a própria vida, para “dar de comer” aos irmãos.
Quantas mães, quantos pais, juntamente com o pão quotidiano cortado sobre a mesa de casa, repartiram o seu coração para fazer crescer os filhos, e fazê-los crescer bem!
Quantos cristãos, como cidadãos responsáveis, repartiram a própria vida para defender a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres, marginalizados e discriminados!
Onde eles encontram a força para fazer tudo isto? Precisamente na Eucaristia: na força do amor do Senhor ressuscitado, que também hoje parte o pão para nós e repete: “Fazei isto em memória de Mim”. »
Num final de um sábado... e depois de uma Missa ou Eucaristia vespertina que me pôs diante dos olhos a cura dos dez leprosos pela infinita Misericórdia de Jesus/Deus... dos dez leprosos... cada qual imagem de mim mesma e de cada um ou uma de nós... gostei muito de rever estas meditações que partilho com o maior carinho e desejo de um bom domingo cheio de Graça e muitos gestos de Misericórdia!
HN

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A MISERICÓRDIA… DO 'SAMARITANO'!

De facto, o ‘Bom Samaritano’ é Jesus! É a imagem de Jesus connosco, com cada um de nós!
Acerca da passagem evangélica do Bom Samaritano, vejamos o que nos diz Santo Ambrósio, Bispo de Milão:
«Um samaritano descia por aquele caminho. «Quem desceu do Céu, senão Aquele que subiu ao Céu, o Filho do Homem, que está no Céu?» (cf Jo 3,13). Vendo moribundo aquele homem que ninguém conseguira curar [...], aproximou-Se dele. Quer dizer, aceitando sofrer connosco, assumiu-Se como nosso próximo e, apiedando-Se de nós, fez-Se nosso vizinho.
«Ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho». Este médico tem muitos remédios com os quais costuma curar. As suas palavras são um remédio: tal palavra liga as feridas; outra verte o bálsamo; outra, o vinho adstringente. [...] «Depois, transportou-o na sua própria montada». Ouve de que modo Ele te coloca nela: «Eram os nossos sofrimentos que ele levava e as nossas dores que o vergavam» (Is 53, 4). O pastor também pôs aos ombros a ovelha ferida (Lc 15,5). [...]
«Levou-o para uma estalagem e cuidou dele». [...] Mas o samaritano não podia permanecer muito tempo na nossa terra; tinha de voltar ao local de onde havia descido. Portanto, «no dia seguinte» - que dia seguinte é este, senão o dia da Ressurreição do Senhor, aquele acerca do qual Ele disse: «Eis o dia que fez o Senhor» ( Sl 117, 24)? - «tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: "Trata bem dele"».  O que são estas duas moedas? Talvez os dois Testamentos, que contêm a efígie do Pai eterno, e graças aos quais as nossas feridas são curadas. [...] Feliz desse estalajadeiro que pode curar as feridas de outrem! Feliz daquele a quem Jesus diz: «O que gastares a mais eu to pagarei quando voltar», [...] prometendo a recompensa. Quando voltarás, Senhor, senão no dia do Juízo? Se bem que estejas sempre em toda a parte, permanecendo entre nós sem que Te reconheçamos, um dia virá em que toda a humanidade Te verá. E então devolverás o que deves. Como o devolverás, Senhor Jesus? Prometeste aos bons uma larga recompensa no Céu, mas darás mais ainda quando disseres: «Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em pequenas coisas,  muito te confiarei; entra na alegria do teu senhor» (Mt 25,21).
»
Neste Ano Santo da Misericórdia… nunca será demais pensar na imensa Misericórdia de Deus para connosco… e na misericórdia que devemos ter para com os nossos irmãos e que tantas vezes ainda nos falta!
Senhor! Misericórdia!

HN

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

JUSTIÇA E MISERICÓRDIA!


O Ano Santo da Misericórdia está deveras avançado, e não deveria acabar sem que tivéssemos experienciado a verdadeira misericórdia de Deus para connosco e de nós para com os nossos irmãos e irmãs!
Vejamos o que disse o Para Francisco numa das suas catequeses de Quarta-feira:
«Qual a relação entre a justiça e a misericórdia!
Apenas aparentemente estas duas realidades se “contradizem”, tanto que “a Sagrada Escritura nos apresenta Deus como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita”. Em outras palavras, “é justamente a misericórdia de Deus que leva a cumprimento a verdadeira justiça”.
A realidade terrena, em qualquer lugar, se caracteriza por uma “justiça retributiva”, que protege quem se considere “vítima de uma injustiça” e se dirige ao tribunal para que seja feita justiça.
De acordo com este critério, o infrator recebe uma pena “segundo o princípio de que a cada um deve ser dado aquilo que lhe é devido. Como diz o livro dos Provérbios: “Quem pratica a justiça é destinado à vida, mas quem persegue o mal é destinado à morte” (11, 19). O Evangelho também menciona a história da viúva que ia repetidamente ao juiz e lhe pedia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário (cf. Lc 18,1-8).
“Este caminho ainda não leva à verdadeira justiça, porque, na realidade, não vence o mal, mas simplesmente contém seu avanço. É, em vez disso, respondendo a ele com o bem que o mal pode ser realmente vencido”.
A Bíblia indica o “caminho mestre”, no qual a vítima evita recorrer ao tribunal e se dirige diretamente ao culpado “para convidá-lo à conversão, ajudando-o a entender que ele está fazendo mal, apelando a sua consciência”. Assim, reconhecido o próprio erro... ele pode se abrir ao perdão, que lhe é oferecido”.
É a mesma dinâmica que caracteriza as relações familiares, “onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o liga ao outro”.
O caminho do perdão “ é um caminho difícil”, porque quem sofreu o erro precisa estar “pronto a perdoar e desejar a salvação e o bem de quem o ofendeu”, porque, se o culpado “reconhece o mal feito e deixa de fazê-lo, eis que não há mais o mal e aquele que era injusto se torna justo, porque perdoado e ajudado a reencontrar o caminho do bem”.
Deus age assim “nos confrontos de nós pecadores”. Ele “continuamente oferece o seu perdão e nos ajuda a acolhê-lo e a tomar consciência do nosso mal para poder nos libertar. De fato, Deus “não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação”.
Alguém poderia levantar a seguinte objeção: “mas, padre, a condenação de Pilatos foi merecida?”. A verdade é que “Deus queria salvar Pilatos e também Judas”. “Ele, o Senhor da misericórdia, quer salvar todos! O problema é deixar que Ele entre nos corações”.
No Antigo Testamento, no entanto, ouvimos o apelo à conversão que Deus diz através de Ezequiel: “Terei eu prazer com a morte do malvado? (…) mas antes com a sua conversão, de modo que tenha vida” (Ezequiel 18-23).
Deus quer que seus filhos “vivam no bem e na justiça, e portanto, vivam em plenitude e sejam felizes”. O coração de Pai “vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes ilimitados da sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos retribui segundo as nossas culpas, como diz o Salmo (103, 9-10)”.
O perdão, portanto, é um ato eminentemente ‘paterno’, tanto a nível humano quanto divino. “Por isso ser confessor é uma responsabilidade tão grande, porque aquele filho, aquela filha que vem a você procura somente encontrar um pai”.
“Você está ali, (no confessionário) no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia”.
“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa. Queridos amigos, devemos deixar para trás o nosso pobre conceito de justiça e abrir o nosso coração à infinita misericórdia de Deus, que nunca se cansa de nos perdoar, para que possamos buscar a reconciliação com todos, começando pelos nossos familiares. Que Deus vos abençoe”.»
Nunca será demais pensarmos a sério na justiça de Deus… tão diferente da justiça dos homens!...
Far-nos-á muito bem! Até porque, se estivermos atentos, experimentaremos a justiça e misericórdia de Deus todos os dias, se mais não for, ao iniciar a noite quando nos debruçarmos sobre o que foi, de facto, o nosso dia e ainda que com muitos fracassos a doçura de Deus nunca nos terá desamparado e chamado a sermos um pouco melhores todos os dias!
Que o Espírito Santo nos ajude!

HN